As formulações para esfregar as mãos recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) têm sido utilizadas ao redor do mundo por pelo menos 10 anos; o advento da COVID-19 intensificou ainda mais seu uso. Essa revisão de literatura analisa a eficácia das diferentes formulações de acordo com as normas europeias (European Norms – EN).

Qual o objetivo do estudo?

Fornecer um panorama geral dos dados publicados de eficácia em relação as formulações originais recomendadas pela OMS e suas variantes.

Qual a justificativa do estudo?

Especialmente durante situações de escassez que ocorrem/ocorreram – também, mas não apenas – no contexto da pandemia de COVID-19, profissionais da saúde são colocados frente a incerteza sobre a eficácia da ação de formulações para fricção higiênica das mãos, antissepsia cirúrgica das mãos e contra agentes infecciosos (e.g. SARSCoV-2).

Qual metodologia foi empregada?

Foram avaliados 9 estudos sobre a eficácia das 2 formulações originais para fricção de mãos recomendadas pela OMS e 6 formulações modificadas.

Formulações originais:

I: 80% v/v etanol (~73.5% w/w), 1.45% v/v glicerol, e 0.125% v/v peróxido de hidrogênio

II: 75% v/v isopropanol (~67.8% w/w), 1.45% v/v glicerol, e 0.125% v/v peróxido de hidrogênio

Formulações modificadas:

Ia: 80% w/w etanol, 1.45% v/v glicerol, e 0.125% v/v peróxido de hidrogênio

Ib: 80% w/w etanol, 0.725% v/v glicerol, e 0.125% v/v peróxido de hidrogênio

Ic: 80% w/w etanol, 0.5% v/v glicerol, e 0.125% v/v peróxido de hidrogênio

IIa: 75% w/w isopropanol, 1.45% v/v glicerol, e 0.125% peróxido de hidrogênio

IIb: 75% w/w isopropanol, 0.725% v/v glicerol, e 0.125% peróxido de hidrogênio

IIc: 75% w/w isopropanol, 0.5 % v/v glicerol, e 0.125% peróxido de hidrogênio

Parâmetros de eficácia utilizados foram: EN1500 para fricção higienizadora, EN12791 para antissepsia cirúrgica e EN14476 para ação virucida.

Quais os principais resultados?

As formulações originais (I e II) se mostraram eficazes para higienização das mãos apenas se feitas 2 aplicações consecutivas de 3ml por 30 segundos – totalizando 6ml por 60 segundos – e ineficientes para antissepsia cirúrgica.

A modificação apenas da concentração w/w do agente alcoólico (Ia e IIa) teve demonstrada melhora de eficácia para fricção higienizadora – sendo necessária apenas uma aplicação de 3 ml por 30 segundos – porém ainda ineficiente para antissepsia cirúrgica.

Quando, somada a primeira modificação, há também redução da concentração de glicerol (Ib, Ic, IIb e IIc) significante melhora de eficácia para fricção de antissepsia cirúrgica foi constatada. Com concentração de glicerol reduzida à 0.725% eficácia para antissepsia cirúrgica foi obtida em 5 minutos; com redução à 0.5% em 3 minutos.

Atividade virucida contra uma variedade de vírus envelopados (SARS-CoV-2 incluso) foi considerada suficiente já a partir das formulações originais, sendo necessária aplicação por 30 segundos.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Um maior tempo de fricção necessário está associado a uma menor adesão correta a protocolos de higienização portanto, com base nos dados disponíveis, os autores sugerem a adoção das formulações modificadas em detrimento as originais – principalmente as formulações Ic e IIc. Adoção dessas formulações mostrou-se positiva inclusive para práticas perioperativas preventivas e para diminuição do risco de SSI (Infecção de Sitio Cirúrgico).

Fórmulas com menos glicerol tendem a ser intuitivamente relacionadas com maior ressecamento das mãos, porém as formulações relatadas tiveram boa aceitação e as alterações na composição não demonstraram causar maior ressecamento.

Que críticas e observações finais?

O artigo traz de forma concisa uma importante comparação da eficácia das diferentes formulações seguindo parâmetros de regulamentação europeus. Como ressaltado pelos autores, não há intenção de utilização de tais formulações no lugar de formas comerciais de eficiência comprovada e certificada; a comparação com parâmetros regulatórios serve principalmente a ambientes em que acesso a produtos comerciais seja difícil ou impossível (inclusive se por motivos financeiros). Ressaltamos também, que as principais formulações disponíveis no Brasil são diferentes das testadas.

Fonte: Suchomel, M. et al. – Efficacies of the original and modified World Health Organization recommended hand-rub formulations. Journal of Hospital Infection, Volume 106, Issue 2. p. 264 – 270.

Sinopse por: Maria Julia Ricci

Contato: [email protected]



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