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PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE:

MBA EM CCIH, CME, SEGURANÇA DO PACIENTE, FARMÁCIA CLÍNICA E HOSPITALAR, FARMÁCIA ONCOLÓGICA

InfectUP — atualização científica contínua em prevenção e controle de infecção, resistência antimicrobiana, centro de material e esterilização e segurança do paciente.

O Instituto CCIH+ traz hoje uma grande novidade! Inauguramos em nosso site a seção InfectUP, que surge como um radar permanente da literatura internacional em prevenção e controle de infecção, vigilância epidemiológica, stewardship antimicrobiano, centro de material e esterilização e segurança do paciente.

Nossa equipe do Instituto CCIH+ divulga os artigos mais relevantes das principais revistas científicas especializadas do mundo e apresenta resumos críticos, com foco em aplicação prática conforme ANVISA, Portaria 2.616, PNPCIRAS e diretrizes CDC/WHO.

Aqui, você não apenas se atualiza: você participa. Os leitores podem votar nos artigos ou temas que desejam discutir em nossas lives científicas e site, onde analisamos metodologia, implicações clínicas, impacto na governança hospitalar e caminhos para implementação real nos serviços de saúde.

E um diferencial importante: alunos dos MBAs do Instituto CCIH+ têm acesso integral aos artigos, sem custo adicional, reforçando nosso compromisso com formação rigorosa, baseada em evidências e alinhada às melhores práticas internacionais.

InfectUP é mais que uma seção — é uma comunidade de profissionais que querem antecipar mudanças, interpretar evidências com espírito crítico e liderar o futuro da prática profissional em saúde no Brasil. E assim o Instituto CCIH+ se reafirma na vanguarda da prevenção e controle de infecção desde 2.003.

Em pauta: AJIC Janeiro 2026

A primeira edição do InfectUP analisa os artigos publicados no exemplar de janeiro da famosa revista American Journal Infection Control. Nosso alunos e ex-alunos têm acesso aos artigos na íntegra.

Você pode votar nos artigos de seu interesse clicando aqui ou no link abaixo:

https://infectup.lovable.app/

 

1. Embaixadores de vacinas: um modelo educacional para capacitar jovens e ampliar a conscientização sobre vacinas em Detroit

O artigo “Embaixadores de vacinas: um modelo educacional para capacitar jovens e ampliar a conscientização sobre vacinas em Detroit” descreve um programa que forma estudantes do ensino médio como multiplicadores de informação sobre vacinação em suas comunidades. O objetivo foi avaliar se um currículo focado em vacinas aumentaria o conhecimento desses adolescentes e sua capacidade de ensinar pares mais jovens.​

O programa recrutou alunos de escolas de Detroit e ofereceu três semanas de treinamento sobre história, mecanismos, tipos de vacinas, eventos adversos, imunidade de rebanho, desinformação e técnicas de comunicação e ensino. Após o curso, esses “embaixadores” participaram de eventos comunitários, apresentando conteúdos sobre vacinas e imunidade a crianças e adolescentes, com aplicação de testes antes e depois das atividades.​

Os resultados mostraram aumento significativo do conhecimento dos embaixadores, com melhora nas pontuações dos testes de conhecimento específicos do currículo (de 56,7% para 78,3%). Entre os jovens alcançados nas ações de extensão, o desempenho também melhorou de forma importante, passando de 45% de acertos no pré-teste para 82% no pós-teste.​

O estudo destaca a importância de uma educação estruturada sobre vacinas para combater hesitação vacinal, especialmente em contextos marcados por desigualdades, desinformação e baixa cobertura imunizatória. Conclui que um currículo focado, aliado à educação entre pares, é uma estratégia válida para aprofundar o entendimento de conceitos imunológicos e ampliar a aceitação de vacinas entre jovens, ajudando a reduzir incertezas e fortalecer a confiança na imunização.​

 

2. Investigações de IRAS em serviços ambulatoriais nos Estados Unidos, agosto de 2019 a julho de 2023

O artigo “Investigações de IRAS em serviços ambulatoriais nos Estados Unidos, agosto de 2019 a julho de 2023” analisa investigações conduzidas por departamentos de saúde em cenários de atenção ambulatorial, focando infecções relacionadas à assistência e organismos multirresistentes em diversos tipos de serviços, como clínicas, consultórios, odontologia, cirurgia ambulatorial, urologia e hemodiálise. O objetivo foi caracterizar, em nível nacional, essas investigações, descrevendo tipos de serviços envolvidos, agentes identificados, falhas de prevenção e controle de infecção e o papel das autoridades de saúde nessas respostas.​

