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O gerenciamento de antimicrobianos (ou stewardship de antimicrobianos) é composto por inúmeras estratégias para adequação do uso destes medicamentos nas instituições de saúde. Um destas estratégias é a implementação de pacotes de prescrição com antibióticos previamente definidos (dose, frequência, etc.), de acordo com a síndrome infecciosa diagnosticada (ou suspeita). Este estudo avalia a adesão da equipe prescritora no uso de pacotes padrão de antibióticos no atendimento na emergência.

Tópicos:

  • Qual o perfil de uso dos antimicrobianos nas emergências?
  • Qual a metodologia utilizada neste estudo? Como ele avaliaram o uso de antimicrobianos na emergência?
  • Resultados da pesquisa com os profissionais de saúde
  • Resultados da revisão dos prontuários eletrônicos
  • Concluindo, houve impacto positivo na implementação de pacotes de prescrição de antibióticos na emergência?
  • Opinião da equipe CCIH

Qual o perfil de uso dos antimicrobianos nas emergências?

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estimaram que, em 2018, os departamentos de emergência geraram 12,7 milhões de prescrições de antibióticos. Até 50% dessas prescrições podem ter sido inadequadas em relação a sua indicação, seleção, dosagem e duração do antimicrobiano, com base em estimativas levantadas das prescrições ambulatoriais.

É evidente que é necessário melhorar a indicação das prescrições de antibióticos, contudo, historicamente, as unidades de emergência não têm sido abordadas nos estudos. As unidades de emergência podem se beneficiar da implementação de programas de administração de antimicrobianos, incluindo a criação de ferramentas com base em diretrizes para guiar as práticas clínicas específicas para prescrição desses medicamentos. A implementação de pacotes de solicitações de antibióticos em um prontuário eletrônico para diagnósticos infecciosos comuns na emergência parece trazer benefícios para aprimorar as barreiras que existem nas prescrições.

Qual a metodologia utilizada neste estudo? Como ele avaliaram o uso de antimicrobianos na emergência?

Este estudo foi parte de uma intervenção maior para melhorar a prescrição de antibióticos e reduzir a infecção por Clostridioides difficile (CDI) em um centro médico universitário de cuidados quaternários de 500 leitos com cerca de 50.500 consultas de emergência anuais.

Foram criados pacotes de prescrição para infecções do tipo: cistite, pielonefrite, pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e celulite, que incluíam a recomendação do antimicrobiano e da primeira dose que seria administrada na unidade de emergência, seguidos por uma prescrição pré-preenchida com duração apropriada das doses seguintes.

A escolha dos antibióticos foi determinada com base nas diretrizes de prática clínica, no perfil de antibiogramas do hospital e com o intuito de evitar antibióticos associados a um maior risco de infecção por Clostridioides difficile (CDI) (por exemplo, fluoroquinolonas), com orientações sobre dosagem para pacientes com insuficiência renal.

Os pacotes de prescrição foram implantados em março de 2019, com educação do médico clínico por meio de uma apresentação (40% de participação), sessões individuais (60% dos médicos) e 3 e-mails informativos. Um questionário desenvolvido por Vandenberg et al foi enviado a todos os médicos da emergência em novembro de 2019, para avaliar se os pacotes de prescrição estavam sendo usados ​​e se eram benéficos para sua prática.

Além disso, uma revisão retrospectiva de prontuários foi realizada de 1º de outubro de 2019 a 1º de novembro de 2019, para avaliar o impacto nas práticas de prescrição para pacientes que apresentavam de 1 a 5 diagnósticos com a prescrição correspondente, identificados por meio da Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

Prontuários eletrônicos foram revisados ​​manualmente para determinar se o pacote havia sido usado, quais foram os tipos e doses de antibióticos administrados na emergência, qual a taxa da creatinina, status populacional especial (por exemplo, gravidez ou transplante de órgãos), dados de cultura anteriores e se uma consulta de subespecialidade foi indicada. Os pacientes foram excluídos da análise se não fossem prescritos antibióticos, se pertencessem a uma população especial ou se recebessem consulta de subespecialidade.

No total, 213 prontuários foram revisados ​​e 104 preencheram os critérios de inclusão.

Resultados da pesquisa com os profissionais de saúde

A taxa de resposta geral foi de 59%. Pouco mais da metade (51,6%) dos clínicos eram médicos e 48,4% eram advanced practice providers (APPs). A maioria dos respondentes conhecia os pacotes de prescrições (75,0%) e 59,4% relataram utilizá-los. Dos médicos que usaram os pacotes; 78,9% relataram que economizaram tempo; 84,2% relataram facilidade de uso e 94,7% relataram uso bem-sucedido.

