A evolução da pandemia reforça a necessidade de informações concisas, baseadas em evidências e sua difusão por diversas plataformas. Apresentamos, neste boletim, como estão as vacinas no Brasil, casos de reinfecção, surgimento e disseminação de uma variante do Sats-CoV-2, além de temas ligados às demais doenças infecciosas e ao controle de infecção, incluindo interessante estudo questionando a eficácia das precações padrão para conter disseminação de ESBL. Boa leitura.

Programação da TV CCIH de 3 a 6 de novembro

Assista pelo nosso canal no YouTube, sempre a partir das 20 horas a nossa programação desta semana.

Surgimento e propagação de uma variante do SARS-CoV-2 na Europa no verão de 2020

Uma variante do SARS-CoV-2 surgiu no início do verão de 2020, presumivelmente na Espanha, e desde então se espalhou para vários países europeus. A variante foi observada pela primeira vez na Espanha em junho e tem frequências acima de 40% desde julho. Fora da Espanha, a frequência desta variante aumentou de valores muito baixos antes de 15 de julho para 40-70% na Suíça, Irlanda e Reino Unido em setembro. É também prevalente na Noruega, Letônia, Holanda e França. Pouco pode ser dito sobre outros países europeus porque poucas sequências recentes estão disponíveis. Sequências neste cluster (20A.EU1) difere de sequências ancestrais em 6 ou mais posições, incluindo a mutação A222V na proteína spike e A220V na nucleoproteína. Nós mostramos que esta variante foi exportada da Espanha para outros países europeus várias vezes e que grande parte da diversidade deste cluster na Espanha é observada em toda a Europa. Ainda não está claro se esta variante está se espalhando por causa de uma vantagem de transmissão do vírus ou se a alta incidência na Espanha seguida de disseminação por meio de turistas é suficiente para explicar o rápido aumento em vários países.

Fonte: https://www.ccih.med.br/emergence-and-spread-of-a-sars-cov-2-variant-through-europe-in-the-summer-of-2020/

Critérios de investigação para casos suspeitos de reinfecção por SARS-CoV-2

O CDC está ciente de relatos recentes de casos suspeitos de reinfecção por SARS-CoV-2 entre pessoas que foram previamente diagnosticadas com COVID-19. Atualmente, não há uma definição amplamente aceita do que constitui a reinfecção do SARS-CoV-2 e os relatórios usam métodos de teste diferentes, dificultando o diagnóstico de reinfecção. Para desenvolver um entendimento comum do que constitui a reinfecção do SARS-CoV-2, o CDC propõe o uso de ambos:

1) critérios de investigação para identificar casos com maior suspeita de reinfecção e

2) teste genômico de espécimes.

O CDC examinou os períodos apropriados após a infecção ou doença inicial por SARS-CoV-2 para investigar a reinfecção. Desde agosto de 2020, o CDC contraindica retestar pessoas com infecção assintomática dentro de 90 dias da primeira infecção ou doença por SARS-CoV-2 porque as evidências até o momento sugerem que a reinfecção não ocorre dentro desta janela de tempo.

Neste momento, propomos duas janelas de tempo para investigação, conforme listado abaixo:

Para pessoas com ou sem sintomas semelhantes aos do COVID-19 ≥90 dias após a infecção / doença inicial; e

Para pessoas com sintomas semelhantes aos do COVID-19, 45–89 dias após a infecção / doença inicial.

Para pessoas com detecção de RNA de SARS-CoV-2 em uma amostra respiratória ≥90 dias após sua primeira infecção / doença por SARS-CoV-2 confirmada em laboratório, aplicamos um conjunto padrão de critérios detalhados abaixo. No entanto, propomos critérios mais rígidos para selecionar casos neste período anterior, usando um índice mais alto de suspeita de reinfecção. Se forem identificadas evidências de reinfecção durante esta janela de tempo, isso informará ainda mais os esforços de prevenção futuros e o desenvolvimento de diretrizes.

O CDC observa que a reinfecção do SARS-CoV-2 é uma área de pesquisa em rápida evolução. Este conjunto inicial de critérios propostos pode não capturar todas as instâncias de reinfecção; oferecemos esses critérios investigativos iniciais em um esforço para compreender melhor o potencial de reinfecção. Este conjunto inicial de critérios propostos será refinado se novas evidências sugerirem outras vias de investigação, com o objetivo de criar uma definição de caso padronizada de reinfecção de SARS-CoV-2:

Investigar casos que atendem ao critério A ou B

  1. Para pessoas com detecção de RNA* de SARS-CoV-2 ≥90 dias desde a primeira infecção por SARS-CoV-2

E

Amostras respiratórias pareadas (uma de cada episódio de infecção) estão disponíveis

* Se detectado por RT-PCR, inclua apenas se o valor Ct for <33 ou se o valor Ct não estiver disponível.

