1 – INTRODUÇÃO: temas antigos, opções novas

Robert UM. Weinstein, MD

Há cada 10 anos, desde 1970, o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) é o anfitrião de uma conferência internacional em infecções hospitalares. De 5 a 9 de março de 2000, a Quarta Conferência Internacional Decenial em Infecções Hospitalares aconteceu em Atlanta, Geórgia, juntamente com a 10ª reunião anual da Society for Healthcare Epidemiology of American (SHEA); promovida também pela Associação de Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia (APIC) e a Fundação Nacional para Doenças Infecciosas (NFID). A conferência contou com aproximadamente 2.300 participantes e mais de 770 trabalhos apresentados. Verdadeiramente foi uma conferência internacional, com quase a metade de todos os trabalhos de fora dos Estados Unidos. Estes resumos podem ser acessados online no site, juntamente com outras informações sobre a reunião.

Três décadas de temas

As boas vindas na sessão de abertura foram dadas por Julie Louise Gerberding, MD, MPH, Diretora do Programa de Controle de Infecções Hospitalares. Ela recordou o enfoque principal das 3 conferências anteriores, fornecendo uma perspectiva histórica. A primeira conferência, em 1970, enfocou assuntos relacionados a vigilância, as infecções hospitalares endêmicas e epidêmicas e o problema da emergência de resistência de microbiana. A segunda conferência, em 1980, destacou a suscetibilidade do hospedeiro à sua flora endógena, as infecções exógenas provocadas por dispositivos médicos, a estratificação do risco e, novamente, o problema crescente de resistência antibiótica. A terceira conferência, em 1990, enfatizou as novas populações de pacientes vulneráveis, a ocorrência crescente de infecções em pacientes crônicos, os riscos em saúde profissional relacionados às epidemias HIV/AIDS e tuberculose pulmonar remergente, e uma vez mais, resistência antibiótica.

Reunião nova, a mesma tônica

William J. Martone, MD, Diretor da Fundação Nacional para Doenças Infecciosas avaliou o programa para a conferência atual. Ele notou que os temas desta reunião incluíram problemas antigos que permanecem não resolvidos:

  • a extensão crescente de vigilância de infecção hospitalar para as instituições que atendem pacientes crônicos;
  • o reconhecimento crescente da necessidade para aplicar técnicas de epidemiologia para avaliar problemas não infecciosos;
  • a tensão crescente entre recursos limitados e nossa necessidade para fazer o que é certo; e
  • resistência antimicrobiana.

Tecnologia de informação: “eu tenho esses números aqui mesmo…”

Duas mudanças tiveram um grande impacto na epidemiologia em saúde nos últimos 10 anos: a invasão da comunicação eletrônica pela internet e o aparecimento do enterococo resistente à vancomicina em hospitais e do pneumococo resistente a penicilina na comunidade. Um tema abordado ao longo da 4ª Conferência foi a correlação crescente da tecnologia de informação e o controle de infecção. A Dra. Gerberding notou o crescimento desta interação. Cada vez mais dados e informações estarão às nossas mãos, colocando-nos na “extremidade de caos”, definida como um espaço estreito entre estabilidade e desordem. Um crescimento inovador acontecerá durante a próxima década neste espaço estreito, no qual o uso da internet ampliará grandemente nossas habilidades para a análise das infecções hospitalares e mesmo da qualidade das ações de saúde. Neste contexto, ela prevê uma ampliação do enfoque do Programa de Controle de Infecções Hospitalares para promoção da qualidade do atendimento.

Novos horizontes para os mesmos problemas

William R. Jarvis, MD, do Programa de Controle de Infecções Hospitalares do CDC, observou que nos anos noventa o hospital era o centro de preocupações dos estudos de controle de infecções. Porém, hoje em dia o homecare, atendimento ambulatorial e instituições para pacientes crônicos tomam cada vez mais tempo dos profissionais de controle de infecção. Ele mostrou que durante os últimos 10 anos, diminuiu o número de hospitais para pacientes agudos e os existentes reduziram o número de leitos. Por conseguinte, o número relativo de leitos em unidades de cuidados intensivos em hospitais aumentou, elevando a gravidade dos pacientes hospitalizados, reduzindo sua permanência.

Comparação entre 1975 e 1995 dos dados de hospitais para pacientes agudos

1975 1995 % variação
Admissões 37,7 milhões 35,9 milhões – 5%
Diárias hospitalares 299 milhões 190 milhões – 36%
Permanência média 7,9 dias 5,3 dias – 33%
Procedimentos cirúrgicos 18,3 milhões 13 milhões – 27%
Total de infecções hospitalares 2,1 milhões 1,8 milhões – 16%
Densidade de incidência das infecções hospitalares (por mil) 7,2 9,8 + 36%
Mortalidade hospitalar 80.000 88.000 + 1%

Perspectivas para as infecções hospitalares

Finalmente, analisando a conferência em uma perspectiva global, James M. Hughes, MD, Diretor do CDC revisou o papel das infecções hospitalares no contexto das doenças infecciosas emergentes. Para obter informações adicionais sobre o as metas de CDC, você pode ler o plano Preventing Emerging Infectious Diseases: A Strategy for the 21st Century


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