Robert A. Weinstein, MD,

As infecções podem ser propagadas por várias vias, e a equipe do controle de infecção deve estar atento a todo e qualquer modo de transmissão.

Infecções pela água

Este tema foi revisado por Michael Emmerson, OBE, FRCP do Hospital Universitário de Nottingham, Reino Unido, e por Matthew Arduino, DrPH do Programa de Infecção Hospitalar do CDC. O Dr. Emmerson alertou contra os perigos da água de enxágüe na contaminação dos endoscópios. Ele revisou problemas potenciais relacionados à hidroterapia e aos partos em água. Ele expressou a convicção que, em geral, o controle de processo e engenharia preventiva poderiam tornar a água segura para seu uso em hospitais.

O Dr. Arduino notou que os principais problemas em hospitais para infecções relacionadas à água são o resultado de fracasso em abordar os seguintes tópicos:

  • limpeza e desinfecção das máquinas de gelo;
  • screening para a presença de endotoxinas na água usada em hemodiálise;
  • manutenção e desinfecção das piscinas de hidroterapia;
  • estratégias para manter livres de Legionella as torres de resfriamento, umidificadores, chuveiros e torneiras; e
  • garantia de água estéril para o reprocessamento de artigos estéreis.

Ele observou que a grande maioria dos surtos relacionados à contaminação da água da máquina de gelo se relacionou aos microrganismos carregados pelas mãos da equipe. Isto sugere que hospitais devessem usar máquinas de gelo com dispensadores que evitassem o contato manual. A água de diálise deve seguir o padrão de até 2000cfu/mL para o dialisado, diminuindo assim a probabilidade da presença de endotoxinas. Se ocorrer um caso de Legionella no hospital, procure outros, ele disse. [1,2]

Infecções por via aérea: o “adulto” nuvem

Robert Sherertz, MD, do Wake Forest University, Winston-Salem, Carolina do Norte, discutiu a disseminação por via aérea de Staphylococcus aureus e a “síndrome de adulto nuvem”. [3] Foi reconhecida durante várias décadas, a partir da publicação de um artigo no American Journal of Infectious Diseases em 1960, que a presença de infecção de viral das vias aéreas em bebês pode conduzir a dispersão aumentada de S. aureus. O Dr. Sherertz teve experiência semelhante com trabalhadores de saúde adultos. Ele descreveu estudos naturais e experimentais que demostraram um aumento acentuado na disseminação aérea de S. aureus a partir de trabalhadores de saúde que têm infecções por rinovírus. Ele também observou que as máscaras faciais cirúrgicas diminuem a disseminação aérea em aproximadamente 75%.

Gripe: prevenção é a melhor opção

Frederick G. Hayden, MD da Universidade de Virgínia, Richmond, discutiu a prevenção de gripe em instituições de cuidados agudos. Ele enfatizou a importância de imunização para trabalhadores de saúde,[4] a aplicação de vacina de vírus vivos atenuados por via intranasal,[5] e revisou o uso profiláctico e terapêutico de inibidores de neuraminidase, recentemente aprovados pelo FDA para tratamento, mas também efetivos para a profilaxia. [6] Ele também relatou o emprego de amantadina e rimantadina para o controle de aquisição hospitalar de vírus da gripe A. [7] Embora relativamente baratas, estas drogas têm vários efeitos colaterais gastrointestinais e no sistema nervoso central.

O aumento das infecções fúngicas

John Jernigan, MD da Universidade de Emory, Atlanta, Geórgia, discutiu a prevenção de infecções fúngicas em instituições de cuidados agudos. Ele notou que 90% de infecções por Candida têm origem endógena. Porém, a aquisição de exógena de Candida parapsilosis foi descrita, comumente relacionada às mãos dos trabalhadores de saúde. [8] Possíveis medidas de controle para estas infecções cruzadas por Candida incluem a higiene cuidadosa das mãos, o emprego universal de luvas discutido anteriormente, uso apropriado de antibióticos, e restrições ao uso de unhas artificias. Entretanto, o maior risco relacionado a Candida é a infecção endógena, e o principal mecanismo de proteção é uso de técnicas assépticas no manuseio de dispositivos invasivos.

O Dr. Jernigan também discutiu a aspergilose invasiva, uma infecção transmitida por via aérea adquirida principalmente por pacientes imunocomprometidos hospitalizados, particularmente onde há construção que lança esporos no meio ambiente. Ele enfatizou o perigo potencial de aspergilose para os pacientes imunocomprometidos relacionado a construções e reformas. Nestas áreas, é importante manter pressão negativa, instalar barreiras, prevenir a expansão de esporos, e controlar o tráfico pelas áreas de construção. [9,10] Ele revisou o valor potencial e a correlação de ar que provoca a ocorrência de aspergilose invasiva, [11] observou a correlação da doença com as concentrações aéreas crescentes de esporos de Aspergillus.

