MRSA é um problema mundial, pode causar surto, logo é indispensável minimizar sua disseminação. Após um surto em um hospital de 1.800 leitos em Berlim, um controle rígido de infecção tinha de ser instituído. Para conter a disseminação todos os itens suspeitos de contaminação e impossíveis de serem esterelizados ou desinfetados efetivamente como seringas, equipos de soro entre outros materiais ainda lacrados eram descartados, o que gerou um aumento considerável dos custos.

Seringas estéreis embaladas (B. Braun) e sistema de infusão (B. Braun) foram usados para investigação. Foi estudado o papel com gramatura de 56 g/m2 e a folha transparente de polietileno e poliamida os quais foram cortados em amostra de papel de 4 x 4 cm e de plástico transparente de 2 X 2 cm.

Para o teste foram usadas cepas de MRSA a partir de swabs nasais coletados dos pacientes colonizados, que foram incubadas por 24 horas, cada placa foi lavada com Na Cl 0,9% e centrifugada 3 vezes. O sedimento foi diluído novamente e homogenizado.

O papel recebeu 0,1 ml de suspensão e o papel transparente 0,05 ml, sendo um total de 201 papéis e 201 plásticos foram contaminados. Após as amostras serem contaminadas, foram enxaguadas e foi determinado o número de unidades formadoras de colônias UFC. Após a contaminação as amostras foram guardadas ao abrigo da luz sob fluxo laminar com temperatura de 20º C adequadamente umidificado. Foram coletadas 10 amostras de cada tipo nos tempos 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 14, 16, 19, 21,23,25, 28, 31, 38 e 50 semanas. As amostras foram enxaguadas 20 vezes antes da semeadura.

O número de colônias que contaminaram o papel e o plástico foi de 1,5 . 1010 UFC/ml e 7,5 . 109 UFC/ml para papel e plástico respectivamente. A sobrevivência de MRSA foi maior que 38 semanas, sendo que com 50 semanas não foi possível recuperar MRSA.

Fica claro que MRSA pode sobreviver por longos períodos no ambiente, sendo que no hospital materiais e artigos médico hospitalares como balcões embalagens podem vir a ser reservatórios de MRSA. Está bem estabelecido que superfícies e materiais próximos a pacientes colonizados ou infectados por MRSA podem estar contaminadas, Boyce et al demonstrou que isso ocorre em 73% das vezes.

MRSA tem uma capacidade de sobrevivência ímpar, assim o risco de disseminação é grande. Neste estudo os microrganismos foram reduzidos a 105 UFC/ml após 14 semanas para ambos os materiais estudados o que corresponde à redução preconizada por desinfetantes, no entanto mesmo esta pequena carga microbiana pode causar infecções se associada a fatores predisponentes.

Cepas de MRSA podem sobreviver por 38 semanas ou mais em embalagens de materiais estéreis de uso único, no entanto estas não parecem sensíveis nem tampouco seguras de realizar-se desinfecção ou descontaminação.

 

Fonte: Dietze B., Rath A., Martiny H. Survival of MRSA on Sterile Goods Packangin. Hosp Infect. Vol 49: 255-261, 2001.

Resumido por: Cristiane Schmitt em 2002


Ficou interessado? Veja nossos cursos MBA em CCIH e CME.