  1. Para pessoas com sintomas semelhantes aos do COVID-19 e detecção de RNA SARS-CoV-2 45-89 dias desde a primeira infecção por SARS-CoV-2

E

Com um segundo episódio sintomático e nenhuma etiologia alternativa óbvia para sintomas semelhantes ao COVID-19 OU contato próximo com uma pessoa conhecida por ter COVID-19 confirmado em laboratório

E

Amostras respiratórias pareadas (uma de cada episódio de infecção) estão disponíveis * Se detectado por RT-PCR, inclua apenas se o valor Ct <33 ou se o valor Ct não estiver disponível.

Em situações de capacidade limitada de teste genômico, o CDC sugere priorizar a investigação de pessoas na janela de tempo ≥90 dias porque o intervalo de tempo mais longo entre a primeira e a segunda infecção pode ter maior suspeita de reinfecção.

Confira a matéria na íntegra em:

https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/php/invest-criteria.html

Ministério da Saúde libera orientações para manejo de casos suspeitos de reinfecção por Covid-19

Através da Nota Técnica 52/2020, liberada recentemente, o MS orienta quanto à identificação de casos suspeitos de reinfecção pelo vírus SARS-CoV-2 no Brasil, para proporcionar monitoramento epidemiológico e laboratorial adequados, assim como define fluxos de notificação.

Um ponto sensível diz respeito à imunidade adquirida e sua persistência, pois recentes estudos publicados admitem a possibilidade de reinfecção pelo vírus SARS-CoV-2 em um curto período. Também já há relatos de casos suspeitos de reinfecção por parte das vigilâncias de alguns Estados no Brasil, que descrevem intervalos de tempo bastante variáveis entre as duas possíveis infecções. A reinfecção por cepas homólogas também é uma possibilidade, mas no atual cenário, e em virtude do conhecimento de que o SARS-CoV-2 pode provocar eventualmente infecções por períodos prolongados de alguns meses, faz-se necessário determinar critérios de confirmação, como sequenciamento genômico, para comprovação de que se tratam de infecções em episódios diversos, por cepas virais diferentes.

Definição de caso suspeito de reinfecção pelo vírus SARS-CoV-2: Indivíduo com dois resultados positivos de RT-PCR em tempo real para o vírus SARS-CoV-2, com intervalo igual ou superior a 90 dias entre os dois episódios de infecção respiratória, independente da condição clínica observada nos dois episódios.

Fonte: https://www.ccih.med.br/nota-tecnica-no-522020-cgpnideidtsvsms/

OMS: Considerações na investigação de casos e clusters de COVID-19

A OMS disponibilizou orientações considerações na investigação de casos e grupos de COVID-19. Esta versão foi atualizada para incorporar informações adicionais sobre a implementação do rastreamento de contato, incluindo exemplos de fluxos de rastreamento de contatos em comunidades e ambientes de saúde. Também inclui critérios atualizados para liberação do isolamento. A atualização é baseada em evidências recentes sobre o controle da propagação do SARS-CoV-2, o vírus que causa COVID-19 e conhecimento científico sobre o vírus.

Fonte: https://www.who.int/publications/i/item/considerations-in-the-investigation-of-cases-and-clusters-of-covid-19

Webinar da Anvisa aborda seleção de termos do MedDRA

Na próxima quinta-feira (5/11), a partir das 15h, a Anvisa irá promover um seminário virtual que irá tratar sobre a seleção dos termos do Dicionário Médico para Atividades Regulatórias (Medical Dictionary for Regulatory Activities – MedDRA) no sistema de notificação de eventos adversos em farmacovigilância.

Na ocasião, os interessados poderão esclarecer suas dúvidas sobre o tema. É importante esclarecer que desde setembro o sistema eletrônico da Agência para a notificação de eventos adversos a medicamentos (VigiMed) passou a disponibilizar a versão do MedDRA em português do Brasil.