Entre 4.182 investigações notificadas, 330 (8%) envolveram pelo menos um serviço ambulatorial, e 230 abrangeram exclusivamente esse tipo de cenário, sendo 148 investigações de surtos/HAI e 82 voltadas a organismos multirresistentes prioritários (nMDROs). Nessas 148 investigações de HAI, falhas de controle de infecção foram identificadas em 68% dos casos, muitas vezes sem infecções notificadas, com destaque para problemas no reprocessamento de dispositivos, segurança de injeção, preparo de medicamentos e limpeza e desinfecção ambiental.​

Os resultados mostram que uma ampla gama de organismos, incluindo bactérias multirresistentes e vírus transmitidos por sangue ou contato, foi identificada em diferentes serviços ambulatoriais, com frequente atuação dos departamentos de saúde por meio de avaliações presenciais ou remotas, rastreamento de casos, triagem e notificação de pacientes. O estudo conclui que há riscos relevantes de infecção em serviços ambulatoriais e que é essencial fortalecer vigilância, padronizar práticas básicas de prevenção e controle de infecção e manter a capacidade de resposta dos programas de HAI/AR dos departamentos de saúde para proteger pacientes e profissionais em todo o espectro da atenção em saúde.​

 

3. Papel das instituições de cuidados de enfermagem especializada nas transições de cuidado da infecção por Clostridioides difficile: coorte retrospectiva de hospitais dos EUA

O artigo “Papel das instituições de cuidados de enfermagem especializada nas transições de cuidado da infecção por Clostridioides difficile: coorte retrospectiva de hospitais dos EUA” analisa como os residentes de skilled nursing facilities (SNF) se inserem no fluxo de internação e alta hospitalar por CDI em idosos. O objetivo foi comparar perfil clínico, desfechos (mortalidade, tempo de internação, reinternações) e custos hospitalares entre pacientes idosos com CDI admitidos a partir de SNF ou que receberam alta para SNF, usando grande base de dados administrativa dos EUA.​

Entre 86.646 internações por CDI, apenas 5,1% dos pacientes vieram de SNF, mas 28,3% foram encaminhados para SNF na alta, mostrando forte necessidade de cuidado pós-agudo. Pacientes com origem em SNF apresentaram maior mortalidade intrahospitalar, mais reinternações, maiores custos e maior permanência hospitalar, tendência semelhante à observada em quem recebeu alta para SNF.​

O estudo destaca que idosos com CDI vinculados a SNF concentram piores desfechos clínicos e maior carga financeira para o sistema de saúde, reforçando que essa é uma população de alto risco e ainda pouco estudada. Conclui ser necessária a qualificação das transições de cuidado, o fortalecimento das práticas de prevenção e controle de infecção e de stewardship antimicrobiano em SNF, bem como novas análises sobre incidência e custos para dimensionar plenamente o impacto da CDI nesse contexto.​

 

4. Percepções de profissionais sobre seus papéis na prevenção e controle de infecções em instituições de longa permanência para idosos (IPAC): estudo qualitativo

O artigo “Percepções de profissionais sobre seus papéis na prevenção e controle de infecções em instituições de longa permanência para idosos: estudo qualitativo” explora como diferentes categorias de trabalhadores entendem e desempenham suas funções em IPAC em duas residências geriátricas na Austrália. O objetivo foi compreender como profissionais de cuidado direto e de apoio percebem sua responsabilidade na prevenção de infecções, quais práticas valorizam e que barreiras identificam no cotidiano.​

Os participantes relataram ver seu papel central como “estar presente” para os residentes, garantindo segurança física (higiene de mãos, uso de EPIs, limpeza ambiental, triagem de visitantes) e também apoio emocional, especialmente em contexto de COVID-19 e uso prolongado de máscaras e outras barreiras. Apontaram dificuldades importantes relacionadas à demência e outros déficits cognitivos dos residentes, ao desafio de conciliar ambiente “de casa” com rotinas rigorosas de controle de infecção, a limitações estruturais e a carga de trabalho agravada por escassez de pessoal.​

A maioria referiu receber treinamentos institucionais on-line e apoio de educadores e líderes em IPAC, mas destacou a necessidade de educação contínua, prática e específica para cada função, incluindo comunicação com idosos com comprometimento cognitivo. O estudo conclui que a efetividade da IPAC em instituições de longa permanência depende de treinamento sob medida para todos os perfis de trabalhadores, de cultura de trabalho colaborativa e de estratégias de retenção e bem-estar da força de trabalho, para sustentar práticas seguras e centradas na pessoa idosa.​

5. Identificando barreiras e facilitadores para uma prevenção e controle de infecções eficazes em instituições de longa permanência: estudo qualitativo com uso do Theoretical Domains Framework

