Estudo sobre a possível transmissão de Staphylococcus aureus do biofilme de superfície seca (DSB) por diferentes tipos de luvas.

QUAL A IMPORTÂNCIA DAS INFECÇÕES HOSPITALARES DE ACORDO COM A OMS?

As infecções hospitalares são um problema de saúde mundial que resulta em enormes custos para o sistema de saúde.A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que 7% dos pacientes hospitalizados em países desenvolvidos e 10% dos pacientes hospitalizados em países em desenvolvimento  adquirirão uma infecção hospitalar.

O QUE É O BIOFILME EM SUPERFÍCIES SECAS DENTRO DOS HOSPITAIS?

Os patógenos podem sobreviver por períodos prolongados quando incorporados ao biofilme em superfícies secas de hospitais. Bactérias dentro do biofilme são protegidas da dessecação e aumentam a tolerância a agentes de limpeza e desinfetantes. Os microrganismos liberados de pacientes infectados podem sobreviver até 7 meses em superfícies secas de hospitais, enquanto bactérias incorporadas ao biofilme de superfície seca, isto é, bactérias cercadas por polímeros extracelulares e substâncias químicas, podem sobreviver mais de 12 meses.

O AMBIENTE PODE ESTAR RELACIONADO PARA AQUISIÇÃO DE INFECÇÕES HOSPITALARES?

A existência de biofilmes em 93% dos móveis em UTI sugere que os biofilmes formados em superfícies secas escapam aos protocolos atuais de limpeza e desinfecção do ambiente e podem contribuir para a infecção nosocomial, fornecendo um nicho para persistência bacteriana e liberação de bactérias no meio ambiente.

A Contaminação ambiental acredita-se que seja responsável pela contaminação de novos ocupantes em quartos previamente ocupados por pacientes que eram colonizados por Enterococcus resistentes à vancomicina (VRE), Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e até mesmo Clostridium difficile, possibilitando maior risco de adquirir esses patógenos.

OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE PODEM CONTRIBUIR PARA O AUMENTO DA CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL?

A rota mais importante de transmissão de agentes patogénicos de infecções hospitalares são as mãos contaminadas dos profissionais de saúde.A higiene das mãos (HM) é medida mais significativa na prevenção de (Infencções Relacionadas aos cuidados em saúde) IRAS. Com a baixa adesão a HM, principalmente nos momentos que há contato com as áreas próximas ao paciente (grades da cama, suporte de soro, cabeceira, etc), contribui para o aumento da contaminação ambiental. Recentemente, um estudo demonstrou com sucesso altas taxas de transmissão de bactérias encontradas em superfície secas, através das mãos desprotegidas.

QUAL OBJETIVO DO ESTUDO?

Analisar se as mãos enluvadas dos profissionais de saúde que ficam contaminadas com bactérias de superfície secas podem transmitir bactérias associadas a infecções associadas a cuidados de saúde (IACS).

QUAL FOI O MÉTODO UTILIZADO NO ESTUDO?

Foram usados 3 tipos de luvas para determinar a taxa de transmissão de bactérias de biofilme: Luvas de nitrilo, que são de uso único e sem látex , luvas 100% de látex e luvas cirúrgicas esterilizadas, nonlatex, neoprene. As luvas de nitrilo e látex não estéreis foram higienizadas esfregando com álcool 70% até secar. Para confirmar a desinfecção, tanto o polegar com luva como o dedo anterior foram pressionados na superfície de uma placa de ágar sangue e deixados incubados a 37 ° C durante a noite.

Preparação do biofilme de superfície seca de Staphylococcus aureus foi cultivado em policarbonato e cupons de vidro no Centers for Disease Control Reator de biofilme (BioSurface Technologies, Bozeman, MT) durante um período de 12 dias. As bactérias do biofilme foram então adaptadas à baixa disponibilidade de água por um período inicial de 48 horas de desidratação seguido por 3 ciclos de 6 horas de hidratação intercaladas com períodos de desidratação entre 42 e 66 horas de duração. O biofilme resultante continha 107 unidades formadoras de colônias (UFC) e simulava biofilme de superfície seca hospitalar.

Para saber o efeito com detergente neutro na transferência de bactérias de superfície secas, foi testado através exposição do biofilme por 5 segundos com detergente neutro contendo 10% de Nonilfenol etoxilado. Simulando a limpeza das superfícies durante a limpeza do ambiente.

QUAL O PAPEL DAS LUVAS NA TRANSMISSÃO PARA O AMBIENTE?

A transmissão de patógenos é reduzida com luvas em comparação com as mãos nuas, mas não é eliminada. O uso indevido de luvas, como a falha na remoção das luvas após a realização de procedimentos assépticos é associado à baixa adesão à higiene das mãos. Um estudo observacional descobriu que a taxa de uso inadequado das luvas chega a 64,4% entre os profissionais de saúde, resultando em possíveis transmissão microbiana quase 20% do tempo.

Um dos patógenos mais comuns causadores de infecção hospitalar, Staphylococcus aureus, e foi demonstrado ser incorporado em> 50% das amostras de superfícies secas na UTI em hospitais da Austrália e  Grã-Bretanha. A taxa de transmissão de S. aureus planctônico varia entre tipos de luvas.

No presente estudo os 3 tipos de luvas, nitrilo, látex e luvas cirúrgicas,  não eram  porosas e tinham superfícies lisas visualmente. A luva cirúrgica foi a mais hidrofílica das 3 luvas e transferiu o maior número de bactérias de biofilme de superfície seca para o meio microbiológico. Em contraste, as luvas de látex, sendo as mais hidrofóbicas, transmitiram o menor número de bactérias de biofilme de superfície seca, independentemente do biofilme ter sido tocado a seco ou tratado com detergente.

Assim, as luvas de látex são as mais adequadas para uso no ambiente hospitalar do ponto de vista de controle de infecção, devido à baixa taxa de transferência de patógenos, mas a alergia ao látex limita seu uso. O uso restrito de luvas de látex no ambiente de saúde limita o estudo atual. Ainda é necessário desenvolver luvas de látex que não desenvolvam alergias afim de reduzir a transmissão de patógenos, sem causar alergias nos profissionais de saúde. Os resultados obtidos no estudo corroboram com o estudo de Moore et al., no qual foi mensurada a transmissão de MRSA planctônico por vários tipos de luvas. As luvas de látex transmitiram MRSA em menor número.

QUAIS OUTROS ACHADOS FORAM IMPORTANTES NESTE ESTUDO?

O biofilme de superfícies secas foi tratado com 5% de detergente neutro por 5 segundos para imitar o umedecimento das superfícies durante a limpeza do hospital. A hipótese é que os surfactantes dentro do detergente garantem que a umidade seja prontamente absorvida na estrutura do biofilme, o que altera as propriedades físico-químicas do biofilme semi-seco para um tipo hidratado, aumentando o descolamento celular e resultando em uma alta taxa de transferência destes microrganismos em questão. Portanto, se faz necessário trabalhar diariamente para uma limpeza e desinfecção adequada no ambiente hospitalar para diminuir a colonização por microrganismos capazes de acometer os pacientes, e ainda reforçar a importância do uso adequado das luvas, seja qual for.

Fonte: Tahir S et cols. Transmission of Staphylococcus aureus from dry surface biofilm (DSB) via different types of gloves. Infection Control & Hospital Epidemiology (2019), 40, 60–64.

Sinopse por: Karine Ferreira de Oliveira

Contato: karine_kaholiveira@hotmail.com


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