Resultados da revisão dos prontuários eletrônicos

Os pacotes de prescrição foram usados ​​em 22 (21%) dos 104 encontros de pacientes qualificados e seu uso foi variado (diferentes diagnósticos). Um pacote foi usado em 12 (43,8%) de 32 pacientes com cistite não complicada, 2 (22,2%) de 9 pacientes com pielonefrite, 2 (20%) em 10 pacientes com celulite, 3 (6,7%) em 45 pacientes com cistite e em nenhum dos 8 pacientes com pneumonia ou DPOC.

Os pacientes eram mais propensos a receber a primeira dose do antibiótico na emergência quando os pacotes de pedidos eram usados. Os pacientes também foram mais propensos a receber um antibiótico apropriado e ter uma duração apropriada da prescrição quando os pacotes de pedidos eram usados.

Não foi detectado nenhuma diferença estatisticamente significativa na dosagem renal apropriada entre os 2 grupos.

Concluindo, houve impacto positivo na implementação de pacotes de prescrição de antibióticos na emergência?

Estudos maiores são necessários para avaliar o impacto dos pacotes na prescrição de antibióticos e nos resultados do atendimento aos pacientes, porque os dados iniciais indicam que eles podem melhorar a administração de antimicrobianos.

No futuro, os autores planejam (1) expandir as ofertas de pacotes de prescrição na emergência e em ambientes ambulatoriais; (2) aumentar o uso dos pacotes por meio de educação entre pares, auditoria e feedback; e (3) avaliar as tendências na prescrição de antibióticos por um período mais longo.

Opinião da equipe CCIH

Resumidamente, este trabalho avaliou a adesão da equipe assistencial à implementação de um pacote de prescrições prontas, para cada síndrome infecciosa. O tempo de acompanhamento desta intervenção foi bastante curto (um mês) e logo de início não obtiveram adesão dos médicos nos treinamentos, onde a intenção era disseminar a informação desta opção de pacote de prescrição, resultando em uma baixa adesão ao uso da estratégia (identificado pela revisão de prontuários). Apesar disso, é importante salientar que a implementação de prescrições prontas para cada tipo de síndrome infecciosa é uma interessante estratégia de stewardship de antimicrobianos. Promover o uso de pacotes de prescrição, incentivará os prescritores a aderirem às recomendações do time de stewardship, sobre quais são os antimicrobianos padronizados naquela instituição, para cada tipo de infecção. Porém, não resolve a questão do uso inadequado de antimicrobianos, em pacientes que não precisariam iniciar um curto de antibioticoterapia, por exemplo.

Resumindo, a criação de prescrições padrão é uma interessante estratégia para o gerenciamento de antimicrobianos, mas que irá requerer intenso treinamento das equipes, para mudança na cultura de prescrições.

Fonte: Seitz RM, et al. (2022). Improved empiric antibiotic prescribing for common infectious disease diagnoses using order sets with built-in clinical decision support in the emergency department. Infection Control & Hospital Epidemiology, 43: 672–674, https://doi.org/10.1017/ice.2021.73

Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/infection-control-and-hospital-epidemiology/article/improved-empiric-antibiotic-prescribing-for-common-infectious-disease-diagnoses-using-order-sets-with-builtin-clinical-decision-support-in-the-emergency-department/8C8844703AC8BF1994B2678A895DBCFC

Sinopse por: Thalita Gomes do Carmo

Elaborado por: Thalita Gomes do Carmo

https://www.instagram.com/profa.thalita_carmo/

Links relacionados:

https://www.cdc.gov/antibiotic-use/community/programs-measurement/state-local-activities/outpatient-antibiotic-prescriptions-US-2018.html

https://www.cdc.gov/drugresistance/pdf/threats-report/2019-ar-threats-report-508.pdf

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7094813/

https://www.ccih.med.br/stewardship-de-antimicrobianos-gerenciando-o-uso-dos-antimicrobianos-para-salvar-vidas/

https://www.ccih.med.br/como-e-por-que-controlar-as-infeccoes-hospitalares/

Palavras-chave / TAGs:

gerenciamento de antimicrobianos, stewardship de antimicrobianos, pacotes de prescrição com antibióticos, síndrome infecciosa, Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), prescrições, indicação, seleção, dosagem, duração, antimicrobiano, antibiótico, unidades de emergência, programas de administração de antimicrobianos, práticas clínicas, prontuário eletrônico, Clostridioides difficile, cistite, pielonefrite, pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), celulite, diretrizes de prática clínica, diretrizes de prática clínica, no perfil de antibiogramas do hospital, fluoroquinolonas, insuficiência renal, Classificação Internacional de Doenças, creatinina, médicos, antibiótico apropriado, duração apropriada, administração de antimicrobianos, educação, auditoria e feedback.



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