O artigo “Identificando barreiras e facilitadores para uma prevenção e controle de infecções eficazes em instituições de longa permanência: estudo qualitativo com uso do Theoretical Domains Framework” analisa por que recomendações de PCI em instituições para idosos nem sempre se traduzem em prática diária. O objetivo foi identificar, com base no TDF, quais fatores dificultam ou favorecem que trabalhadores dessas instituições executem práticas de PCI baseadas em evidências e, a partir disso, mapear técnicas de mudança de comportamento para orientar intervenções.​

Foram entrevistados 28 profissionais de 9 instituições na Austrália, abordando sete “gaps” prioritários, como higiene de mãos antes/depois do contato com o residente, uso adequado de EPI, limpeza de superfícies e apoio à higiene de mãos dos residentes. Como facilitadores, emergiram conhecimento sobre a importância da PCI, acesso a insumos, experiência e autoconfiança, rotinas consolidadas, lembretes visuais e a crença de que se protege a si, aos residentes e à família.​

As principais barreiras concentraram-se no contexto e recursos: falta ou dificuldade de acesso a preparação alcoólica, luvas, pias, wipes e espaço adequado para paramentação, além de influências sociais, prioridades concorrentes (segurança imediata do residente) e lacunas de conhecimento ou treino em detalhes de sequências e técnicas. O estudo conclui que, embora a maioria dos profissionais esteja engajada e veja a PCI como parte central de seu papel, é necessário investir em ajustes ambientais, disponibilidade de materiais, lembretes, treinamento prático e avaliação de competências, usando técnicas de mudança de comportamento para tornar as práticas de PCI mais consistentes e sustentáveis nas instituições de longa permanência.​

 

6. Número de profissionais em dedicação integral para CCIRAS em Victória, Austrália

Este artigo descreve como os hospitais desse estado estruturam e financiam seus programas de PCI, em especial em termos de equipe e carga de trabalho. O objetivo foi quantificar o número de profissionais dedicados FTE (em equivalentes de tempo integral) e comparar a disponibilidade de recursos entre hospitais públicos e privados, bem como entre diferentes portes de instituições.​

Por meio de inquérito transversal com líderes de PCI de 113 hospitais (45% do total de Victoria), os autores observaram grande variação na razão de FTE de PCI por 100 leitos agudos: hospitais com ≥ 200 leitos relataram mediana de 1,6 FTE/100 leitos, enquanto hospitais pequenos e médios apresentaram 0,8 e 0,5 FTE/100 leitos, respectivamente. A mediana foi significativamente maior em hospitais públicos (3,2 FTE/100 leitos) do que em privados (0,4 FTE/100 leitos), e os hospitais públicos tinham equipes maiores, mais experientes e com maior integração a outras áreas como saúde ocupacional, saúde do trabalhador e stewardship antimicrobiano.​

O estudo ressalta que, diante da ampliação contínua das atribuições dos programas de PCI (vigilância, surtos, preparação para pandemias, educação, AMS), essas diferenças de recursos por setor e porte podem indicar subdimensionamento em partes do sistema. Conclui que conhecer o cenário atual de alocação de pessoal em PCI é essencial para planejar a força de trabalho, defender parâmetros mínimos de staffing e apoiar a sustentabilidade das ações de prevenção de infecções em hospitais de diferentes contextos.​

 

7. Redução na esterilização a vapor ciclo flash (IUSS) associada à redução de infecções de sítio cirúrgico

O artigo “Redução na esterilização a vapor ciclo flash associada à redução de infecções de sítio cirúrgico” descreve um projeto de melhoria da qualidade voltado a eliminar o uso rotineiro de IUSS em artroplastias de quadril e joelho em um grande hospital norte-americano. O objetivo foi implementar intervenções organizacionais para reduzir drasticamente a IUSS e avaliar o impacto nas taxas de infecção de sítio cirúrgico (SSI) em próteses de quadril e joelho ao longo de seis anos.​

As ações incluíram: restringir a realização de IUSS apenas à CME (retirando essa possibilidade do pessoal da cirurgia), criar um fluxo de aprovação com três assinaturas para cada ciclo, reduzir os esterilizadores de IUSS de oito para um, aumentar o número de caixas de instrumental e exigir envio antecipado de materiais de fornecedores para permitir esterilização terminal. Após a implantação completa, a IUSS foi totalmente abandonada a partir de novembro de 2019.​

Comparando 2017–2019 (pré-intervenção) com 2020–2022 (pós-intervenção), as SSI em artroplastia de quadril caíram de 0,54 para 0,13 por 100 procedimentos (redução de 76%, estatisticamente significativa), enquanto em joelho houve queda de 0,49 para 0,41 por 100 (18% de redução, sem significância estatística). O estudo conclui que um projeto multidisciplinar estruturado pode eliminar o uso indevido de IUSS e se associar a redução clinicamente relevante de SSI, reforçando recomendações de que a esterilização a vapor de uso imediato em implantes deve ser exceção rigorosamente controlada.​

