Desde a sua descoberta, os antibióticos transformaram totalmente a abordagem da humanidade para as doenças infecciosas. Hoje, o seu emprego aliado às melhorias em serviços de saúde pública, moradia e nutrição, ao lado do advento de programas de vacinação em massa, conduziu a uma baixa dramática na ocorrência de doenças infecciosas comuns, que antigamente eram altamente letais, tais como a peste, tosse cumprida, pólio e escarlatina. Estas doenças já foram ou estão a beira de ser controladas.

Porém, no início de um novo milênio a humanidade enfrenta uma outra crise. Doenças há bem pouco curáveis como gonorréia e febre tifóide estão ficando difíceis tratar, enquanto velhos inimigos como tuberculose e malária ressurgem pela armadura crescentemente impenetrável da resistência de antimicrobiana. Este fenômeno pode ser potencialmente contido. Ele foi acelerado pelo abuso de antibióticos, principalmente nas nações desenvolvidas e paradoxalmente devido a subutilização de antimicrobianos de qualidade nos países em desenvolvimento, principalmente em decorrência da pobreza aliada a uma carência de medidas efetivas de saúde coletiva.

O relatório de doenças infecciosas de 1999, “Removing Obstacles to Healthy Development,” demonstrou que as doenças transmissíveis permanecem como uma causa significante de morte, principalmente entre as populações carentes. O relatório de 2000 enfoca o tema da resistência às drogas e como este problema está minando a possibilidade de se tratar muitas doenças infecciosas. Desenvolvendo uma estratégia global para conter a resistência e construindo alianças que envolvem todos os provedores de saúde – países, governos, organizações internacionais, organizações não-governamentais e ambos os setores de cuidado de saúde (privados e públicos) – nós temos a oportunidade de lançar um esforço vultuoso contra doenças infecciosas que se perpetuam pela pobreza. Pela disponibilidade de antimicrobianos de qualidade para serem utilizados criteriosamente, até pelas populações mais carentes do mundo, estaremos prevenindo uma catástrofe que se anuncia para logo mais. Este é nosso desafio e deve ser nossa meta.

Dra. Gro Harlem Brundtland
Diretora-geral, OMS


Ficou interessado? Veja nossos cursos MBA em CCIH e CME.