A polêmica da reutilização dos artigos de uso único

Michele Pearson, MD do Programa de Infecções Hospitalares do CDC, revisou o reuso de dispositivos médicos de uso único. O assunto primário, ela notou, é qualidade de água. Recomendamos que os interessados leiam o draft publicado em 8 de fevereiro, 2000 pelo FDA (disponível pela internet).

Conclusões: revisão dos temas principais da 4ª Conferência Decenial

Vários temas foram abordados como um leitmotif ao longo da 4ª Conferência de Decenial:

  • Resistência aos Antimicrobianos foi um assunto principal em cada uma das 4 conferências deceniais.
  • Uma medida de controle que foi enfatizada particularmente este ano foi o uso de gel a base de álcool para a anti-sepsia das mãos da equipe, aprimorando uma importante medida de controle pela qual luta-se, com resultados desencorajadores, há mais de 150 anos, para ser incorporada pelos profissionais de saúde.
  • Havia muito entusiasmo pelo uso crescente de tecnologia em epidemiologia hospitalar, particularmente a informática, internet e programas que através de consultas, auxiliem os profissionais de saúde a fazerem a coisa certa já da primeira vez e até às comissões internas de controle de infecção, selecionando pistas para o diagnóstico dos casos e procedimentos a serem avaliados. As perspectivas são muitas, a começar pelo uso racional de antimicrobianos.
  • Foi considerado que a vigilância e o feedback dos dados obtidos para a equipe de saúde é fundamental para melhorar a sua aderência a uma variedade de medidas de controle de infecção hospitalar.
  • Finalmente, houve muita discussão em torno do relatório sobre erros médicos do Institute of Medicine, intitulado “errar é humano”. Uma vez mais, a ênfase esteve na necessidade de vigilância e retroalimentação dos dados para a equipe, ajudando a disseminação de medidas profiláticas.

Referências bibliográficas

  1. Yu VL. Resolving the controversy on environmental cultures for Legionella: a modest proposal. Infect Control Hosp Epidemiol. 1998;19:893-897.
  2. Goetz AM, Stout JE, Jacobs SL, et al. Nosocomial Legionnaires’ disease discovered in community hospitals following cultures of the water system: seek and ye shall find. Am J Infect Control. 1998;26:8-11.
  3. Sheretz RJ, Reagan DR, Hampton KD, et al. A cloud adult: the Staphylococcus aureus-virus interaction revisited. Ann Intern Med. 1996;124:539-547.
  4. Wilde JA, McMillan JA, Serwint J, et al. Effectiveness of influenza vaccine in health care professionals: a randomized trial. JAMA. 1999;281:908-913.
  5. Nichol KL, Mendelman PM, Mallon KP, et al. Effectiveness of live, attenuated intranasal influenza virus vaccine in healthy, working adults: a randomized controlled trial. JAMA. 1999;282:137-144.
  6. Hayden FG, Atmar RL, Schilling M, et al. Use of the selective oral neuraminidase inhibitor oseltamivir to prevent influenza. N Engl J Med. 1999;341:1336-1343.
  7. O’Donoghue JM, Ray CG, Terry DW Jr, Beaty HN. Prevention of nosocomial influenza infection with amantadine. Am J Epidemiol. 1973;97:276-282.
  8. Pfaller MA, Messer SA, Houston A, et al. National epidemiology of mycoses survey: a multicenter study of strain variation and antifungal susceptibility among isolates of Candida species. Diagn Microbiol Infect Dis. 1998;31:289-296.
  9. Cornet M, Levy V, Fleury L, et al. Efficacy of prevention by high-efficiency particulate air filtration or laminar airflow against Aspergillus airborne contamination during hospital renovation. Infect Control Hosp Epidemiol. 1999;20:508-513.
  10. Wald A, Leisenring W, van Burik JA, Bowden RA. Epidemiology of Aspergillus infections in a large cohort of patients undergoing bone marrow transplantation. J Infect Dis. 1997;175:1459-1466.
  11. Arnow PM, Sadigh M, Costas C, et al. Endemic and epidemic aspergillosis associated with in-hospital replication of Aspergillus organisms. J Infect Dis. 1991;164:998-1002.

 



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