INTRODUÇÃO: O método de estudo observacional e as entrevistas apresentam limitações na mensuração do comportamento dos profissionais de saúde sobre a ação da lavagem das mãos. O uso de equipamentos de assistência digital (personal digital assistants – PDAs) usados para identificar a influência na tomada de decisão dos profissionais de saúde na descontaminação das mãos nas diferentes percepções: cognitiva, social, comportamental e organizacional parece ser um bom instrumento para mensurar as variáveis de lavagem das mãos. Os PDAs são equipamentos pequenos, de pouco peso e de fácil manipulação, oferecendo assim diversas vantagens em seu uso. Dessa forma é possível contemplar as recomendações estabelecidas pela World Health Organization’s first Global Patient Safety Challenge “Clean Care is Safer Care”, que são: identificação dos preditores de grande impacto na realização da lavagem das mãos dos profissionais de saúde e a confirmação de que protocolos comportamentais podem ser estabelecidos para médico, enfermeiras e outros profissionais da saúde como estratégia para um cuidado seguro ao paciente.

MÉTODO: Os participantes do estudo foram providos dos PDAs e treinados para usar o equipamentos durante três períodos de 2 horas cada e questionados sobre a influência dos fatores do modelo “Health Belief Model (HBM)”, que são dentre outros: a percepção na suscetibilidade de adquirir uma infecção, de transmitir uma infecção, a percepção de gravidade. Os participantes foram requeridos, também, a dizer como é a realização da lavagem das mãos e o que eles de fato fizeram.

RESULTADOS: Um total de 741 higienizações das mãos foram computadas, através da participação de 25 enfermeiras, 10 médicos e 3 fisioterapeutas. Não houve diferença significativa entre os períodos 1, 2 e 3. As enfermeiras realizaram 529 lavagens das mãos, os médicos 151 e os fisioterapeutas 61. A adequação do estudo está no contexto do que os profissionais diziam sobre a lavagem das mãos e o que eles pensavam que deveria ser realizado em cada ocasião. Em 617 ocasiões os participantes fizeram o que diziam que deveria ser feito, isso representa 20% dos médicos, 28% das enfermeiras e 66% dos fisioterapeutas.

CONCLUSÃO: Este estudo piloto mostrou que os PDAs são ferramentas viáveis para coletar dados em tempo real de forma anônima sobre as estratégias de lavagem das mãos. As variáveis da teoria “Health Belief Model (HBM)” mostraram-se um sucesso quando foram correlacionadas com o processo de lavagem das mãos dos profissionais e o que eles achavam que deveriam fazer. O estudo atingiu ao que se propôs. Surpreendentemente, os participantes relatam não ter feito algo que deveriam fazer, porém os PDAs observaram adequação em seu processo. Isto comprova que os profissionais de saúde usam outros julgamentos para realizar a prática de lavagem das mãos, daquelas descritas pelos guidelines.

 

Fonte:American Journal of Infection Control 42 (2014) 133-8.

Resenha realizada por: Thalita Gomes do Carmo


Ficou interessado? Veja nossos cursos MBA em CCIH e CME.