Fonte: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/webinar-da-anvisa-aborda-selecao-de-termos-do-meddra 

Qualidade em serviços de saúde: referencial teórico

Já está disponível para consulta o referencial teórico de gestão da qualidade para ações de vigilância sanitária em serviços de saúde e de interesse à saúde. O material foi estruturado de forma didática e pode ser utilizado para eventual capacitação dos profissionais do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).

Elaborado por meio de consultoria via Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o referencial teórico cria a base para uma visão integrada do papel da vigilância sanitária na regulação da qualidade e da segurança do sistema de saúde. Vale ressaltar que diferentemente, por exemplo, da regulação de produtos para saúde, o setor de serviços tem peculiaridades que devem ser observadas e tratadas tendo em vista suas particularidades e contexto. A ideia, portanto, é aprimorar a qualidade para que esses serviços se expandam bem estruturados.

O material está dividido da seguinte forma: o primeiro capítulo reúne conceitos básicos para que os serviços de vigilância sanitária atuem na gestão da qualidade das ações e na indução da melhoria da qualidade e redução dos riscos no setor regulado. O segundo capítulo define os sistemas de gestão da qualidade e os aspectos do sistema de saúde que influenciam na qualidade das ações de vigilância sanitária e dos serviços regulados. Já o terceiro capítulo apresenta uma revisão do que se entende por sistemas de gestão da qualidade nos serviços de saúde e seus principais fatores.

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/qualidade-em-servicos-de-saude-referencial-teorico

Entenda a autorização para importação da vacina Coronavac

Anvisa atendeu, nesta sexta-feira (23/10), parte da solicitação feita pelo Instituto Butantan sobre a vacina Coronavac. Foi autorizada a importação da vacina adsorvida Covid-19 (inativa), fabricada pela Sinovac Life Sciences Co., Ltd.

São 6 milhões de doses que deverão ficar reservadas, já que o produto ainda não tem registro no país e não pode ser utilizado pela população.

A autorização definiu algumas condições, descritas no voto. A Agência esclarece mais uma vez que essa é uma vacina em desenvolvimento clínico, ainda não autorizada para uso pela população brasileira. A liberação realizada na sexta-feira (23/10) permite apenas a internalização da vacina no Brasil, ou seja, a importação para que o produto fique sob guarda da empresa responsável pelo registro no Brasil. A vacina só poderá ser utilizada após a concessão do registro pela Anvisa e isso só acontecerá quando a empresa conseguir comprovar a eficácia, a segurança, a qualidade e as condições de boas práticas de fabricação.

Quanto à importação da vacina na forma de um produto intermediário, isto é, produto não envasado, o processo segue em tratamento e aguarda informações que deverão ser enviadas pela empresa.

Caso o Instituto Butantan consiga solucionar as pendências apontadas no processo de análise excepcional e as questões técnicas referentes às boas práticas de fabricação, a Anvisa avaliará o processo e chegará a uma decisão com a maior agilidade possível. É importante ressaltar que todo o processo está sendo acompanhado tanto pela Agência quanto pelo Instituto Butantan.

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/entenda-a-autorizacao-para-importacao-da-vacina-coronavac

Nota da Anvisa: situação da vacina Sputnik V

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária não recebeu, até o momento, nenhum pedido de registro referente à vacina Sputnik V.  Também não há nenhum pedido formal que trate da autorização de pesquisa clínica no Brasil para a vacina em questão.

A Anvisa recebeu nesta quinta-feira (29/10) um e-mail do laboratório União Química comunicando sobre a apresentação apenas de documentos prévios. Os documentos foram enviados com um pedido para que a Anvisa faça uma análise prévia, antes da apresentação formal do pedido de pesquisa.

Em seu comunicado, o laboratório esclarece que os detalhes para a pesquisa clínica de fase 3 da Sputnik V ainda serão apresentados em data que depende do laboratório. As informações enviadas não são um pedido formal de autorização para a pesquisa e não são suficientes para a autorização da Anvisa.

Na prática, a pesquisa não está autorizada e esse pedido ainda não foi feito pelo laboratório.

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/nota-anvisa-vacina-sputinik-v-1

OPAS: campeões contra a malária recebem prêmios por trabalho nas Américas

Seis municípios receberam o prêmio “Campeões contra a Malária nas Américas” em 2020 por seu trabalho na aplicação de intervenções eficazes e seguras contra a malária durante a pandemia de COVID-19 em quatro países.

Os prêmios foram entregues em um evento para celebrar o Dia da Malária nas Américas nesta quarta-feira (28), organizado pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundação das Nações Unidas e outros parceiros. Vídeos ilustram cada um dos projetos foram exibidos no fórum, intitulado “Zero malária começa comigo: Lutar contra a COVID-19. Proteger os profissionais de saúde. Acabar com a malária”.

