A apendicite aguda é uma das principais causas de hospitalização de crianças entre um e 14 anos, e embora exista atualmente um acentuado decréscimo da mortalidade relatada, associa-se a índice de morbidade alto. O presente estudo tem por objetivo analisar as Infecções do Sítio Cirúrgico em pacientes pediátricos submetidos à apendicectomia em um hospital público do estado de Sergipe.

Trata-se de um estudo descritivo analítico de abordagem quantitativa. A amostra constituiu-se de 68 pacientes, menores de 15 anos, admitidos no Hospital de Urgências de Sergipe com permanência mínima na instituição de 24 horas, que foram submetidos à apendicectomia entre os meses de agosto e novembro de 2013 e que foram acompanhados pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar. Para a coleta dos dados foi utilizado formulário específico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do HUSE ( ANEXO A), onde foram adotados os critérios do NNIS/CDC para diagnóstico das infecções de sítio cirúrgico. Os dados foram analisados com o auxílio do software Microsoft e os resultados demonstrados em gráficos com distribuição de frequências absolutas e relativas.

No período analisado, os 68 pacientes submetidos à apendicectomia possuíam em média 7 anos de idade e 61% eram do sexo masculino. Notou-se que 35% dos diagnósticos eram de apendicite grau III e 26% das cirurgias evoluíram com infecções do sítio cirúrgico. Quando relacionadas as taxas de infecção do sítio cirúrgico ao grau de apendicite observou-se que não houve evolução de infecção em pacientes diagnosticados com apendicite grau I, enquanto que 47% dos pacientes com apendicite grau IV evoluíram com infecção da ferida operatória. Observou-se que as taxas de ISC apresentaram tendência de queda entre agosto e novembro de 2013, enquanto a evolução da proporção de apendicites de grau IV manteve uma tendência constante.

Pode-se concluir que as elevadas taxas de apendicites grau IV , acima do esperado, foram a causa principal para o desenvolvimento dessas infecções e que provavelmente o retardo no atendimento, diagnóstico e cirurgia permitiram a evolução da infecção para situações mais avançadas e complicadas, resultando em infecções pós cirúrgicas maiores. Os dados desta pesquisa mostram que o acompanhamento de quatro meses foi insuficiente para estabelecer o nível endêmico das infecções de sítio cirúrgico pós apendicectomias e definir a ocorrência de um possível surto nos meses de agosto/setembro de 2013.

 

Autora: JÚLIAN KATRIN ALBUQUERQUE DE OLIVEIRA

 


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