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A administração de antimicrobianos em pacientes com bacteriúria assintomática (ASB) é um erro comum que pode levar a piora de desfechos clínicos. No entanto, faltam análises controladas que quantifiquem a comunalidade e o impacto dessa prática.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo analisar os preditores independentes para o uso indevido de antimicrobianos em ASB e quantificar o impacto dessa prática nos resultados clínicos.

Qual metodologia foi empregada?

Análise retrospectiva de caso-controle e de coorte, do ano calendário de 2017 em um centro médico terciário afiliado a uma universidade israelense.

O estudo inclui pacientes adultos (>18 anos) com cultura de urina positiva. Gestantes, receptores de transplante renal e pacientes submetidos a procedimentos urológicos foram excluídos.

ASB foi determinada de acordo com os critérios do CDC dos Estados Unidos. Modelos de regressão logística multivariável foram construídos para analisar os preditores e os resultados associados ao uso de antimicrobianos para pacientes com ASB.

Quais os principais resultados?

O estudo incluiu 1.530 culturas de urina positivas exclusivas de cada paciente. Entre esses pacientes, 610 pacientes (40%) foram determinados como tendo ASB. Dos 696 organismos isolados, 219 (36%) eram organismos multirresistentes (MDROs). Além disso, 178 (29%) dos pacientes receberam antimicrobianos especificamente devido a ASB.

Os preditores independentes para a administração inadequada de antimicrobianos foram o status funcional dependente e sexo masculino. O uso de antimicrobianos foi independentemente associado a reinternações e posteriormente infecções agudas por Clostridioides difficile (CDI) nos 90 dias seguintes.

Quais as limitações do estudo?

Estudo realizado em um único centro médico (Shamir Medical Center) de 877 leitos.

Quais as conclusões e recomendações finais?

ASB é uma condição comum, frequentemente resultando em MDROs. Sexo masculino e estado funcional limitado foram preditores independentes de tratamento errôneo, e essa prática foi associada de forma independente a reinternações e ICD nos 90 dias seguintes.

Que críticas e comentários?

Este estudo traz dados interessantes sobre a administração de antimicrobianos e antibióticos em situação de bacteriúria assintomática e sua relação com o aparecimento de organismos multirresistentes. Apesar de ter sido realizado em um único centro e, portanto, de não podermos generalizar amplamente os resultados, abre espaço para reflexões importantes sobre os cuidados de saúde das populações com limitação de funções e do sexo masculino. A partir dos dados apresentados podemos nos questionar e inferir algumas possibilidades dos motivos por trás da maior prevalência de infecção nesses grupos e assim começar a pensar em intervenções a serem implementadas/monitoradas.  Também deve ser revista e necessidade de antimicrobianos em pacientes assintomáticos e até a solicitação de uroculturas nesses casos. Enfim, mais um campo para o stewardship de antimicrobianos.

Fonte: Shpunt Y, et al. (2021). Antimicrobial use for asymptomatic bacteriuria—First, do no harm. Infection Control & Hospital Epidemiology, 42: 37–42

Sinopse por: Maria Julia Ricci Ferreira

E-mail: [email protected]

Instagram: @mariajuliaricci_

 



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