 

8. Nova sistemática de busca pós-alta por smartphone na detecção de infecções de sítio cirúrgico: estudo quase experimental

Este artigo avalia se o monitoramento remoto de feridas cirúrgicas por celular aumenta a identificação de ISC após a alta. O objetivo foi comparar a detecção de ISC em pacientes acompanhados com fotos enviadas via smartphone em pontos de tempo definidos, versus o seguimento convencional apenas com contato telefônico em 30 dias.​

Foram incluídos 90 pacientes submetidos a cirurgias gerais, alocados em grupo intervenção (n = 30) e controle (n = 60). No grupo intervenção, os pacientes enviaram fotos da ferida e preencheram um checklist nos dias 3, 7, 15 e 30; suspeitas de infecção eram encaminhadas para avaliação presencial do cirurgião. No grupo controle, houve apenas uma ligação telefônica em 30 dias para rastrear sinais e eventos sugestivos de ISC, com posterior avaliação presencial quando necessário.​

Em 1 mês, foram detectadas 5 ISC no grupo smartphone e 2 no grupo controle, diferença estatisticamente significativa no total acumulado (odds ratio de 5,8 para detecção de ISC com o uso de smartphone). A maioria das infecções em ambos os grupos foi classificada como risco moderado, com um caso de alto risco apenas no grupo intervenção, sem diferença significativa de gravidade.​

Os autores concluem que o seguimento de feridas por smartphone pode aumentar a detecção de ISC no primeiro mês pós-operatório e favorecer diagnóstico mais precoce, especialmente em contextos com subnotificação de infecções. Contudo, ressaltam as limitações do desenho quase experimental, amostra pequena e centro único, recomendando ensaios randomizados multicêntricos maiores e a exploração de uso de inteligência artificial para aprimorar a acurácia diagnóstica.​

 

9. Eliminação de bioaerossóis durante descarga de vasos sanitários

Este artigo investiga como a presença e o tamanho do espaço entre a borda da bacia e o assento/tampa influenciam a liberação de bioaerossóis ao acionar a descarga. O objetivo foi quantificar, em um vaso com tampa, o impacto de diferentes alturas de vão de ar na emissão de gotículas e bioaerossóis contendo Escherichia coli e dois vírus modelo (MS2 e P22), comparando situações com tampa aberta e fechada.​

Os autores demonstram que cerca de 92% das gotículas geradas tinham diâmetro menor que 1 µm, ou seja, predominam partículas finas com alto potencial de permanência no ar. Fechar a tampa reduziu em mais de 90% a concentração de partículas em relação ao vaso sem tampa ou com ela aberta, mas não eliminou totalmente a emissão: bioaerossóis ainda escaparam pelo vão entre tampa/assento e borda da bacia.​

À medida que o vão de ar aumentou até 6 mm, a fração de bioaerossóis que escapou cresceu de forma importante, com “escape ratios” chegando a 24% para E. coli, 49% para P22 e 57% para MS2, indicando que vírus menores atravessam o vão com mais facilidade do que bactérias. O estudo conclui que, embora fechar a tampa seja uma medida eficaz para reduzir a emissão de bioaerossóis, o desenho do vaso e do assento deve minimizar o vão de ar para maximizar essa proteção; também destaca que vírus têm potencial maior de transmissão aérea via descarga do vaso, reforçando a necessidade de intervenções de engenharia (tampos com menor folga, ventilação adequada, tecnologias adicionais de desinfecção) em banheiros.​

 

10. Uma abordagem em fases para implementação de um programa de rastreamento de Candida auris em um grande sistema hospitalar de cuidados agudos

O artigo “Uma abordagem em fases para implementação de um programa de rastreamento de Candida auris em um grande sistema hospitalar de cuidados agudos” descreve a implantação progressiva de um programa de triagem de C. auris em cinco hospitais de alta complexidade nos Estados Unidos. O objetivo foi estruturar, em etapas sucessivas de melhoria da qualidade, um fluxo de rastreamento de pacientes de alto risco que permitisse identificar precocemente colonização por C. auris, iniciar isolamento imediato e reduzir o risco de surtos.​

O programa partiu dos alertas do Departamento de Saúde de Ohio e das recomendações do CDC, definindo critérios de alto risco (internação prévia em LTACH – que significa “Long-Term Acute Care Hospital”, isto é, hospital de cuidados agudos de longa permanência, ILP – instuições de longa permanência” (long-term care / long-term care facilities), como casas de repouso, nursing homes ou instituições de cuidado prolongado para idosos e pessoas com dependência crônica, reabilitação, hospitais fora dos EUA, uso de dispositivos invasivos, ventilação mecânica, história de MDR, entre outros). Em fases subsequentes, foram incorporados: inclusão de cultura de C. auris e ordem de isolamento em “painel” no prontuário eletrônico, sinalização de “hot spots” com alerta de melhor prática (BPA) automático para pacientes oriundos de serviços com transmissão, permissão para enfermagem disparar o rastreio, criação de POP detalhado, troca de desinfetante para um produto com tempo de contato de 1 minuto e, por fim, adoção de PCR em substituição à cultura, ampliando a triagem para observação e emergência.​

