O National Audit Office (NAO) da Inglaterra tem estudado a carga de trabalho da equipe de controle de infecção, tendo observado uma ampla variação na relação enfermeiro/leito. Haley recomenda uma enfermeira para cada 250 leitos, mas são indiretas as evidências que suportam sua proposta, necessitando de estudos mais aprofundados. Em 1997, a mediana da proporção de leitos por enfermeiro CCIH era 1:460, oscilando de 125 a 1.600.

Este trabalho foi realizado no Hospital Addenbrooke em Cambrige, onde existem duas enfermeiras especialistas em controle de infecção para 1.200 leitos e o trabalho destas profissionais se concentra em atividades para “apagar incêndios”. Participa também da equipe um infectologista, que atua quatro períodos no setor e dois microbiologistas que dedicam 8 a 10% do seu tempo para CCIH. Esta instituição é um hospital-escola que realiza atendimento clínico, cirúrgico, obstétrico e psiquiátrico para sua comunidade. Tem 5.000 funcionários e realiza acima de 77.000 atendimentos anuais. Os autores se propuseram a quantificar, registrar e analisar a carga de trabalho das enfermeiras da CCIH de sua instituição utilizando o sistema GRASP ® (Grace Reynonds Application of the Study of Peto). Esta técnica baseia-se nos princípios de Delphi e Pareto, pelos quais a análise de 80% de qualquer atividade é representativa da totalidade das ações. É realizada uma correlação entre carga e força de trabalho, calculando-se a duração de cada uma das principais atividades e o número de vezes que é realizada por dia útil. Esta relação é conhecida como porcentagem de utilização.

Para este cálculo todas as atividades da enfermeira foram divididas em ação direta (vigilância, treinamento, consolidação e interpretação de dados, tempo para estudo e preparação de aulas, resposta a consultas dos pacientes, administradores e equipe de saúde, interação com microbiologia e controle de cepas multiresistentes e demais ações para se implantar e supervisionar as precauções padrão, visitas sanitárias, controle de antibióticos, etc) ou indireta (secretaria, participação em eventos científicos, atendimento a representantes, avaliação de produtos, aulas externas, etc) tendo em vista as finalidades do setor. Para facilidade de cálculo os minutos foram transformados em frações decimais das horas, dividindo-se a duração em minutos por seis. Para cada atividade foi aumentado 10% do tempo, resultante de fadiga e 5%, relacionado a imprevistos. Algumas ações, como controle de surtos, são ditadas pelas circunstâncias, sendo contabilizadas de forma empírica.

Foi realizada uma definição operacional de cada atividade, sua finalidade, importância e foram descritos os passos para sua execução. O tempo e o número de vezes estimados para sua realização foram validados por duas semanas consecutivas e o trabalho todo cobriu um período de cinco meses. O resultado é considerado ótimo quando a porcentagem de utilização está entre 90 e 110% da carga horária, de 111 a 130 a enfermeira está trabalhando no máximo da sua capacidade e acima de 130% é identificada uma oportunidade para melhoria no planejamento das atividades ou na infraestrutura da CCIH.

A porcentagem de utilização ficou acima de 130%, identificando-se sobrecarga e uma oportunidade para melhoria. O método empregado permitiu a correlação da carga de trabalho com os resultados do atendimento e metas organizacionais, baseando suas conclusões na prática profissional, produzindo indicadores que identificaram oportunidades de melhoria, quando comparados com outros hospitais (benchmarking). A própria descrição das atividades possibilitou uma revisão de toda sistemática de trabalho e avaliou a importância da enfermeira de CCIH. Foram identificadas atividades que poderiam ser delegadas para outros profissionais, como as de apoio administrativo e secretaria. O tempo despendido para o controle de cepas multirresistentes, particularmente MRSA, foi importante principalmente em unidades geriátricas. A grande parte de tempo consumido em atividades emergenciais, para apagar incêndios, comprometeu o planejamento das atividades, afetando até o cálculo dos indicadores epidemiológicos de infecção hospitalar, dificultando a avaliação dos resultados das atividades educativas e de vigilância.

 

Fonte: Trundle CM, Farrigton M, Anderson L, Redparth CK. GRASPing infection: a workload measurement tool for infection control nurses. J Hosp Infect (2001) 49: 215-221.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.


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