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A diabetes mellitus (T2D – type 2 diabetes) é reconhecida como fator de risco para infecção em pacientes hospitalizados, principalmente em contextos cirúrgicos e de cuidados críticos. O estudo teve como objetivo examinar uma coorte de pacientes submetidos à revascularização do miocárdio para avaliar a relação entre diabetes, hiperglicemia e risco de infecção de sítio cirúrgico.

Qual a justificativa do estudo?

A diabetes mellitus (T2D – type 2 diabetes) é reconhecida como fator de risco para infecção em pacientes hospitalizados, principalmente em contextos cirúrgicos e de cuidados críticos. Com os avanços nos cuidados perioperatórios na última década – incluindo abordagens direcionadas à hiperglicemia como infusões contínuas de insulina intravenosa (CIII – Continuous Intravenous Insulin Infusions) – não é ainda claro se o risco de infecção pós-cirurgia de revascularização do miocárdio (CABGS – Coronary Artery Bypass Graft Surgery) em pacientes com diabetes foi ou não reduzido.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo examinar uma coorte de pacientes submetidos à CABGS para avaliar a relação entre diabetes, hiperglicemia e risco de infecção de sítio cirúrgico (SSI – Surgical Site Infection) em modelos de cuidados contemporâneos.

Qual metodologia foi empregada?

Foi realizado um estudo retrospectivo de coorte de pacientes adultos submetidos a CABGS internados em um hospital universitário de cuidados quaternários na Australia entre 2016 e 2018. Durante o período de estudo o tratamento padrão consistia em CII até a manhã do segundo dia pós-operatório.

Foram obtidos as características clínicas e os registros de SSIs a partir dos registros clínicos. Entre as características clínicas analisadas estavam T2D diagnosticada, glicemia pós-operatória e índice de massa corpórea (BMI – Body Mass Index).

Quais os principais resultados?

Dos 953 pacientes avaliados, 11% desenvolveram SSIs uma média de oito dias após CABGS, sendo poucos (<1%) os casos de SSIs profundas. T2D foi evidenciada em 41% e mais prevalente nos pacientes com SSIs (51%).

Na análise multivariada, T2D não foi significantemente associada com o desenvolvimento de SSI mas o índice de massa corpórea (BMI) continuou a ser um fator de risco significante. Em pacientes com T2D, a glicemia perioperativa não foi significativamente associada com SSIs.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Em um centro especializado de cirurgia cardíaca utilizando infusões intravenosas de insulina perioperativa e profilaxia antibiótica, SSIs profundas foram incomuns.  Contudo, aproximadamente 1 em 10 pacientes desenvolveram SSI superficiais.

T2D não foi independentemente associada com SSI, contudo o BMI foi independentemente associado com SSI pós CABGS.

Quais as limitações do estudo?

Os autores ressaltam algumas limitações do estudo. Primeiramente, o estudo foi retrospectivo e realizado em um único centro de cuidados a saúde. Além disso, devido a inacessibilidade a prontuários eletrônicos de antes de 2016 o tamanho da amostra foi reduzido. Outra limitação relevante foi o diagnóstico de T2D que foi realizado com base na codificação do ICD e na documentação clínica disponível, sendo possível a existência de casos não diagnosticados ou não reportados.

Que críticas e observações?

O estudo cumpre sua proposta de análise retrospectiva do impacto de CII na incidência de SSIs em pacientes com T2D. Os resultados apontam uma linha interessante para investigações futuras para a compreensão do papel da adiposidade excessiva e hiperglicemia em contribuir para o risco aumentado de SSI. Mais investigações precisam também ser feitas para concluir se o risco de SSIs pode ser reduzido nos pacientes submetidos a CABGS, incluído aqueles com diabetes e obesidade.

Fonte: Cheuk N, Worth LJ, Tatoulis J, Skillington P, Kyi M, Fourlanos S. The relationship between diabetes and surgical site infection following coronary artery bypass graft surgery in current-era models of care. J Hosp Infect. 2021 Oct;116:47-52

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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