Os resultados mostraram aumento progressivo do número de exames realizados, maior número absoluto de casos detectados e positividade levemente crescente, sugerindo que a triagem passou a identificar colonização já na admissão, inclusive em pacientes vindos de casa, e permitiu instituir isolamento precoce e medidas ambientais sem evidência de surtos hospitalares. O artigo conclui que um programa faseado de rastreamento de C. auris, apoiado por colaboração multidisciplinar, integração das diretrizes do CDC ao prontuário eletrônico, uso de alertas e vigilância contínua, melhora a segurança de pacientes e profissionais e pode ser adaptado por outros sistemas de saúde, inclusive como modelo para futuros patógenos emergentes.​

 

11. Conhecimentos, atitudes e práticas em prevenção e controle de infecções entre pacientes e cuidadores informais na atenção domiciliar: revisão sistemática

O artigo “Conhecimentos, atitudes e práticas em prevenção e controle de infecções entre pacientes e cuidadores informais na atenção domiciliar: revisão sistemática” analisa o que se sabe sobre IPC em cuidados baseados em domicílio, focando no papel de pacientes adultos e cuidadores familiares. O objetivo foi sintetizar, em estudos publicados de 1990 a 2025, o nível de conhecimento, as atitudes e as práticas (KAP) relacionadas à prevenção de infecções em diferentes tipos de cuidado domiciliar, incluindo condições crônicas, uso de dispositivos e situações de emergência em saúde pública.​

A revisão incluiu 34 estudos de vários países, com grande heterogeneidade de métodos e cenários. Em geral, havia boa noção de medidas básicas (como higiene de mãos e reconhecimento de risco de infecção), mas lacunas importantes em temas específicos, como limpeza de nebulizadores, manejo de cateter venoso central, cuidados de feridas, diálise domiciliar e aplicação de insulina. Atitudes foram influenciadas por percepção de risco, estigma, sobrecarga emocional, confiança em autoridades de saúde e senso de responsabilidade social; práticas mais simples eram mais frequentemente realizadas, enquanto comportamentos mais complexos e dependentes de técnica (desinfecção de equipamentos, descarte seguro, adesão a quarentena) mostraram baixa adesão.​

O artigo destaca que cuidadores informais assumem grande parte das atividades de IPC sem treinamento formal, frequentemente em ambientes domiciliares com infraestrutura precária e condições socioeconômicas limitantes. Conclui que, para melhorar IPC na atenção domiciliar, é necessário desenvolver instrumentos padronizados e validados para avaliar KAP, oferecer educação dirigida e culturalmente adequada, integrar o cuidador informal como alvo central das intervenções e usar recursos como teleatendimento e ferramentas digitais para apoiar educação contínua e monitoramento de práticas.​

 

12. Principais falhas do CME nos Estados Unidos

O artigo apresenta o primeiro levantamento em nível nacional sobre falhas em centrais de material e esterilização (sterile processing departments – SPD) nos Estados Unidos. O objetivo foi medir a frequência e o tipo de defeitos em SPDs e relacioná-los a características estruturais e operacionais, como uso de checklists, sistemas de rastreio e exigência de certificação da equipe.​

Mais de 90% dos SPDs relataram pelo menos um tipo de defeito em uma única semana, com média de 3,5 tipos de falhas, incluindo problemas que afetam a esterilidade (biocarga residual) e defeitos de eficiência (instrumentos faltantes em bandejas). Em cerca de 17% dos casos, o defeito foi identificado apenas na sala cirúrgica, o que implica risco direto à segurança do paciente e atrasos de procedimentos. Serviços que não exigiam certificação formal dos profissionais de CME apresentaram maior número de tipos de defeitos, sugerindo que a certificação pode ser um marcador de melhor qualificação e comunicação interna.​

Apesar de a maioria dos SPDs declarar uso de checklists de qualidade e algum tipo de rastreio de bandejas, menos da metade utilizava esses instrumentos diariamente, e mais de um quarto das instituições não possuía sistema formal de rastreamento, usando ainda métodos manuais ou nenhum método estruturado. O estudo conclui que há necessidade urgente de intervenções sistêmicas, incluindo padronização de fluxos, rastreabilidade integrada (por código de barras ou tecnologias afins), exigência uniforme de certificação da equipe e fortalecimento da infraestrutura de dados, para reduzir defeitos no processamento, melhorar a segurança cirúrgica e os desfechos dos pacientes.​

