WESTPORT, CT (Reuters Health) Jan 04 – bacteremia por Staphylococcus aureus parece surgir em muitos casos a partir de bactérias que colonizam a mucosa nasal, de acordo com artigo publicado no exemplar de 4 de janeiro do New England Journal of Medicine.

Em um estudo multicêntrico, Dr. von de Christof Eiff e colaboradores, da Universidade de Munster na Alemanha, coletaram e genotiparam 723 amostras nasais de 219 pacientes com bacteremia por S. aureus. Os investigadores também coletaram 1.640 cepas de S aureus nasais de 1.278 pacientes num período de 5 anos, comparando estes isolados com as que foram identificadas no sangue de pacientes, que posteriormente desenvolveram bacteremia por S. aureus, em estudo prospectivo.

O grupo do Dr. Eiff observou que os isolados no sangue e na mucosa nasal eram idênticos em 82,2% dos casos. Além disso, no estudo prospectivo, 14 dos 1.278 pacientes desenvolveram bacteremia por S. aureus. Em 86% destes casos, os isolados obtidos do nariz e do sangue eram de clones idênticos.

Portadores nasais de S. aureus têm sido identificados em estudos prévios por apresentar um riso aumentado de infecção após cirurgia, diálise peritoneal e hemodiálise. Um outro estudo demonstrou maior risco de bacteremia em portadores nasais durante um surto de S. aureus meticilino-resistente em uma unidade de terapia intensiva. Outras investigações também mostraram que a eliminação do estado de portador nasal reduz a incidência de infecções por S. aureus.

Os pesquisadores observaram que estudos prévios que analisaram os efeitos de portador nasal eram limitados a poucos hospitais ou a grupos definidos de pacientes. Adicionalmente, “na maioria dos estudos, não se empregou sistemas de tipagem altamente discriminatórios que demonstrariam que a cepa que coloniza a narina anterior é idêntica à aquela encontrada no foco infeccioso”.

Concluindo, a equipe do Dr. Eiff sugere que “a bacteremia por S. aureus pode ter origem endógena” e que “a eliminação do estado de portador nasal pode prevenir infecções sistêmicas por S. aureus“.

 

Fonte: N Engl J Med 2001;344:11-16.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2001.


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