Programas educacionais que visem os profissionais de saúde têm mostrado resultados positivos no que diz respeito a redução da morbidade e mortalidade das infecções relacionadas ao cuidados de saúde  (Health Care Associated Infections – HAIs).

Os autores desenvolveram este estudo para medir o impacto de um programa em uma unidade de terapia intensiva pediátrica de um país em desenvolvimento.

Como método utilizaram um estudo prospectivo, realizado em dois períodos de seis meses cada, através de um projeto educacional de intervenção para médicos residentes e enfermeiros. As taxas de pneumonia associada à ventilação mecânica (VAP) durante os períodos pré-intervenção e pós-intervenção foram estimados pela vigilância ativa.

Foi formado um comitê multidisciplinar composto por 2 médicos da unidade, 2 microbiologistas e a enfermeira de CCIH. Foi implantado um sistema de busca ativa de casos aliado a uma treinamento dos médicos e enfermeiros do setor abordando higiene das mãos (5 momentos), medidas de precauções e isolamentos e exames microbiológicos. Foi realizado um pré-teste para avaliar conhecimento, atitudes e práticas profissionais com a finalidade de identificar as prioridades didáticas focando higiene das mãos, assepsia durante os procedimentos, indicação e coleta de exames microbiológicos e diagnóstico de VAP.  Foi elaborado um texto com as orientações elaboradas a partir das necessidades identificadas nos testes prévios e foi de leitura obrigatória para todos médicos e enfermeiros da unidade.

Resultados: A densidade de incidência de VAP foi reduzida em 28% (20,2 vs 14,6 por 1.000 Ventilação dias; P ¼.21, Teste Z), apesar de um aumento significativo da taxa de utilização do ventilador durante o período pós-intervenção (0,64 vs 0,88, P <0,0001, teste de Pearson c2). Houve uma redução estatisticamente significante na mortalidade entre os pacientes que receberam ventilação mecânica por 48 horas no período pós-intervenção (49,3% vs 31,4%; P ¼ 0,029, teste c2 de Pearson).

Conclusões: Os programas educacionais têm um impacto positivo na redução da morbidade e mortalidade associada com infecções hospitalares.

 

Fonte: American Journal of Infection Control 42 (2014) 111-5.

 

Resenha por: Thalita Gomes do Carmo e Antonio Tadeu Fernandes.


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