 

13. Uso de um kit padronizado de coleta de hemoculturas para reduzir a taxa de contaminação na emergência

O artigo “Uso de um kit padronizado de coleta de hemoculturas para reduzir a taxa de contaminação na emergência” descreve um projeto de melhoria da qualidade em um grande hospital rural, voltado a diminuir contaminações em hemoculturas coletadas no pronto-socorro. O objetivo foi implantar um kit padronizado de coleta periférica, alinhado às recomendações do CDC, e avaliar seu impacto nas taxas de contaminação, um indicador crítico para segurança do paciente e uso adequado de antibióticos.​

O kit foi desenvolvido por equipe multidisciplinar (emergência, microbiologia, prevenção de infecções e suprimentos) e passou a reunir, em um único pacote, todos os itens necessários para um conjunto completo de hemocultura a partir de punção periférica, com orientação explícita de uso de dois kits por paciente e proibição de coleta por cateter ou acesso já instalado. A estratégia incluiu apresentação em reuniões diárias da equipe, uso de “superusuários” para treinamento à beira do leito, auditoria mensal das culturas e feedback individualizado para coletores envolvidos em amostras contaminadas.​

Antes da intervenção, as taxas mensais de contaminação variavam de 2,89% a 4,61%, acima ou próximas do limite de 3% recomendado pela American Society for Microbiology. Após a implementação plena do kit padronizado, a taxa máxima caiu para 3,17% e atingiu 0,97% em março de 2025, o menor valor da série histórica do hospital.​

O estudo conclui que a padronização de materiais e processos, combinada com educação dirigida e monitoramento contínuo, pode reduzir de forma importante a contaminação de hemoculturas na emergência, favorecendo terapia antimicrobiana mais precisa, menor exposição desnecessária a antibióticos e melhor experiência do paciente. Os autores sugerem expandir o modelo para outros hospitais do sistema, como estratégia de padronização institucional da coleta de hemoculturas.​

O kit padronizado era composto pelos seguintes itens por conjunto de hemocultura:​

  • Frasco plástico aeróbio para hemocultura
  • Frasco plástico anaeróbio para hemocultura
  • Saco de risco biológico com fecho tipo “zip”
  • Aplicadores de Cholaprep (antisséptico)
  • Suporte para tubos de coleta de sangue
  • Agulha “butterfly” 23 G
  • 3 swabs de álcool (álcool prep pads)
  • Gaze 2×2
  • Pequeno rolo de fita transparente
  • Garrote (torniquete)
  • Tubo estéril cinza de 4 mL para coleta de sangue​

 

14. Uso da epidemiologia genômica para inferir dinâmicas de transmissão em surtos de COVID-19 em instituições de longa permanência

O artigo “Uso da epidemiologia genômica para inferir dinâmicas de transmissão em surtos de COVID-19 em instituições de longa permanência – Condado de Los Angeles, fevereiro de 2023 a março de 2024” avalia como diferentes linhagens de SARS-CoV-2 circulam em surtos em casas de repouso (skilled nursing facilities, SNF) e como isso se relaciona com a duração dos surtos. O objetivo principal foi comparar duração e tamanho de surtos em SNF segundo o número de linhagens virais identificadas por sequenciamento genômico, testando a hipótese de que surtos com múltiplas linhagens refletiriam múltiplas introduções do vírus e seriam mais prolongados.​

Foram analisados 83 surtos de COVID-19 em 341 SNF com pelo menos duas amostras sequenciadas, entre 812 surtos identificados no período. Os autores categorizaram os surtos em três grupos: um único linhagem com até 5 isolados sequenciados, um único linhagem com mais de 5 isolados sequenciados e múltiplas linhagens; o desfecho principal foi a duração do surto (do primeiro caso até 14 dias após o último). A mediana de duração dos surtos com múltiplas linhagens foi de 35 dias, comparada a 27 dias nos surtos com uma única linhagem e mais de 5 isolados sequenciados, diferença estatisticamente significativa, enquanto não houve diferença clara no tamanho total dos surtos.​

O estudo mostra que surtos com múltiplas introduções de SARS-CoV-2 tendem a durar mais, sugerindo que a prevenção da entrada repetida do vírus nas SNF (por visitas, funcionários e outros vetores) é tão ou mais crucial do que as medidas de contenção intra-institucional. Apesar de limitações (amostra de conveniência, proporção limitada de casos sequenciados, possível classificação incorreta de introduções), os autores concluem que a epidemiologia genômica é uma ferramenta útil para compreender a dinâmica de transmissão e reforçam a importância de políticas públicas voltadas a reduzir introduções em períodos de alta transmissão comunitária.​

