Estudo avalia o impacto da pesquisa e descolonização de pacientes portadores nasais de S. aureus previamente a cirurgias de prótese articular.

Qual a importância deste artigo?

As infecções articulares de prótese (IAP) são as complicações mais temidas pós substituição articular total, estando associadas a uma morbidade significativa, levando ao comprometimento funcional e/ou até a amputação.

Muitos estudos associam a colonização de pacientes com Staphylococcus Aureus ao risco aumentado de infecção de sítio cirúrgico, sendo que um quarto da população geral são portadores assintomáticos e têm as narinas como principal local de colonização.

Qual o objetivo do estudo?

Fortalecer evidências que apoiem no pré operatório a triagem e descolonização do S. aureus em pacientes submetidos à substituição articular total primária ou de revisão de quadril e joelho. 

Como foi realizado o estudo?

Estudo quase-experimental de melhoria da qualidade comparando as taxas de IAP em 5 anos (2005-2010) com o período de intervenção de 01 ano, realizando triagem e descolonização dos pacientes.  Foram incluídos na análise um total de 8.505 pacientes no grupo controle e 1.883 no grupo intervenção. Pacientes que realizaram artroplastia para diagnóstico oncológico ou reparo pós fratura de quadril foram excluídos do estudo.

Como realizou-se o Grupo Intervenção?

No Grupo Intervenção foi realizada a triagem de todos os pacientes através de coleta de swab nasal e de faringe para rastreio de S. aureus.

Os pacientes que apresentaram resultados positivos foram contatados por uma enfermeira, esta orientou a realização do protocolo de descolonização do S. aureus: realizar duas vezes ao dia mupirocina intranasal a 2% durante 5 dias antes da data da cirurgia (excluindo o dia da cirurgia), e utilizar uma vez por dia toalha de gluconato de clorexidina à 2% pelo período de 4 dias antes da cirurgia e na manhã do procedimento. 

Quais foram os principais achados?

Foram identificados 424 (22.5%) pacientes portadores de S.aureus do grupo intervenção, aos quais foram solicitados que realizassem o protocolo de descolonização. Sendo que, 85% dos pacientes cumpriram todo o protocolo e destes, 82% triaram negativo para S.aureus no dia da cirurgia.

Quanto aos pacientes que triaram negativo no pré operatório, 7.3% (106) testaram positivo no dia do procedimento. No pós operatório de um ano, as taxas de IAP foram semelhantes nos dois grupos: 0.5% no grupo controle e 0.4% no grupo intervenção, porém com redução significativa da participação do S.aureus no grupo de intervenção.

Quais foram as conclusões deste estudo?

O estudo relata significativa redução colonização por S.aureus quando se aplicado o protocolo de triagem e descolonização, porém não foi observada diferença significativa nas taxas gerais de infecção.

De um modo geral existem fortes evidências de que o transporte nasal de S.aureus é importante fator de risco para IAP, porém quando se aplicado protocolos de descolonização, não se evidencia redução significativa de infecção, não sendo portanto incluídas nas diretrizes atuais.

Os pontos fortes do estudo inferem-se ao tamanho da amostra (mais de 10mil pacientes), descolonização eficaz do S.aureus no pré operatório, redução de infecções por este microrganismo, mas sem reduzir taxa de infecções do sítio cirúrgico.

O estudo mostra que a implementação rotineira da triagem e posterior descolonização do S. aureus no pré operatório foi associada a redução de colonização e infecção por S.aureus, mas não teve alteração nas taxas gerais de IAP.

Fonte: Romero-Palacios A et al: Screening for and decolonization of Staphylococcus aureus barriers before total joint replacement is associated with lower S aureus prosthetic joint infection rates. American Journal of Infection Control: Volume 48, Issue 5, May 2020, Pages 534-537.

Sinopse por: Enfª. Walquiria Santana

Contato: (https://www.linkedin.com/in/walquiriasantana/)


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