A equipe do Dr. C. Pasquarella, do Departamento de Higiene da Universidade de Perugia, Itália, estudou os vários métodos para monitorização microbiológica do ar, afim de propor a realização de uma técnica uniforme e a elaboração de índices de contaminação microbiana no ar hospitalar.

Existem quatro grupos de métodos para coleta de amostras: contagem de ufc microbiana por metro cúbico de ar obtido por aspiração; contagem de ufc por deposição de colônias em placas; dosagem de substâncias químicas produzidas por microrganismos; e contagem de células ao microscópio. Até o momento, apenas os dois primeiros métodos apresentam resultados confiáveis.

O método de coleta ativa é o mais recomendado pelos guias oficiais, entretanto apresenta alguns problemas: é difícil esterilizar o equipamento coletor; é caro; produz ruídos e turbilhonamento no ar; compromete a viabilidade dos microrganismos pelo seu impacto com o equipamento ou meios de cultura; os resultados podem diferir de acordo com o método ou o amostrador empregado. Na sua validação, deve-se levar em consideração a capacidade de detectar baixos níveis de contaminação; o fluxo de ar e o seu impacto; a medição do volume amostrado; a utilização de um meio de cultura adequado; facilidade de operação, limpeza, desinfecção e esterilização; e o equipamento não deve intrinsecamente adicionar biocontaminantes ao que está sendo medido.

A coleta passiva por deposição de microrganismos em Placas de Petri depende da contaminação pela ação da gravidade, sendo afetada pelo tamanho e forma das partículas, fluxo de ar, tempo de exposição, local onde as placas são expostas e apresenta dificuldade para estimar dados quantitativos. Entretanto, tem várias vantagens: menor custo; reproduz condições mais habituais na sala (as bactérias contaminam as superfícies por deposição e não por aspiração); é um método estéril e fácil de ser realizado, podendo fornecer dados quantitativos, desde que se uniformize o tamanho da placa, meio de cultura, tempo de exposição, processamento laboratorial da amostra e a forma de medição do resultado. Entretanto, a exceção da Joint Commission on Accreditation of Hospital, que recomenda seu uso para monitorar salas com fluxo laminar, praticamente todas as demais instituições optam por resultados advindos de métodos ativos de coleta, apesar da não uniformização de equipamento ou técnica.

Em 1984, Fisher sugeriu uma padronização da coleta por método passivo, empregando Placas de Petri de 9cm de diâmetro, com Agar-Sangue, deixadas expostas por uma hora, a um metro do solo e da parede. Com isto, ele pode contar o número de ufc que se depositaram nas placas e definiu os seguintes limites (ver tabela 1):

Tabela1: Valores limítrofes para contaminação microbiana ambiental, de acordo com Fisher

Local ufc ótimo ufc aceitável ufc inaceitável
Enfermarias 0 a 450 451 a 750 Acima de 750
Farmácia 0 a 100 101 a 180 Acima de 180
Sala asséptica 51 a 90 Acima de 90
Sala cirúrgica em repouso Acima de 8
Sala cirúrgica em atividade 61 a 90 Acima de 90

Pasquarella descreveu em detalhes o seu método de coleta e elaborou o Índice de Contaminação Aérea Microbiana (IMA), calculado pela contagem das ufc obtidas de acordo com a metodologia elaborada por Fisher. Os valores limítrofes são apresentados na tabela 2.

Tabela2: Valores limítrofes do índice de contaminação aérea microbiana, de acordo com o risco ambiental, segundo Pasquarella.

Classificação do risco Exemplos Valor limítrofe do IMA
Muito alto Salas ultra limpas, isolamento reverso, sala cirúrgica para prótese articular, sala para produção de soluções injetáveis 5
Salas limpas, centro cirúrgico, UTI, unidade de diálise 25
Médio Enfermarias, SND 50
Baixo Demais setores de atendimento ao paciente 75

 

Fonte: Pasquarella C, Pitzurra O, Savino A. The Index of Microbial Air Contamination. Journal of Hospital Infection (2000) 46:241-256.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2001

 


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