 

15 Comentário sobre o artigo: Número de profissionais em dedicação integral para CCIRAS em Victória, Austrália

Este discute os achados de um estudo sobre dimensionamento de pessoal de PCI em hospitais de Victoria e amplia o debate para o contexto internacional. As autoras destacam que a métrica usada no artigo original (equivalente de tempo integral – FTE por 100 leitos) é difícil de interpretar em hospitais muito pequenos e não captura a carga mínima de trabalho de PCI que existe independentemente do número de leitos.​

O texto reforça que a grande variabilidade de staffing observada entre hospitais públicos e privados em Victoria repete um padrão visto em outros países: serviços bem dotados de recursos conseguem inovar, enquanto equipes subdimensionadas lutam para cumprir até mesmo requisitos básicos. Argumenta que ainda não há um parâmetro universalmente aceito para dimensionar equipes de PCI, ao mesmo tempo em que o escopo do trabalho só aumenta, com resistência antimicrobiana, pressão regulatória, escassez de pessoal e ameaças de novos patógenos.​

As autoras descrevem iniciativas da APIC nos EUA, como a calculadora de staffing lançada em 2023, que ajusta a razão IP/leito conforme características do hospital (existência de UTI, pronto-socorro, complexidade de casos, perfil cirúrgico), e recomenda um patamar mínimo de pelo menos 0,6 profissionais em tempo exclusivo (FTE) de PCI por instituição, independentemente do número de leitos. Mencionam também a realização de MegaSurveys para mapear condições de trabalho e staffing de PCI e a intenção de adaptar esse inquérito à realidade australiana, bem como o fortalecimento de parcerias internacionais com a ACIPC e iniciativas de formação e certificação (como o IP Academic Pathway e o título CIC).​

O comentário conclui que a heterogeneidade de recursos para PCI é um problema sistêmico global e que sem padrões de referência baseados em evidências, modelos sustentáveis de força de trabalho e trajetórias claras de carreira e certificação, os programas de PCI continuarão vulneráveis em futuras crises. Defende que ferramentas como calculadoras de dimensionamento, estruturas de competências e colaboração internacional são essenciais para garantir equipes de PCI suficientemente estruturadas em todos os tipos de serviços, de grandes centros de referência a pequenos hospitais comunitários.​

 

16. Comentário sobre uma recente metanálise de vacinação contra influenza e infecção por COVID-19

A carta “Comentário sobre uma recente metanálise de vacinação contra influenza e infecção por COVID-19” discute resultados divergentes entre duas metanálises sobre o efeito da vacina da gripe na infecção por SARS-CoV-2. Os autores lembram que Del Riccio et al, avaliando 14 estudos prospectivos, não encontraram efeito da vacinação contra influenza sobre risco de infecção, hospitalização ou morte por COVID-19, enquanto a metanálise dos próprios autores, com 51 estudos, indicou redução de infecção, mas sem impacto em hospitalizações e óbitos.​

O objetivo da carta é explorar possíveis causas dessa discrepância, incluindo diferenças na forma de análise estatística e na seleção dos estudos incluídos. Reanalisando os mesmos oito estudos principais com o modelo de Hartung-Knapp, os autores obtêm um resultado que passa a mostrar proteção significativa contra infecção por COVID-19 em vacinados para influenza. Em seguida, ampliam a metanálise adicionando cinco estudos prospectivos adicionais (total de 15 braços), e, tanto com modelo fixo quanto com modelo de efeitos aleatórios de DerSimonian-Laird, continuam encontrando redução de risco de infecção em vacinados, embora com heterogeneidade muito elevada (≈97%–99%).​

Os autores apontam limitações importantes: classificação por “prospectivo” versus “retrospectivo” considerada algo arbitrária, ausência de cálculo formal de tamanho amostral nos estudos originais, predominância de estudos de pequeno porte e grande dificuldade de capturar todo o volume de literatura produzida durante a pandemia. Argumentam ainda que a metanálise de Del Riccio et al se assemelha a uma análise de subgrupos, que pode oferecer visão parcial do problema.​

Concluem que, diante dessas incertezas metodológicas e da elevada heterogeneidade, ainda não é possível afirmar de forma definitiva se a vacinação contra influenza reduz o risco de infecção por SARS-CoV-2, e defendem a necessidade de mais evidências robustas e análises cuidadosas antes de qualquer conclusão firme.​

 

17. O que constitui um tamanho de amostra adequado para monitorar a adesão à higienização das mãos?

A carta “O que constitui um tamanho de amostra adequado para monitorar a adesão à higienização das mãos?” discute qual número mínimo de oportunidades de higiene das mãos deve ser observado por unidade para estimar de forma confiável as taxas de adesão. Os autores revisam recomendações anteriores (como 200 oportunidades/unidade/mês e a proposta recente de 50 observações) e argumentam que há risco de interpretações estatísticas equivocadas levarem a uma amostragem insuficiente.​

