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Os controladores de infecção (Infection Preventionists – IPs) são profissionais de saúde essenciais e desempenham um papel fundamental no planejamento e resposta a situações de pandemia. O estudo teve como objetivo avaliar as experiencias de IPs durante os primeiros nove meses da pandemia de COVID-19. 

Qual a justificativa do estudo?

O vírus SARS-CoV-2, responsável pela doença COVID-19, foi identificado em janeiro de 2020 e foi declarado uma pandemia em março de 2020. O COVID-19 rapidamente sobrecarregou as unidades e os trabalhadores de saúde. Os controladores de infecção (Infection Preventionists – IPs) são profissionais de saúde essenciais e desempenham um papel fundamental no planejamento e resposta a situações de pandemia; além disso, eles enfrentam o desafio único de responder a mudanças frequentes nos requisitos e recomendações conforme a ciência evolui.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo avaliar as experiencias de IPs durante os primeiros nove meses da pandemia de COVID-19. Buscou ainda avaliar as preferencias desses profissionais em relação a educação sobre prevenção de infecção relacionada ao COVID-19 e aos materiais de referência que eles acreditam ser mais uteis para tal fim.

Qual metodologia foi empregada?

Foram conduzidos 7 grupos focais com membros da Associação de Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia dos EUA (Association of Professionals in Infection Control and Epidemiology – APIC) entre setembro e outubro de 2020.  Os participantes foram recrutados por meio de um newsletter, sendo que a participação foi voluntaria. Todos os encontros foram realizados por meio da plataforma de videoconferência Zoom.

Os participantes se autodividiram nos seguintes grupos: ambiente ambulatorial, cuidados de longa duração, cuidados agudos, áreas rurais (2 grupos), novos IPs (experiencia inferior a 3 anos) e IPs experientes (experiencia superior a 10 anos). Durante os grupos focais foram utilizadas perguntas abertas para auxiliar a descrição das experiencias durante a pandemia de COVID-19; os participantes responderam também uma breve pesquisa com dados demográficos.

A análise de dados consistiu em identificar, codificar e categorizar as declarações dos IPs usando análise de conteúdo; com identificação das principais temáticas.

Quais os principais resultados?

No total, participaram 73 IPs – média de 10 participantes por grupo focal – representando todas as áreas geográficas e ambientes de trabalho. A maioria dos participantes (n=70; 95.9%) foram mulheres e 2/3 (n=49; 43.8%) trabalhadores de hospitais.

Um dos principais desafios descritos foi relacionado aos equipamentos de proteção individual. Os participantes descreveram dificuldades relacionadas a insuficiência e dificuldade de acesso a esses equipamentos. O papel de vigilância do uso correto de EPIs por todos os membros do hospital também foi apresentado como um grande desafio que aumentou conforme o decorrer da pandemia, juntamente com o “desleixo” relacionado ao uso destes.

Outro desafio relevante foi a rápida mudança e a falta de orientações congruentes. Essa falta de instruções adequadas tornou difícil o papel de responder a perguntas de funcionários, realizar treinamento eficaz, e desenvolver políticas internas baseadas em evidências.

Outras temáticas tratadas incluíram a falta de recomendações especificas para ambientes de cuidados não agudos, complacência das equipes de saúde com os EPIs e protocolos de prevenção de infecção, e o aumento das infecções relacionadas a assistência à saúde e da carga de trabalho.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os autores concluem que os IPs desempenham um papel crítico seja no planejamento que na resposta à situações de pandemia. Sendo essenciais para as estruturas de saúde. O estudo foi capaz de identificar os desafios enfrentados durante a pandemia de COVID-19 e evidenciou lacunas que precisam ser abordadas a fim de minimizar o risco de infecções hospitalares e de doenças ocupacionais. Além disso, os pesquisadores sugerem que os tópicos educacionais que necessitam ser melhorados de acordo com os IPs podem ser desenvolvidos no âmbito de novos programas e recursos educacionais.

Quais as limitações do estudo?

Os pesquisadores citam algumas limitações relacionadas a generalização dos resultados. Deve-se notar que apenas membros da APIC foram convidados a participar e, portanto, os resultados podem não ser generalizáveis para não-membros ou para membros que optaram por não participar. Além disso, cerca de dois terços dos participantes declararam trabalhar em cuidados intensivos, de forma que os resultados podem ser menos generalizáveis para outros ambientes de prática.

Que críticas e observações?

Apesar das limitações numéricas e de representatividade deste estudo, ele é um exemplo de um ramo fundamental de pesquisa cientifica que pode gerar resultados concretos no futuro. É de conhecimento geral dentro do ambiente de cuidados a saúde que endemias e pandemias são e serão cada vez mais parte da vida humana; é importante, portanto, ser capaz de extrair de tais experiencias pontos de melhoria para os próximos períodos pandêmicos. Os controladores de infecção tiveram e tem papel fundamental na prevenção e no controle de infecções e escutar abertamente a experiencia destes profissionais é parte fundamental para incrementar e melhorar os atuais protocolos e práticas educacionais.

 

Fonte: Rebmann T, Alvino RT, Mazzara RL, Sandcork J. Infection preventionists’ experiences during the first nine months of the COVID-19 pandemic: Findings from focus groups conducted with Association of Professionals in Infection Control & Epidemiology (APIC) members. Am J Infect Control. 2021 Sep;49(9):1093-1098

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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