Conforme relatamos anteriormente, estudo chinês mostrava possível ação da cloroquina no tratamento de infecções por Covid-19, sem, entretanto, apresentar os dados. Agora no hospital do instituto de infectologia de Marseille foi realizado em ensaio clínico que segundo os autores comprova estatisticamente este efeito. A associação da cloroquina com azitromicina teve um resultado ainda melhor. Este antibiótico mostrou em estudos anteriores in-vitro atividade contra os vírus da Zika e do Ebola e previne infecção grave do trato respiratório.

Os critérios de inclusão neste estudo foram: idade acima de 12 anos; portador nasal de Covid-19 diagnosticado por PCR. Os critérios de exclusão foram: alergia à cloquina ou hidroxicloquina, contraindicações conhecidas a estes medicamentos (retinopatia, deficiência em G6PD, prolongamento do intervalo QT no ECG), gravides e aleitamento materno. Os pacientes foram classificados em 3 categorias: portadores assintomáticos (16,7%), com infecção de vias aéreas superiores (61,1%), com pneumonia (22,2%).

Foram avaliados no estudo 36 pacientes, 20 recebendo hidroxicloroquina e 16 no grupo controle. Os grupos eram comparáveis quanto a sexo, gravidade e duração prévia dos sintomas. A média de idade dos pacientes que receberam hidroxicloroquina foi 51,2 anos versus 37,3 anos do grupo controle. O medicamento foi empregado na dose de 200mg, três vezes ao dia por 10 dias. Optou pela hidroxicloroquina devido sua menor toxicidade que a cloroquina. No grupo da hidroxicloroquina seis pacientes receberam também azitromicina 500 mg no primeiro dia, mais 250 mg pelos 4 dias seguintes.

Os resultados foram medidos pela eliminação do estado de portador no sexto dia de tratamento e no final do estudo, além do acompanhamento da evolução clínica. Segundo os autores a significância estatística foi calculada a partir do chi-quadrado e do teste exato de Fisher pelo programa Stata versão 14.2. A negativação do estado de portador no sexto dia de tratamento foi 70% no grupo de intervenção versus 12,5% no grupo controle, com significância estatística (p= 0,001). Todos os pacientes que receberam a associação com azitromicina não eram mais portadores no sexto dia de tratamento versus 57,1% dos que receberam hidroxicloroquina isoladamente. Este efeito foi maior nos pacientes sintomáticos.

Segundo os autores, a significância destes achados, aliada ao possível impacto destas medidas na atual pandemia obrigaram os autores a publicarem o resultado de seus estudos preliminares. Na China um paciente permanecia portador em média 19 dias, chegando a 37. Estes dados, se confirmados, pode ter um grande impacto na transmissão da doença. A ausência de resposta observada em alguns pacientes pode ser devida a mutação do vírus ou distúrbio metabólico do paciente que facilita a eliminação da droga. Os autores chegam a sugerir a quimioprofilaxia dos profissionais de saúde par prevenir sua contaminação. Como limitações do estudo eles colocam o pequeno tamanho da amostra, o seguimento limitado e a perda de 6 pacientes durante o estudo, todos do grupo de hidroxicloroquina (3 foram para UTI, 1 faleceu, 2 abandonaram a sequência do estudo ao saberem ter negativado).

Sinopse por: Antonio Tadeu Fernandes

Fonte:https://www.mediterranee-infection.com/wp-content/uploads/2020/03/Hydroxychloroquine_final_DOI_IJAA.pdf


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