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O estudo teve como objetivo identificar os fatores que aumentam a carga microbiana na sala de cirurgia e recomendar soluções para minimizar o efeito desses fatores. Os dados observacionais foram traduzidos em um roteiro denotando a frequência e a localização representativas dos movimentos de cada membro da equipe de cirurgia. Foram coletadas bactérias e fungos usando placas Petri

Qual a justificativa do estudo?

Apesar da necessidade a nível médico e dos benefícios para o paciente, procedimentos cirúrgicos podem resultar em infecção do sítio cirúrgico (SSI). As SSIs dependem de diversos fatores e podem levar a consequências físicas, emocionais e econômicas. Fatores de risco ambiental estão inevitavelmente presentes na sala operatória (operating room – OR), contudo existe a hipótese de que a abertura de portas da OR pode reduzir a pressão do ar e possivelmente interromper o fluxo de ar permitindo a entrada de partículas possivelmente perigosas.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo identificar os fatores que aumentam a carga microbiana na sala de cirurgia e recomendar soluções para minimizar o efeito desses fatores.

Qual metodologia foi empregada?

Foi realizado um estudo de observação e amostragem em 2 centros de saúde da Carolina do Sul (EUA).

Foram analisadas 4 cirurgias ortopédicas – totalizando 15 horas de filmagens – monitorando a abertura de portas e movimentação das equipes. Os dados observacionais foram traduzidos em um roteiro denotando a frequência e a localização representativas dos movimentos de cada membro da equipe de cirurgia.

Essas atividades foram então simuladas por 30 minutos em uma sala de cirurgia funcional pelos pesquisadores reencenando as funções dos membros da equipe de cirurgia, enquanto foram coletadas bactérias e fungos usando placas Petri. Para testar a influência das atividades humanas na OR sobre a carga microbiana, os pesquisadores criaram um desenho experimental de modo que para cada possível fator de influência foram coletadas amostras em duas alturas diversas (alta (H) e baixa (L)).

Quais os principais resultados?

Os autores atestaram que a frequência de abertura de portas não foi capaz de afetar independentemente a carga microbiana da OR. Foi evidenciado que uma maior duração e maior largura da abertura da porta levaram a um aumento da carga microbiana; outro fator foi o aumento da movimentação da equipe. Por fim, foi notado que havia uma maior carga microbiana significativamente mais próximo ao chão do que no nível da cintura.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os pesquisadores concluem que o movimento da equipe e a duração e largura da abertura da porta afetam definitivamente a carga microbiana do centro cirúrgico. No entanto, uma investigação mais aprofundada é necessária para determinar como o número de funcionários afeta e como reduzir a carga microbiana na mesa cirúrgica.

Quais as limitações do estudo?

Os autores citam algumas limitações do estudo. A primeira é a quantidade limitada de dados coletados devido a fatores organizativos das instituições. Além disso, as duas fases foram realizadas em períodos diversos do ano, de modo que os resultados podem ter sido afetados por fatores sazonais externos.

Que críticas e comentários?

É relevante notar que o estudo é um follow-up de um estudo anterior realizado pelos mesmos autores que busca mitigar algumas limitações do estudo prévio. Os resultados são interessantes e com certeza pontos que podem ser aprofundados em outros estudos, porém não são generalizáveis.

Afinal, esta é uma discussão antiga e que necessita de estudos mais robustos para uma classificação definitiva de seu grau de evidência científica. Por enquanto, fica o racional teórico, que quanto mais pessoas presentes na sala cirúrgica e maior for sua movimentação, aumentará a dispersão aérea de microrganismos.

Fonte: Taaffe KM, Allen RW, Fredendall LD, Shehan M, Stachnik MG, Smith T, Carbonell AM, Glover E, Fiore A. Simulating the effects of operating room staff movement and door opening policies on microbial load. Infect Control Hosp Epidemiol. 2021 Sep;42(9):1071-1075

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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