O objetivo deste estudo foi descrever os sentimentos e conhecimentos dos pacientes após uma hospitalização devido a infecção por microrganismos multirresistentes e seu impacto sobre a assistência à saúde.

Deise Zanardi

Qual foi o objetivo deste estudo?

Na França, estima-se cerca de 158.000 infecções por microrganismos multirresistentes, com uma mortalidade de 12.000 casos por ano. Para evitar a disseminação desses organismos, os pacientes são colocados em isolamento. A prevalência de bactérias extensivamente resistentes aos medicamentos, incluindo Enterobacteriaceae resistentes a carbapenêmicos e enterococos resistentes à vancomicina, aumentou 10 vezes desde 2000, e é responsável por numerosos surtos em hospitais.

Estudos têm mostrado os efeitos psicológicos das medidas de isolamento para pacientes portadores de um organismo multirresistente. Esses efeitos incluem ansiedade, depressão e outros transtornos de comportamento, como medo de estigmatização, outros eventos adversos evitáveis e menos contato com enfermeiras. E ainda, a assistência dos profissionais de saúde com atividades diárias e interações com outros indivíduos é significativamente menor para pacientes em isolamento.

O objetivo deste estudo foi descrever os sentimentos e conhecimentos dos pacientes após uma hospitalização devida a infecção por microrganismos multirresistentes, a fim de entender as emoções dos pacientes para ajudar a fornecer respostas melhores para algumas perguntas que ainda não respondidas a respeito de pacientes colonizados.

Como o estudo foi desenvolvido?

Uma abordagem qualitativa foi aplicada. Por um período de 11 meses, foram realizadas entrevistas com todos os pacientes admitidos infectados por um organismo multirresistente, tratados com antibióticos e colocados em precauções, com duração mínima da internação de 3 dias, para avaliar seu impacto psicológico. Os participantes consistiram em 3 mulheres e 8 homens, com idade mediana de 58 anos e mediana da duração da internação de 10 dias.

O que a análise revelou?

As análises mostraram que quatro temas principais foram expressos: o desejo de não ser transmissor do germe multirresistente, auto questionamento sobre a origem da infecção, a redução do arsenal terapêutico e a expressão de muitos medos, especialmente contágio e a reincidência da infecção.

Qual o conhecimento do paciente sobre multirresistência?

Para vários participantes, o tipo de bactéria que o colonizou era conhecido, eles sabiam o nome do germe e as características da infecção, já tinham ouvido falar desse tipo de infecção através da mídia e da Internet. Os pesquisados também estavam convencidos de que a característica da infecção estava fortemente ligada ao hospital.

Que sentimentos são expressados pelos pacientes?

Os pacientes entrevistados expressaram medo contra as bactérias multirresistentes e o risco de reinfecção, a maioria dos pacientes quer “estar livre” de ser o veículo de transmissão.

Alguns, manifestaram ansiedade devido à falta de informações sobre a origem da infecção, necessitando descobrir de onde as bactérias vieram e entender a fonte de contaminação. Além disso, consideram que sua infecção só pode ser obtida em unidades de saúde.

Vários desses pacientes, tiveram infecções recorrentes com internações previas no departamento de doenças infecciosas. Seus medos são principalmente devido à falta de informação sobre as diferenças entre colonização e o risco de contágio por causa da infecção recente.

O que mudou na prática da equipe com pacientes em isolamento?

A partir do estudo, deu-se início a entrega sistemática de material informativo sobre as precauções usuais para limitar a transmissão de tais microrganismos e seus riscos para as pessoas que mantem contato próximo ao paciente.

Que medidas são sugeridas para aliviar a ansiedade do paciente com as infecções por germe multirresistente?

Uma possibilidade seria reforçar o vínculo entre os especialistas do hospital e os médicos que irão acompanhar o paciente após a alta hospitalar, para garantir que o paciente entenda o desafio da prevenção dessas infecções e, quando apropriado, responder a suas perguntas ou medos, pois existe uma lacuna entre as crenças do paciente e o conhecimento real que ele tem sobre o assunto.

Quais implicações praticas foram propostas a partir do estudo?

As implicações na prática sugerem apoio psicológico aos pacientes, se necessário, e insistir no fato de que tais precauções não são necessárias após a alta hospitalar.

Acredita-se que a equipe médica precisa se comunicar melhor sobre esses temas durante a hospitalização. Além disso, os médicos precisam se conscientizar da necessidade de responder às dúvidas dos pacientes mesmo após alta e usar medidas de segurança para ele e seus contatos.

Fonte: Hereng O et cols. Evaluation in general practice of the patient’s feelings about a recent hospitalization and isolation for a multidrug-resistant infection. American Journal of Infection Control 47 (2019) 1077−1082.

 

Sinopse por: Deise Zanardi

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