Entre os projetos vencedores, dois são do Brasil: municípios de Atalaia do Norte (Amazonas) e Oeiras do Pará (Pará). Também foram premiados municípios na Colômbia (Quibdó), Haiti (Les Anglais e Les Irois) e Honduras (Puerto Lempira).

“Estamos em tempos sem precedentes, mas nosso apoio e compromisso com os esforços globais para a eliminação da malária são mais fortes do que nunca”, afirmou Jarbas Barbosa, diretor adjunto da OPAS. “É necessária uma ação urgente para colocar a resposta global à malária de volta aos trilhos – e a responsabilidade pelo desafio está nas mãos dos países mais afetados pela doença”, acrescentou.

A malária é uma doença potencialmente fatal causada por parasitas transmitidos às pessoas através da picada de mosquitos infectados. Aproximadamente metade da população mundial corre o risco de contrair malária, especialmente aquelas pessoas que vivem em países de baixa renda. Nas Américas, 132 milhões de pessoas vivem em áreas de risco para malária.

O tema do Dia da Malária nas Américas 2020 é “Zero malária começa comigo” e destaca a importância dos esforços contínuos contra a malária ao mesmo tempo em que se protege profissionais de saúde durante a pandemia de COVID-19.

Fonte: https://www.paho.org/pt/noticias/28-10-2020-campeoes-contra-malaria-recebem-premios-por-trabalho-nas-americas

CDC: COVID-19 – Métodos de teste de vigilância de águas residuais

Vários métodos de teste e fluxos de trabalho de laboratório são usados para quantificar o SARS-CoV-2 em águas residuais nos Estados Unidos. Os controles de laboratório podem garantir que os resultados sejam comparáveis considerando o desempenho do método e a qualidade dos dados. Com base nos níveis de SARS-CoV-2 em águas residuais, os métodos podem ser adaptados para limites de detecção maiores ou menores, conforme necessário. Por exemplo, se os níveis de RNA SARS-CoV-2 forem suficientemente altos nas águas residuais, pequenos volumes de águas residuais (por exemplo, 1 ml) podem ser testados sem processos de concentração adicionais. Os métodos de teste incluem etapas de processamento de amostra, uso de controles de laboratório e implementação de medidas de biossegurança para garantir que os dados possam ser interpretados para uso em saúde pública.

Confira a matéria na íntegra em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/cases-updates/wastewater-surveillance/testing-methods.html

Incidência de pacientes positivos para microrganismos produtores de ESBL associados à cuidados de saúde antes e após a descontinuação das precauções de contato

O artigo apresenta como questionamento a real necessidade do isolamento de contato para pacientes colonizados por microrganismos produtores de betalactamase de espectro estendido (ESBL), uma vez que estes organismos têm sido encontrados na comunidade.

Fonte: https://www.ccih.med.br/incidencia-de-pacientes-positivos-para-microrganismos-produtores-de-esbl-associados-a-cuidados-de-saude-antes-e-apos-a-descontinuacao-das-precaucoes-de-contato/

Correlação de culturas positivas do segmento duodenal do doador no intraoperatório com a subsequente ocorrência de infecções do sítio cirúrgico em receptores de transplante de rim e pâncreas

Avaliar se culturas positivas de swab intraoperatório de segmento duodenal do doador predizem a ocorrência de ISC no receptor do transplante.

Fonte: https://www.ccih.med.br/correlacao-de-culturas-positivas-do-segmento-duodenal-do-doador-no-intraoperatorio-com-a-subsequente-ocorrencia-de-infeccoes-do-sitio-cirurgico-em-receptores-de-transplante-de-rim-e-pancreas/

Análise de custo-efetividade de três métodos de vigilância de infecção do sítio cirúrgico: menos é mais

Comparar a custo-efetividade de 3 métodos de vigilância: hospitalar, ambulatorial e telefônica.   Examinar a confiabilidade dos dados coletados por meio de vigilância telefônica.

Fonte: https://www.ccih.med.br/analise-de-custo-efetividade-de-tres-metodos-de-vigilancia-de-infeccao-do-sitio-cirurgico-menos-e-mais/

Elaborado por Laura Czekster Anthochevis

Contatos: laura_czeats@hotmail.com  ou http://linkedin.com/in/laura-czekster-antochevis-457603104


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