Este artigo aborda a experiência de uma grande rede hospitalar com 21 hospitais ao desenvolver um programa de prevenção de pneumonia adquirida no hospital (PAH), através de um sistema de vigilância eletrônica, que foi parametrizado para identificar os pacientes em alto risco de desenvolver PAH.

Qual a importância deste estudo?

O estudo foi realizado na Califórnia (EUA), totalizando 21 centros médicos e 4,4 milhões de pacientes atendidos. A PAH é uma infecção relacionada a assistência à saúde com prevalência e custos totais maiores que a Pneumonia associada a ventilação (PAV). Além disso, há poucos relatos e evidência limitada na literatura sobre sua prevenção quando comparado à PAV.

Quais foram os objetivos e a metodologia deste estudo?

Com o objetivo de desenvolver e avaliar um programa de prevenção de PAH, os autores utilizaram como metodologia o desenho de um programa prospectivo, observacional e de vigilância para identificar o risco de desenvolvimento de PAH antes e após 7 intervenções reconhecidas como relevantes na literatura(mobilização agressiva, postura ereta para as refeições, ingestão cuidadosa e avaliação antes de qualquer alimentação, atenção aos níveis de sedação, cabeceira elevada para sono, cuidados orais rigorosos e cuidados com o tubo de alimentação). Baseado em revisão de prontuários, foram identificados como fatores de risco para o desenvolvimento de PAH: pacientes no pós-operatório, alteração do nível de consciência, albumina sérica <3g/dl e tubos de alimentação. Foram objetos do estudo todos os pacientes internados nos 21 hospitais de um sistema de saúde integrado, sem fins lucrativos, da Califórnia.

Quais foram os principais resultados verificados neste estudo?

Houve diminuição das taxas de PAH 2012 e 2018: de 5,92 para 1,79 por 1.000 admissões (P=0,0031) e de 24,57 para 6,49 por 100.000 pacientes (P=0,0014). A mortalidade por PAH diminuiu de 1,05 para 0,34 por 1.000 internações e de 4,37 para 1,24 por 100.000 pacientes. Além disso, houve redução considerável na utilização de antibióticos de amplo espectro. A terapia antibiótica por 100.000 pacientes também sofreu redução significativa: dias de uso de carbapenêmicos (694 a 463; P=0,0020), dias de uso de aminoglicosídeos (154 a 61; P=0,0165), dias de uso vancomicina (2.087 a 1.783; P=0,002) e quinolona (2,162 a 1.287; P<0,0001). Somente o uso de cefalosporina aumentou, impulsionado pelos dias de ceftriaxona (264 a 460; P=0,0009). O uso de benzodiazepínico diminuiu entre 2014 e 2016: 10,4% a 8,8% dos dias de internação. A mortalidade de pacientes com PAH foi 18% em 2012 e 19% em 2016 (P=0,439).

Quais foram as conclusões e as recomendações dos autores do estudo?

Os autores concluíram que as medidas implementadas foram eficazes na diminuição das taxas de PAH, mortalidade e uso de antibióticos de amplo espectro, apesar da ausência de forte literatura que sustentasse essas medidas. A estrutura do projeto, apesar das limitações, fornece uma base para replicação em outros hospitais que desejem reduzir as taxas de PAH. Houve aumento ns cuidados básicos de enfermagem com a implementação das intervenções e nenhuma teve risco de consequências adversas. Esses resultados apóiam a necessidade de examinar práticas para melhorar os cuidados, apesar da literatura limitada e a necessidade de ampliar os estudos nessas áreas de cuidado ainda incompreendidas.

Fonte: Cristine C. Lacerna; Donna Patey; Lawrence Block; Sejal Naik; Yulia Kevorkova; Jessica Galin; Melanie Parker; Robin Betts; Stephen Parodi e David Witt (2020). A successful program preventing nonventilator hospital-acquired pneumonia in a large hospital system. Infection Control & Hospital Epidemiology, 41, 547-552.

Autor: Maria Teresa Aparecida Pereira dos Santos Dias, Enfermeira Controladora de Infecção, Mestranda em Engenharia Biomédica, MBA em Gestão Hospitalar e Controle de Infecção.

Contato: mariatedias27@hotmail.com

 


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