Introdução: Derivação liquórica é um procedimento comumente utilizado para cuidados neurointensivos e, apesar do advento de técnicas neurocirúrgicas modernas, novos antibióticos e exames de imagem, a infecção após inserção de dispositivos de derivação liquórica ainda é um grave desfecho, associado à hospitalização prolongada, custos elevados do tratamento e alta morbimortalidade.

Objetivos: Descrever a taxa de infecção associada a dispositivos de derivação liquórica e fatores relacionados a esse desfecho entre os pacientes que realizaram estes procedimentos no IIER, no período de janeiro de 2005 a abril de 2009.

Métodos: Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo. Foram incluídos 59 pacientes que implantaram dispositivos de derivação liquórica, com idade maior ou igual a 18 anos. Os critérios de exclusão foram meningite ou ventriculite preexistentes e dados microbiológicos incompletos.

Resultados: A frequência de infecção associada a dispositivo de derivação liquórica foi 27,1% (N=16). Não houve diferença estatística relacionada à infecção hospitalar entre os portadores e não portadores de HIV (p=0,519). O sintoma mais comum associado à infecção de SNC relacionada a dispositivos de derivação liquórica foi febre, presente em 10 pacientes. Houve diferença estatisticamente significante entre os dois grupos, com ou sem infecção, frente à variável tempo de permanência do dispositivo externo (p=0,004).

Discussão: Taxa alta de infecção quando comparado com estudos anteriores. O perfil de pacientes á grave, a maioria com imunossupressão severa. Tempo de permanência prolongado dos dispositivos externos. Não há estudos anteriores que abordam este tipo de infecção em pacientes HIV positivos. Conclusão: A taxa foi elevada, a suspeição clínica deve ser alta e a vigilância diária.

 

Autoras: Aline Vitali Grando e Aline Carralas Queiroz de Leão

 


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