Qual o objetivo do estudo?

Comparar os fatores de risco e resultados de pacientes colonizados com Enterobacteriaceae resistentes a carbapenem (carbapenem-resistant Enterobacteriaceae – CRE) produtoras (carbapenamase producing – CP) e não produtoras de carbapenamase (non-CP).

Qual a justificativa do estudo?

CRE (por definição, resistentes a imipenem, meropenem, doripenem ou ertapenem) são um problema crescente em hospitais ao redor do mundo; elas representam uma ameaça de peso a saúde pública e são associadas com considerável morbidade e mortalidade.

Qual metodologia foi empregada?

Estudo histórico comparativo no âmbito de um hospital universitário de cuidado terciário de 1000 leitos – Soroka University Medical Center, Beersheba, Israel. Foram analisados adultos com cultura de swab positivas para CP-CRE, culturas de swab retal positivas para non-CP-CRE e culturas de swab retal negativas (não-CRE). Paciente infectados com CP-CRE e non-CP-CRE foram excluídos.

Pacientes adultos colonizados com CP-CRE e non-CP-CRE versus pacientes não colonizados com CRE hospitalizados durante 24 meses (julho de 2016 – junho de 2018) foram incluídos. Os pacientes foram identificados retrospectivamente por meio do laboratório de microbiologia e seus dados demográficos foram revisados para dados demográficos, doenças subjacentes, índice de Charlson, tratamento e resultado.

Quais os principais resultados?

Este estudo incluiu 447 pacientes para os quais um swab retal para CRE foi obtido: 149 positivos para CP-CRE, 149 positivos para non-CP-CRE e 149 negativos para ambos. Pacientes com CP-CRE e non-CP-CRE versus sem CRE com mais frequência residiam em lares de idosos (P<0,001), receberam antibióticos 3 meses antes da admissão (P<0,001) e receberam glucocorticosteróides 3 meses antes da admissão (P=.047 e P<0,001, respectivamente). Os fatores de risco exclusivos para colonização non-CP-CRE versus CP-CRE incluíram ventilação mecânica e movimentação do paciente entre os departamentos do hospital. Non-CP-CRE foi um preditor de ventilação mecânica 2,5 mais do que colonização de CP-CRE. A mortalidade hospitalar foi maior entre os pacientes não colonizados com CP-CRE. Na regressão multivariada de COX para a idade de predição de mortalidade, o índice de Charlson e o tratamento com esteroides 3 meses antes da admissão influenciaram a mortalidade (P=0,027, P=0,023 e P=0,013, respectivamente).

Quais as conclusões e recomendações finais?

Fatores de risco, sobrepostos e únicos, estão associados à colonização CP-CRE e non-CP-CRE. Pacientes colonizados por non-CP-CRE tiveram uma taxa de mortalidade hospitalar mais alta – contradizendo outros estudos prévios indicativos de que bacteremia CP-CRE seria mais virulenta – além de maior taxa de ventilação mecânica e maior período de internação hospitalar.

Limitações do estudo incluíram:

– Limitação a um único hospital de estudo – o que pode significar a impossibilidade de generalização dos resultados para outros centros médicos

– Exclusão de pacientes infectados com CP-CRE e non-CP-CRE

– Variação das condições de isolamento dos pacientes

Conhecer fatores de risco é fundamental para uma melhor assistência a saúde já a partir da admissão do paciente. Os autores concluem com uma reflexão sobre o papel pioneiro de tal estudo e ressaltam a necessidade de mais estudos aprofundados sobre o tema.

Que críticas e observações finais?

Há uma discrepância entre as informações de coorte descritas no texto do artigo e apresentadas na tabela. De acordo com o texto foram analisados 447 pacientes, sendo estes integrantes de 3 diferentes grupos de 147 pacientes. Neste caso o número de pacientes não é congruente com o número total relatado; seriam 441 pacientes apenas. Já se observarmos as tabelas apresentadas pelos autores, são relatados 3 grupos de 149 pacientes, o que totalizaria o N total de 447 pacientes. A autora indicada para correspondência foi contata para clarificação e foi confirmada a inclusão de 447 pacientes divididos em grupos de 149; o valor 147 foi um erro de digitação, segundo ela.

Fonte: Kassem A,et al. (2020). Risk factors and outcomes of patients colonized with carbapenemase-producing and non–carbapenemase-producing carbapenem-resistant Enterobacteriaceae. Infection Control & Hospital Epidemiology, 41: 1154–1161

Sinopse por: Maria Julia Ricci

Contato: maria.ricciferreira@edu.unito.it


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