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Fornecimento de cuidados clínicos essenciais para pacientes não-COVID-19 em um hospital de cuidados intensivos em zona metropolitana de Seul em meio ao tratamento contínuo de pacientes COVID-19

Qual a justificativa do estudo?

O surto de coronavírus atual impactou profundamente a prestação de cuidados essenciais à saúde e práticas essenciais de gestão em ambientes clínicos em todo o mundo. Levando em consideração a importância de – dentro dos limites possíveis – não comprometer o manejo clínico de pacientes não-COVID, o Hospital Myongji (Seoul) implementou um sistema estratégico para tratar simultaneamente paciente COVID e não-COVID.  Foi implementado um Dual Track Healthcare System (DTHS – Sistema de Saúde de Duas Vias) para manter a assistência a áreas essenciais de atenção à saúde concomitantemente com as práticas para controle da infecção.

Qual o objetivo do estudo?

O propósito do estudo foi de analisar quantitativa e qualitativamente as mudanças decorrentes da aplicação de um DTHS para controlar a disseminação da infecção por COVID-19, mantendo sistematicamente as funções essenciais na prestação de cuidados essenciais de saúde. O estudo foi desenvolvido no Hospital Myongji (Seoul), um hospital privado de cuidados intensivos que opera como um centro de emergência de nível I, com 560 leitos comuns e 12 leitos de pressão negativa – incluindo 5 leitos de UTI – designados a nível nacional.

Qual metodologia foi empregada?

Foi realizado um estudo transversal por meio da análise retrospectiva de dados. A aquisição de dados foi realizada por meio de registros médicos (clinical records) durante um total de 40 semanas, sendo 20 semanas previamente ao surto de COVID-19 e as outras 20 semanas durante o surto. Casos de infarto agudo do miocárdio (AMI), acidente vascular cerebral (stroke), trauma severo e apendicite aguda que necessitaram de atendimento de emergência foram selecionados como morbidades representativas. Quimioterapia, terapia de radiação e hemodiálise foram selecionados como áreas representativas de cuidado contínuo em saúde.

A avaliação quantitativa dos cuidados emergenciais foi realizada por meio dos seguintes parâmetros: para AMI foi utilizado o tempo porta-balão (DTB: door-to-balloon); para AVC o tempo porta-agulha (DTN: door-to-needle) para trombólise intravenosa e o tempo porta-furo (DTP: door-to-puncture) para trombectomia mecânica; para apendicite aguda o tempo porta-sala de operação (DTO: door-to-operating room) foi utilizado.

Quais os principais resultados?

A partir da admissão de casos de COVID-19 foi observado um declínio de 37,6% no contingente de pacientes não-COVID que visitaram o departamento.

A quantidade de pacientes com AMI, AVC, trauma grave e apendicite aguda que se apresentaram para atendimento de emergência não diminuiu. O tempo DTB para AMI melhorou significativamente; já o tempo DTN no tratamento de AVC permaneceu estável.

Simultaneamente, os cuidados urgentes envolvendo outros serviços – incluindo pacientes em quimioterapia, radioterapia e hemodiálise – não mudaram.

Quais as limitações do estudo?

Os autores não reportaram limitações.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Hospitais estão enfrentando uma crise prolongada de COVID-19 e estão expostos a uma série de fatores de risco que podem impedir a manutenção de suas funções essenciais, incluindo falta de recursos médicos, sobrecarga da equipe médica, e desafios financeiros. Um DTHS planejado de modo cuidadoso e criativo tem papel essencial em dissipar as preocupações com a segurança do hospital entre os pacientes, bem como proteger a equipe e os visitantes contra disseminação potencial de infecção na comunidade em geral.

Os autores atribuíram o sucesso da estratégia no hospital a alguns fatores, sendo os principais:

– Existência de um sistema de alocação centralizado, legislado pelo governo local/nacional, de forma a prevenir a sobrecarga dos hospitais.

– Compartimentalização das áreas de atendimento. O DTHS em questão contou com zona de atendimento COVID com 112 leitos em um prédio completamente separado dos atendimentos não-COVID. Além disso, foram implementadas zonas tampão (buffer zones) para acomodar pacientes necessitando de hospitalização ativa e imediata até a confirmação dos resultados do teste PCR, sendo estas subdivididas em subzonas de monitoramento de pacientes com sintomas respiratórios e sem sintomas respiratórios.

Quais críticas e comentários?

Como já mencionado, os autores não relataram limitações para este estudo, porém é necessário lembrar-nos que este estudo foi feito no âmbito de um único hospital para avaliar a eficiência de um DTHS em um período específico e em um sistema de saúde diverso do brasileiro. Portanto, cautela e adaptações ao contexto são necessárias ao tentar generalizar a prática para outros panoramas.

Fonte: Providing essential clinical care for non-COVID-19 patients in a Seoul metropolitan acute care hospital amidst ongoing treatment of COVID-19 patients. K. D. Lee. et al. Journal of Hospital Infection, Volume 106 (2020), pages 673-677

Sinopse por Maria Julia Ricci

E-mail: [email protected]

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