A equipe do Dr. Delgado-Rodrigues realizou um estudo prospectivo de infecção do sítio cirúrgico comparando a incidência e os fatores de risco para os episódios detectados durante a hospitalização e após a alta. Seu hospital tem 680 leitos, localizado em Jaén, Andaluzia no sul da Espanha. A identificação dos casos durante a internação foi por busca ativa e seguiu os critérios do CDC. Um mês após a alta, os pacientes foram contatados por telefone e inquiridos quanto a presença de febre, alterações observadas na cicatriz cirúrgica, uso de antibióticos, consultas médicas e atendimentos de urgência desde sua alta hospitalar. Todos os casos que apresentavam indícios de infecção foram examinados posteriormente por um médico da equipe para confirmar ou afastar a suspeita. Foram avaliados 1.444 pacientes, representando 97,8% do total.

Dos 1.506 pacientes incluídos no estudo, 223 (14,8%) desenvolveram infecção do sítio cirúrgico, dos quais 123 (8,3%) durante a hospitalização e 103 (7,5%) após a alta, sendo que três desenvolveram episódios durante a internação e após a alta. Os sintomas ocorreram em 68 casos, uma semana após a alta, 21 na segunda, 6 na terceira e 8 na quarta semana ou em período maior. A maioria dos casos foi observada em cirurgias limpas, ao contrário do que acontece com a detecção durante a internação. Os maiores índices foram obtidos em: cirurgia vascular (13,5% X 4,6%, durante a internação); cirurgia plástica (12,9% X 6,5%); cirurgia torácica (7,8 X 2,8%). Uma das possíveis causas para isto é a menor hospitalização destes pacientes e principalmente por serem hospitalizados com menor frequência após a alta, dificultando o diagnóstico dos casos.

Foram analisados os seguintes fatores de risco pré-operatório: hábito de fumar ou alcoolismo, peso e altura, colesterol total e HDL, creatinina sérica, provas de função hepática, imunodeficiência e índice de risco anestésico (ASA). Durante a hospitalização foram identificados os seguintes fatores, incluindo o período de exposição: acesso venoso periférico, cateter venoso central, sonda vesical, ventilação mecânica, nutrição parenteral, bloqueadores He antibióticos. Da cirurgia foram registrados: cirurgião, incluindo seu risco cirúrgico específico, potencial de contaminação, duração da cirurgia, anestesia e o Índice de Risco Cirúrgico (IRIC). A significância foi obtida a partir do cálculo do risco relativo empregando-se o programa Statcalc do Epi Info e para a análise de regressão logística, foi empregado o programa LR do pacote estatístico BMDP Statistical Software, desenvolvido na Irlanda.

Os fatores de risco que tiveram significância para as infecções detectadas durante a hospitalização foram: gravidade da doença (obtida de acordo com o critério de McCabe & Jackson, que classifica os pacientes de acordo com a sua possível evolução para óbito), índice ASA, IRIC e potencial de contaminação da cirurgia. Entretanto, nenhum destes fatores foi significante para as infecções detectadas após alta, onde se destacou o índice de massa corpórea. Assim, concluíram os autores que os indicadores classicamente empregados não são determinantes do risco de infecção do sítio cirúrgico identificada após a alta do paciente.

 

Fonte: Delgado-Rodriguez M, Gómez-Ortega A, Sillero-Arenas M, Llorca J: Epidemiology of surgical-site infections diagnosed after hospital discharge: a prospective cohort study. Infect Control Hosp Epidemiol 2001; 22: 24-30

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2002.


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