Como os hospitais americanos vinculados a SHEA estão aprimorando as ações para controle de infecções, disseminação de multirresistentes e da prescrição de antimicrobianos.

Fonte: Infection Control & Hospital Epidemiology (2019), 40(9): 1046-9.

Qual é a importância deste estudo?

Este estudo foi realizado em um contexto no qual as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) e as infecções por microrganismos multidroga-resistentes (MDR) estão liderando as causas de morbidade e mortalidade nos EUA e no mundo.

Quais foram os objetivos e a metodologia do estudo?

O objetivo do estudo foi determinar quais as mudanças que estão ocorrendo em termos de controle de infecção (infection control, ou IC em inglês) e de gerenciamento do uso de antimicrobianos (antimicrobial stewardship program, ou ASP em inglês).

Quanto à metodologia, foi feita uma comparação com os resultados obtidos em 2013 e em 2018, através de uma pesquisa (survey) junto a 132 hospitais que fazem parte de uma rede de informações via web sob a supervisão da SHEA. No entanto, somente 64 instituições hospitalares responderam aos quesitos em 2018, sendo que destas, apenas 19 responderam ambas as pesquisas de 2013 e 2018. Apesar disto, os autores do estudo consideram que ainda assim comparações relevantes puderam ser feitas, pois a amostra de 64 hospitais (47 dos EUA e 17 internacionais) foi considerada representativa do total de hospitais que fazem parte do consórcio.

Quais foram as principais mudanças verificadas nas pesquisas de 2013 e 2018?

No tocante ao controle de infecções, foram comparadas as quantidades de hospitais que executavam ações de vigilância para as IRAS e para os germes MDR. Em 2018, mais hospitais estavam realizando vigilância para pneumonia associada à ventilação (81% contra 74% em 2013), para infecções da corrente sanguínea relacionadas a cateter central (100% contra 96% em 2013), para infecções urinárias relacionadas a sonda vesical (95% contra 93% em 2013) e para infecções do sítio cirúrgico (97% contra 95% em 2013). Um aumento da quantidade de hospitais em 2018 também foi verificado quanto à vigilância para gram-negativos MDR (50% contra 46% em 2013). Houve também um aumento na monitorização da limpeza hospitalar (de 80% em 2013 para 98% em 2018), incluindo inspeção visual, detecção por ATP, marcadores UV etc). E ainda, um aumento nas desinfecções por UV (19% em 2013 para 37% em 2018) e por peróxido de hidrogênio (9% em 2013 para 25% em 2018). Por outro lado, houve um decréscimo do percentual de hospitais que estavam realizando vigilância para MRSA (90% em 2013 contra 69% em 2018).

Quanto ao gerenciamento do uso de antimicrobianos, 95% dos hospitais estavam realizando esta atividade em 2018, contra 85% em 2013. As ações incluídas neste quesito foram suporte financeiro, uso de guidelines, atividades educativas, quantidade de profissionais, tipo de controle de antimicrobianos (pré-autorização versus auditoria prospectiva), monitorização dos dias de uso dos antimicrobianos.

O que estas mudanças ocorridas no período entre 2013 e 2018 indicam?

De forma resumida, estão ocorrendo um desvio no foco da vigilância epidemiológica, a qual está se voltando para microrganismos gram-negativos MDR (incluindo as enterobactérias resistentes a carbapenêmicos) em detrimento da vigilância para MRSA, um aumento na utilização de tecnologias para desinfecção do ambiente hospitalar, e um aumento na quantidade de hospitais que estão adotando programas de controle de antimicrobianos (conforme recomendações do CDC em 2015 e da Joint Commission Antimicrobial Stewardship Standard em 2017).

A menor vigilância para MRSA está refletindo uma redução não significativa da transmissão intra-hospitalar, mesmo com o uso de vigilância epidemiológica ativa e de precauções de contato.

Quais são os principais obstáculos que ainda persistem para efetivos controle de infecção (IC) e gerenciamento de antimicrobianos (ASP)?

O estudo mostrou que as principais dificuldades para a efetividade das ações de IC e de ASP ainda continuam a ser as insuficiências na destinação de recursos financeiros, na quantidade de staff (médicos, farmacêuticos, analistas de dados), bem como da disponibilidade de tecnologia da informação.

Fonte: Chiotos K et cols:  Current infection prevention and antibiotic stewardship program practices: A survey of the Society for Healthcare Epidemiology of America (SHEA) Research Network (SRN). Infection Control & Hospital Epidemiology (2019), 40, 1046–1049

Autor: Alberto Saraiva Tibúrcio, médico infectologista, MBA em Gestão Hospitalar e Controle de Infecção.

Contato: ccihscmr@gmail.com


Ficou interessado? Veja nossos cursos MBA em CCIH e CME.