São raros os estudos que detectaram sazonalidade na ocorrência das infecções hospitalares. Os autores publicaram um estudo sobre sazonalidade de microrganismos em hospital escola do interior do  Estado de São Paulo,  com 450 leitos, dos quais apenas 52 são artificialmente climatizados. Foram avaliadas hemoculturas positivas de pacientes do infecção primária da corrente sanguínea obtidas entre 2005 a 2010, em hospital que realiza busca ativa de casos, utilizando critérios diagnósticos CDC/ANVISA.

Foi comparada a densidade de incidência de infecção por 10.000 pacientes dias entre os meses quentes (outubro a março) e os frios (abril a setembro). Os resultados foram significantes para: bacilos Gram negativos, 15,19 X 12,20 (p< 0,001); Acinetobacter baumanni 2,89 x 2,05 (p=0,02) e Enterobacter spp. 2,20 x 1,40 (p=0,01). Na análise multivariada a diferença esteve realicionada á temperatura e não a umidade relativa do ar (dados obtidos da estação metereológica da universidade).

Os próprios autores apresentam as principais limitações e sugestões referentes ao estudo, das quais destacamos: possibilidade de outros fatores terem influenciado o resultado (férias de verão reduzindo número de profissionais de saúde), mudanças na aderência às precauções/isolamentos, influencia do calor na virulência dos Gram negativos) e ausência de informações relativas ao uso de cateter vascular fora de UTIs. Eles sugerem enfatizar as principais medidas de controle nos meses quentes (higiene das mãos, precauções ?isolamentos, gerenciamento de antimicrobianos) e a necessidade de estudos multicêntricos para confirmar ou não essa hipótese. Parabenizamos a do Dr. Carlos Magno CB Fortaleza pela qualidade deste estudo.

 

Fonte: Infection Control & Hospital Epidemiology 35 (2014) 85-88.

Resenha por: Antonio Tadeu Fernandes


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