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No ambiente cirúrgico, pacientes com COVID-19 podem desencadear surtos intra-hospitalares e ter resultados pós-operatórios piores. O estudo teve como objetivo avaliar a eficácia e economia de uma abordagem seletiva em cirurgias eletivas com o intuito de preservar a segurança do paciente.

Qual a justificativa do estudo?

No ambiente cirúrgico, pacientes com COVID-19 podem desencadear surtos intra-hospitalares e ter resultados pós-operatórios piores. Uma grande pesquisa internacional (Bellato V et al) investigou a prática cirúrgica global durante o curso da pandemia de COVID-19 e destacou a insuficiente triagem pré-operatória para COVID-19. Ainda não está claro se o teste de reação em cadeia de polimerase (PCR) deve ser realizado para todos, incluindo assintomáticos, ou apenas para pacientes selecionados de cirurgia eletiva.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo avaliar a eficácia e economia de uma abordagem seletiva em cirurgias eletivas com o intuito de preservar a segurança do paciente. A abordagem consistiu em um plano de triagem durante admissão para testar SARS-CoV-2, dando prioridade aos procedimentos cirúrgicos com maior risco potencial de resultados cirúrgicos adversos para pacientes com COVID-19.

Qual a metodologia utilizada?

O estudo foi realizado no Alicante General University Hospital, um centro de cuidados a saúde de nível terciário na Espanha. Foram analisados os resultados de todos os testes PCR para detecção de SARS-CoV-2 realizados no âmbito do programa de pré-triagem cirúrgica entre 30 de junho de 2020 e 23 de novembro de 2020.

O protocolo de ação pré-cirúrgica elaborado pelo grupo COVID local determinava realização do teste PCR quando: o paciente apresentava características clinicas compatíveis com COVID-19 e/ou quando ocorreu contato epidemiológico com casos COVID-19 nas 2 semanas anteriores; ou quando o procedimento havia maior risco potencial de resultados adversos para pacientes com COVID-19 não diagnosticado – i.e. cirurgia torácica, cardíaca ou abdominal ou que requer permanência subsequente no departamento de recuperação pós anestésica.

Quais os principais resultados?

Durante o período de estudo foram realizados 8740 procedimentos cirúrgicos no centro de estudo. Destes, foi realizado o PCR pré-cirúrgico em 2.292 (25.9%) procedimentos com incidência de resultado positivo em 0,0022% (5/2292). Os casos positivos foram: 2 em otorrinolaringologia, 2 em traumatologia e 1 em cirurgia pediátrica.

Durante o mesmo período, 113 casos de COVID-19 foram detectados entre os 1736 profissionais de saúde; porém apenas dois desses casos estavam associados a cuidados de saúde e nenhum dos casos era membro da equipe cirúrgica.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Com base nos resultados deste programa de teste de PCR não-universal como medida de controle de COVID-19, os autores concluem que houve uma baixa incidência populacional de COVID-19 em pacientes cirúrgicos assintomáticos; além disso, nenhum caso de HAIs foi identificado na área cirúrgica; e, por fim, não houve mudanças na mortalidade geral ou tempo de internação hospitalar. Os autores ressaltam também que houve mais resultados falso-positivos (n=10) do que PCR verdadeiramente positivos (n=5).

Sendo assim, os autores defendem que as evidências não suportam a prática de testar todos os pacientes com RT-PCR antes da cirurgia, mesmo em áreas com alta incidência de infecção por SARS-CoV-2.

Quais as limitações do estudo?

Os pesquisadores ressaltam algumas limitações do estudo. Primeiramente, o estudo foi realizado em um contexto epidemiológico de média-alta incidência de infecção por SARS-CoV-2; como apenas 5 pacientes COVID positivos foram identificados, o pequeno tamanho da amostra impediu a caracterização da sintomatologia do paciente. Além disso, é fundamental notar que a taxa extraordinariamente baixa de positividade da PCR em pacientes submetidos à cirurgia é inerente à seleção dos pacientes por meio de uma estratégia abrangente, que incluiu: isolamento antes da cirurgia em uma população com grande preocupação com sua saúde e, possivelmente, com uma alta taxa de adesão as medidas de isolamento; a avaliação de sintomas compatíveis e contatos de risco; e a seleção de procedimentos cirúrgicos que são suscetíveis a um desfecho desfavorável relacionado ao COVID-19 não diagnosticado. Isso significa que a amostra não é representativa da população geral, sendo a prevalência da doença (probabilidade de COVID 19) muito baixa nesses pacientes selecionados. Assim, neste cenário clínico, o valor preditivo positivo do SARS-CoV-2-PCR é muito baixo devido à baixa prevalência.

Que críticas e observações?

O estudo é uma boa demonstração de como a testagem de pacientes cirúrgicos para COVID-19 pode tornar-se obsoleta quando parte de uma abordagem abrangente de prevenção e controle de infecção. A redução da testagem pode ter impactos econômicos notáveis dependendo da situação do sistema de saúde em questão e, portanto, abordagens abrangentes eficientes podem ser uma boa alternativa. Ressalte que ao contrário de nosso país, aparentemente a comunidade seguiu a contanto, sem grandes contestações, as medidas não farmacológicas para prevenção do contágio.

Fonte: Moreno-Pérez O, Merino E, Chico-Sánchez P, Gras-Valentí P, Sánchez-Payá J; COVID19-ALC Research Group. Effectiveness of a SARS-CoV-2 infection prevention model in elective surgery patients – a prospective study: does universal screening make sense? J Hosp Infect. 2021 Sep;115:27-31

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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