Mais de 300.000 pacientes estão sob hemodiálise a cada ano nos Estados Unidos.  Entre 1993 e 2007 a taxa de hospitalização aumentou 38%, destacando-se as topografias: bacteremia, celulite, pneumonia e infecção relacionada ao acesso vascular. Em 2010 a APIC publicou um guia com recomendações para prevenção de infecção neste cenário, que Rebmann e Barnes resumem neste artigo.

Dentre os principais fatores de risco para infecção nestes pacientes foram destacados: exposição a dispositivos invasivos, imunosupressão, contato com outros pacientes nas unidades de hemodiálise e hospitalização frequente. Dentre os agentes os autores destacam: S. aureus; MRSA; pneumonia pneumocócica; Clostridium difficile; hepatite B e C e tuberculose.

Habitualmente, são avaliados nos programas de vigilância, as seguintes infecções, todas relacionadas ao cateter de hemodiálise: sítio de inserção, túnel e bacteremia. Os programas de prevenção de infecção incluem frequentemente: limpeza e desinfecção ambiental; aderência ao protocolo para higiene das mãos; imunização dos profissionais de saúde e dos pacientes (tétano, pneumovax, influenza sazonal, varicela e hepatite B); monitoramento de tuberculose antes do início das sessões e após contato com paciente tuberculoso, observando a anergia que estes pacientes podem desenvolver; práticas seguras para injeção de medicamentos, destacando-se cuidados para prevenção de transmissão de patógenos pelo sangue (técnica asséptica; não compartilhar frasco de múltiplas doses ou seringas; usar frascos de dose única; não reutilizar seringas entre pacientes; descarte adequado de perfuro cortantes; manejo adequado da via de infusão; pele ao redor do acesso limpa e seca; checar diariamente o acesso vascular; cuidados especiais no braço do acesso vascular como evitar roupas apertadas, jóias, dormir sobre o braço ou medir pressão e colher amostras); prevenção de infecção cirúrgica (banho pré-operatório com antissépticos; adequada remoção de pelos; proteger o acesso vascular; controle de MRSA; orientar pacientes a relatar indícios de infecção); emprego das precauções padrão e baseadas no mecanismo de transmissão; protocolo para prevenção de infecções relacionadas ao acesso vascular; monitoramento e tratamento da água (controle bacteriológico e de endotoxinas; desinfecção de equipamentos e artigos de risco).

Além dessas recomendações o guia cita questões não resolvidas tais como: vigilância ativa para colonização ou infecção para MRSA; descolonização MRSA; selo antibiótico no acesso; curativo do acesso com impregnado com antimicrobiano; emprego de derivados do cloro; dialisado ultrapuro; tempo de exposição ao agente desinfetante; equipamento de proteção individual mínimo recomendado.

Fonte: American Journal of Infection Control: vol 39, pags 72-75, fev 2011

Resenha elaborada por Antonio Tadeu Fernandes para CCIH Revista

 

Revisado e atualizado por Antonio Tadeu Fernandes
para Memória CCIH


Ficou interessado? Veja nossos cursos MBA em CCIH e CME.