Eles criticam um estudo de Reese et al. que, ao comparar subconjuntos de 25–200 oportunidades retirados da mesma “estrata” de dados, concluiu que 50 observações seriam “suficientes”; segundo os autores da carta, esse desenho apenas demonstra variação aleatória dentro do mesmo conjunto, sem validar a confiabilidade de amostras pequenas. Relembram que fórmulas clássicas de cálculo amostral mostram que o tamanho necessário depende da adesão basal e do efeito mínimo de interesse, com maior demanda de observações quando a adesão em linha de base está em torno de 50% e quando se deseja detectar diferenças pequenas (5–10%).​

O texto também ressalta que taxas muito altas de adesão (90–98%) observadas em muitos serviços provavelmente refletem viés de observação (efeito Hawthorne) e não a adesão real, o que “aperta” artificialmente os intervalos de confiança e dá uma falsa sensação de precisão. Além disso, oportunidades de higiene se agrupam em alguns profissionais, turnos ou setores, gerando correlação intraclasse e reduzindo a informação estatística efetiva; assim, 200 oportunidades observadas de poucos profissionais equivalem, em termos de precisão, a muito menos observações independentes.​

Os autores concluem que ainda não há resposta simples ou universal para o tamanho de amostra ideal na vigilância de higiene das mãos e que reduzir arbitrariamente o número de oportunidades observadas para 50 por unidade/mês simplifica demais um problema complexo. Defendem que pesquisas futuras incorporem clustering, viés de observação, variabilidade contextual e, possivelmente, sistemas automatizados de monitoramento com feedback em tempo real, permitindo usar amostras mais inteligentes e focadas em risco, em vez de quotas rígidas que consomem recursos sem garantir dados válidos.​

 

18. Resposta à carta ao editor: ‘O que constitui um tamanho de amostra adequado para monitorar a adesão à higiene das mãos?

O texto “Resposta à carta ao editor: ‘O que constitui um tamanho de amostra adequado para monitorar a adesão à higiene das mãos?’” apresenta a réplica dos autores do estudo “Right-sizing expectations for hand hygiene observation collection” às críticas feitas por Boyce e colaboradores. Eles esclarecem que o objetivo do artigo original não foi redefinir o tamanho de amostra estatisticamente ideal para detectar pequenas mudanças na adesão, mas verificar se amostras menores poderiam fornecer estimativas estatisticamente comparáveis ao benchmark do Leapfrog Group de 200 observações por unidade/mês, reduzindo a carga sobre os programas de PCI.​

Os autores reconhecem que as taxas de adesão de 94% em quase 900 mil observações provavelmente não refletem a adesão “real”, mas argumentam que esses dados correspondem exatamente ao que os hospitais vêm reportando a órgãos internos e externos. Por isso optaram por trabalhar com uma base real, ainda que enviesada, para responder a uma pergunta pragmática: se, nas condições atuais de vigilância e reporte, é possível reduzir o número de observações sem piorar a estimativa que já é usada para fins regulatórios. Com essa lógica, mostram que subconjuntos de 50 observações produzem estimativas estatisticamente similares às séries de 200 observações dentro do padrão de dado hoje disponível, incluindo uma subanálise limitada a estratos com adesão <70%, que chegou às mesmas conclusões.​

Ao mesmo tempo, concordam com Boyce et al. quanto a dois problemas centrais: inflacionamento de taxas por efeito Hawthorne e desenho de vigilância centrado em “quotas” de observações, que estimula relato enviesado e consome recursos sem gerar melhoria real. Argumentam que exigências rígidas de número de oportunidades por unidade/mês levam IPs a priorizar cumprir metas de coleta em detrimento da qualidade do dado e do feedback significativo, reforçando a percepção de que higiene de mãos “não funciona” quando as infecções não caem.​

Na parte final, os autores discutem limites e potencial de sistemas eletrônicos de monitoramento: reconhecem que podem gerar medidas mais objetivas, mas lembram que também exigem validação de desempenho, aceitação pela linha de frente e investimento em feedback contínuo, igualmente intensivo em tempo. Concluem que é necessário repensar radicalmente as expectativas e métodos de vigilância em higiene de mãos, migrando de estratégias puramente indicadoras para abordagens mais representativas e eficientes, como estudos de prevalência pontual em unidades e períodos de maior risco, e focando mais em cultura de segurança, intervenções baseadas em evidências e uso racional dos recursos de PCI do que em metas rígidas de contagem de oportunidades observadas.​

 

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