Chamorey e equipe realizaram um estudo multicêntrico na França comparando lavagem e anti sepsia das mãos com soluções alcoólicas em relação à presença de pele seca e irritação.

Em uma análise multivariada, os seguintes fatores foram associados à presença de pele seca: meses frios (2,04; 1,80-2,32); uso de agentes protetores (1,35; 1,16-1,50; segundo autores isto pode ser devido a pessoas com intolerância prévia tendem a utilizar com mais frequência estes agentes); atividades externas ao trabalho (1,32; 1,16-1,50); fatores constitucionais como atopia, alergia e patologias de pele (1,31; 1,18-1,45); hábitos como roer unhas ou coçar as mãos (1,26; 1,13-1,41); profissionais de saúde x pessoal administrativo (1,23; 1,06-1,43); número de vezes que lava as mãos (1,03; 1,02-1,04). O número de vezes que realiza a antissepsia não apresentou significância estatística.

Em relação à irritação da pele os seguintes fatores se destacaram: meses frios (2,17; 1,83-2,57); atividades externas ao trabalho (1,40; 1,18-1,66); profissionais de saúde (1,34; 1,09-1,65); fatores constitucionais (1,27; 1,10-1,46); hábitos (1,26; 1,08-1,47); uso de agentes protetores (1,18; 1,03-1,36). Por outro lado, o uso de antissepsia com soluções alcoólicas (Purell, Aniosgel e Sterillun gell) apresentou efeito protetor que aumenta com média de uso: pele seca (0,98; 0,97-0,99); irritação (0,98; 0,97-0,99).

Segundo os autores, este estudo apresenta um argumento de peso para vencer resistências ao emprego da antissepsia das mãos com soluções alcoólicas em substituição a lavagem das mãos. Como comentários ao artigo eu coloco que não foi realizada uma comparação direta entre álcool e sabão, embora a curva dose efeito mostre correlação positiva entre número de lavagem das mãos e presença de quadros dermatológicos, e correlação inversa quando é empregada solução alcoólica, particularmente acima de 10 aplicações diárias, em média.

Outro comentário que faço, relaciona-se ao artigo não deixar bem clara a relação causa-efeito entre vários fatores como prurido ou uso de agentes protetores x problemas dermatológicos. Além disso, o foco principal do desenho do estudo parece não ter sido comparar sabão com solução alcoólica e outros fatores foram mais significativos na explicação dos quadros dermatológicos, por exemplo, estação do ano e fatores externos ao trabalho. Não ficou claro se foram controlados ou comparados nos grupos álcool x sabão e eles podem ter interferido nos resultados apresentados.

Fonte: American Journal of Infection Control: vol 39, pags 6-13, fev 2011

Resenha elaborada por Antonio Tadeu Fernandes para CCIH Revista.

 

Revisado e atualizado por Antonio Tadeu Fernandes
para Memória CCIH


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