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A utilização de máscaras cirúrgicas de amarrar pode estar relacionada a um problema que enfraquece o seu efeito protetor. Os autores tiveram como objetivo o desenvolvimento de dois métodos para melhor utilização da máscara de amarrar com base na observação e entrevista de equipes de sala operatória em 10 hospitais na China.

Qual a justificativa do estudo?

A utilização de máscaras cirúrgicas é reconhecida há anos como um dos mais importantes fatores de prevenção de infecção na sala operatória. Contudo, a utilização de máscaras cirúrgicas de amarrar pode estar relacionada a um problema que enfraquece o seu efeito protetor. Isto ocorre pois com o método de amarra convencional (duas cordas superiores atadas ao redor da cabeça e as duas inferiores ao redor do pescoço), quando o usuário abaixa a cabeça as amarras inferiores perdem sua tração; resultando em um ajuste frouxo no rosto e permitindo passagem de ar – já que os cordoes são inelásticos e o movimento encurta a distância entre a mandíbula e o pescoço.

Qual o objetivo do estudo?

Os autores tiveram como objetivo o desenvolvimento de dois métodos para melhor utilização da máscara de amarrar com base na observação e entrevista de equipes de sala operatória em 10 hospitais na China. Eles também exploraram a capacidade de realização da manobra, satisfação das equipes e os efeitos no isolamento de bactérias.

Qual metodologia foi utilizada?

O uso de máscaras cirúrgicas pela equipe foi investigado por meio de observação e entrevista em salas de operação. O tempo necessário para vestir, as taxas de ajuste adequado e a satisfação com o método convencional e os dois novos métodos recomendados foram analisados e comparados, de acordo com a experiencia dos sujeitos. Além disso, as diferenças entre os três métodos de uso na contaminação microbiana da área estéril foram exploradas em uma operação simulada.

Foram observados e entrevistados 238 funcionários – incluindo cirurgiões, enfermeiros e anestesiologistas – em salas operatórias de 10 hospitais na China. O método observado foi o de amarre tradicional das máscaras.

O método de três nos consistiu em vestir a máscara de maneira convencional, puxando o nó inferior para cima e amarrando-o com os fios superiores, de modo que o no inferior possa ser movido ate o osso occipital – método parte do fato de que a distância entre a mandíbula e o occipital não é alterada pelo movimento da cabeça.

O método da faixa elástica consistiu em utilizar uma faixa elástica (como uma faixa de cabelo) para ligar os fios inferiores da máscara. Este método garantiu a tração das duas cordas inferiores na máscara mesmo com a cabeça abaixada.

Para ser considerado um ajuste estreito, os seguintes critérios precisam ser atendidos simultaneamente: não há espaço entre a máscara e o rosto ou existe um espaço de menos de 1mm de largura e menos de 3 cm de comprimento; também, os voluntários inalaram glicerina comestível atomizada antes de colocar a máscara e em seguida exalaram para simular a emissão de aerossol, se não houvesse fumaça visível escapando entre a mascara e a face o ajuste foi considerado como próximo.

Com base no conforto e conveniência, a satisfação foi medida individualmente por meio da escala de avaliação numérica de 0 a 10 (respectivamente, não satisfeito e muito satisfeito). Pontuação de 6 ou mais foi considerada satisfatória.

Foi realizada ainda uma operação simulada com duração de 2 horas em que a única variável modificada foi o método de amarra da máscara cirúrgica e coletadas placas Petri para cultura. Cada grupo realizou 10 operações simuladas e um total de 50 placas foram coletadas.

Quais os principais resultados?

Entre os 230 funcionários, 216 (90.8%) havia máscaras que não se ajustavam bem ao rosto; os outros 22 funcionários (9.2%) apertaram deliberadamente as amarras mesmo concordando que a resistência incomodaria o pescoço ao levantar a cabeça.

Entre os 216 sem ajuste apropriado, 78 (32.8%) disseram não ter conhecimento da falha, 138 (58%) declararam ter conhecimento da falha, mas não sabiam como corrigi-la; surpreendentemente, 106 (44.5%) disseram que para evitar o desconforto causado pelas cordas inferiores afrouxaram deliberadamente as máscaras.

As taxas de ajuste-próximo dos diferentes métodos foram 47%, 92% e 100% nos grupos convencional, três nos e banda elástica, respectivamente; os escores de satisfação avaliados por escala numérica de 0 a 10 foram 5.06, 6.89 e 7.10 respectivamente. As taxas de satisfação geral com os métodos foram 35%, 83% e 90%.

Na operação simulada, houve diferenças significativas entre os grupos convencional e três nos (37.5 vs 18 UFC), bem como entre os grupos convencional e banda elástica (37.5 vs 17 UFC).

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os novos métodos de uso recomendados tiveram como vantagens um ajuste mais estreito, maiores índices de satisfação, eram mais confortáveis e resultavam em menor contaminação de área estéril; no entanto, os dois métodos novos exigiram mais tempo.

Quais as limitações do estudo?

Os autores ressaltam algumas limitações do estudo. Primeiramente, o estudo comparou diferenças apenas no isolamento bacteriano e não investigou a possível influência sobre os vírus. Além disso, não foram estudadas possíveis mudanças na proteção do utilizador. Por fim, foi realizada apenas cirurgia simulada.

Que críticas e observações finais?

Estudo interessante que parte de uma observação muito interessante. A normalização de comportamentos inapropriados, como o de utilizar a máscara cirúrgica com ajuste inadequado, é uma das barreiras para o controle e prevenção de infecção apropriados. Intervenções simples e pouco custosas, como a implementação de novos métodos para amarrar a máscara, podem ser extremamente eficazes se aplicadas da maneira correta. É fundamental, porém considerar que ao mesmo tempo que eficaz a mudança de hábitos depende de diversos fatores, como a compreensão da importância da implementação da mudança, os exemplos dentro da estrutura hierárquica e a verificação da eficácia da intervenção.

Fonte: Wang X, Lin F, Wang Z, Hu J, Li X, Zhu B, Zhang J. The defects of lace-up surgical masks and related solutions in operating rooms. J Hosp Infect. 2021 Sep;115:64-70

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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