paciente covid hospitalizado

Nesta carta para o editor são apresentados os dados epidemiológicos mais importantes nos pacientes com COVID-19 e que desenvolveram infecção nosocomial (IN): taxa de mortalidade, topografias das infecções, patógenos isolados e data de início das infecções. A sigla COVID-19 é o acrônimo para coronavirus disease, ou doença causada pelo coronavírus em inglês, surgida no final de 2019.

Qual a importância deste estudo?

O estudo foi realizado na China, país onde foram notificados os primeiros casos da pandemia por COVID-19 no final de 2019, quando a comunidade científica ainda pouco conhecia sobre esta doença infecciosa emergente. Pelo fato de que muitos pacientes com a nova doença foram internados, os autores verificaram quais variáveis estavam associadas com a instalação de IN.

Quais foram os objetivos e a metodologia deste estudo?

Embora os objetivos não tenham sido explicitados no documento, depreende-se das conclusões que os autores quiseram conhecer a magnitude do problema (infecções nosocomiais) entre os pacientes internados com COVID-19, bem como os fatores de risco que podem predizer seu aparecimento.

Para tanto, foi realizado um estudo epidemiológico do tipo caso-controle com base em dados de 918 pacientes com diagnóstico de COVID-19, internados no Hospital de Tongji, localizado em Wuhan, província de Hubei, no período de 30/dezembro/2019 até 29/fevereiro/2020. Através de um pareamento, o grupo de casos foi composto por 65 pacientes que apresentaram IN e o grupo-controle, por 260 pacientes que não apresentaram IH.

Neste documento os autores não citam quais características foram utilizadas para o pareamento dos pacientes e os critérios de exclusão do estudo.

Quais foram os principais resultados verificados neste estudo?

A taxa geral de IH foi de 7,1% (65 casos entre os 918 pacientes com COVID-19). As taxas de mortalidade nos grupos de casos e de controles foram respectivamente, de 15,4% e de 7,3%. Ou seja, a mortalidade foi duas vezes maior nos pacientes que desenvolveram IN.

Os sítios de IH mais comuns foram os pulmões (32,3%), corrente sanguínea (24,6%) e trato urinário (21,5%). Foram isolados 43 patógenos, sendo 17 bactérias gram-positivas, 21 bactérias gram-negativas e cinco fungos. Quanto ao início da IH, variou entre sete e 22 dias, com período médio de 14,3 dias.

Estavam associados à incidência de IN de forma significativa: presença de dispositivos invasivos tais como cateter venoso central ou cateter central inserido perifericamente (OR=4,62), diabetes mellitus (OR=3,04), uso combinado de antibióticos (OR=3,02), utilização de corticóides (OR=2,44) e doença hematológica (OR=1,95), todos com intervalo de confiança de 95%.

Desta forma, a presença de dispositivos invasivos, o diabetes mellitus e o uso combinado de antibióticos foram considerados como fortes preditores para o desenvolvimento de IN.

Quais foram as conclusões e as recomendações dos autores do estudo?

Os autores do estudo concluíram que as IN são comuns entre pacientes internados com COVID-19 e que podem ser preditas pela presença de determinados fatores de risco, os quais se encontravam significativamente associados.

Os autores recomendam atenção especial para a presença de diabetes e para os pacientes que utilizam cateteres venosos invasivos. Fazem recomendação também quanto ao uso racional de antibióticos e de corticoides nos pacientes com COVID-19.

Fonte: He, Y., Li, W., Wang, Z., Chen, H., Tian, L., & Liu, D. (2020). Nosocomial infection among patients with COVID-19: A retrospective data analysis of 918 cases from a single center in Wuhan, China. Infection Control & Hospital Epidemiology, 1-2. doi:10.1017/ice.2020.126


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