Torneiras acionadas por sensores (TAS) são muito utilizadas com o objetivo evitar a contaminação ou recontaminação das mãos e para reduzir os custos. Diante disso, os hospitais estão cada vez mais interessados em instalar estes dispositivos.

Um estudo tipo caso-controle foi realizado em um hospital terciário de ensino universitário de 2.168 leitos que dispõe de 220 TAS instaladas em unidades críticas.

O objetivo deste estudo era avaliar a situação do hospital quanto a possível contaminação da água destas torneiras e verificar a presença de uma diferença estatisticamente significante na contagem de Pseudomonas aeruginosa nas TAS do que nas torneiras comuns manuais, conforme descrito em estudos recentes publicados.

Foram selecionadas aleatoriamente 18 TAS como grupo de intervenção. Para cada TAS, uma torneira manual era escolhida com frequência de uso e local similares. Foram analisadas, então, um total de 36 torneiras.

De acordo com um decreto austríaco relacionado à qualidade da água para consumo humano, uma amostra de 250mls foi coletada de cada torneira sem “flush” prévio e sem desinfecção do bico da torneira. Cada amostra foi filtrada através de um filtro de nitrato de celulose ( 0,45 mm; Sartorius AG, Göttingen, Germany). O disco do filtro era então colocado em uma placa de Agar e incubado em 36ºC ± 2ºC. Depois de 48hs, a cultura era checada para o crescimento de P. aerugiosa. A identificação das espécies eram feitas bioquimicamente usando um teste API 20 – NE ( bioMérieux SA, Marcy l’ Etoile, France). Foram contados os números de unidades formadores de colônias por 250ml de fluido da amostra.

Foi utilizado o Epi Info, version 6.04b, CDC, Atlanta, GA, aplicando o teste de probabilidade exata de Fisher e odds ratio com intervalo de confiança de 95%. Um P de < 0,05 era considerado estatisticamente significante.

Nenhuma das TAS examinadas continham P. aeruginosa e uma das 18 torneiras manuais cresceu 20UFC de P. aeruginosas em 250mls de água. Não houve diferença estatisticamente significante entre as TAS e as torneiras manuais neste estudo ( OR= 0,0; IC 95% = 0,0 – 39.0, p = 0.99 ).

As TAS previnem a transmissão por contato de patógenos hospitalares, mas podem ser a fonte de infecção hospitalar quando a água que passa por elas contém muitos microorganismos.

Halabi et al constatou em seu estudo que 41% da TAS estavam contaminadas por P. aeruginosa. Neste estudo foram discutidos dois fatores importantes de diferença entre as duas torneiras: os tubos de conexão e válvulas feitas de plástico e a distancia a válvula e a torneira, resultando em uma coluna de água estagnada e morna, o que favorece a produção de biofilmes dentro dos canos d’água.

No estudo realizado, a distância entre as válvulas magnética e eletrônica e a pia era menor que 25cm.

Desta forma, ao instalar as TAS é importante considerar o tamanho e as características da extensão ou conexão utilizada.

A vigilância da qualidade da água após a instalação de novos dispositivos, independente se forem TAS ou torneiras manuais, é uma medida importante na prevenção de possíveis infecções hospitalares.

 

Fonte: Assadian O, et cols. Sensor-faucets: a possible source of nosocomial infection? Infect Control Hosp Epidemiol, 2002; 23: 44-46.

Resumido por: Alessandra Santana Destra em 2003


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