Inscreva-se já.

Unhas compridas e esmaltadas são às vezes desaconselhadas em serviços de saúde e nossa ideia de manicure envolve cortes, preenchimento, moldagem e retirada de cutículas. Atualmente observa-se uma tendência à sofisticação tecnológica desenvolvendo, entre outras, unhas artificiais, emprego de arte e joias. Estas unhas exigem reparos constantes, geralmente realizados com material de fibra de vidro. Entretanto, segundo os autores, existem poucas referências a respeito do risco de infecção relacionada a estas práticas.

Os autores descrevem sumariamente as principais tecnologias desenvolvidas: capa ungueal (gel que cobre e protege a unha favorecendo seu crescimento); unhas artificiais (aplicadas no leito ungueal, compostas de acrílico, fibra de vidro ou seda); cobertura ungueal (extensão das unhas naturais de fibra de vidro); pinturas na unhas (podem ser incorporadas zircônio, brilhante, pérola e metais dourados, piercing e pedras preciosas, aplicados a partir de matrizes) e esculturas (tridimensionais).

Cuidados com a higiene e descontaminação de artigos nos salões de beleza são essenciais. Existe a possibilidade de contaminação cruzada a partir de cubas, alicates para remover cutículas, lixas, estiletes, espátulas, pincéis, cortadores de unha, tesouras, entre outros artigos. Alguns salões oferecem artigos individuais, mas artigos não descartáveis, como tesouras, necessitam de esterilização, segundo os autores, entre seus usos. Também são eliminados vapores de produtos químicos e nos Estados Unidos, mesas de manicure com um sistema especial de ventilação foi desenvolvido para redução de asma ocupacional. Foi realizado um estudo em Portugal poucas manicures tinham conhecimento de práticas relacionadas à transmissão do HIV.

A utilização destes artefatos nas unhas também interfere com o trabalho dos profissionais de saúde. Unhas compridas reduzem a destreza e a capacidade de apreensão das mãos, podem perfurar luvas e enroscar em artigos, leitos e curativos. As extensões ungueais podem se partir ou perder em cerca de duas a três semanas, se não forem alvo de cuidados especiais. O leito ungueal pode se tornar amarelado, seco, com fissuras, por perda do seu óleo natural e a unha natural pode atrofiar e desenvolver infecção fúngica. Pode ocorrer paroníquia, alergia, sensibilização a várias substâncias empregadas e até metahemoglobinopatia.

Além disso, unhas longas ou artificiais podem transmitir microrganismos, pois unhas artificiais apresentam maior probabilidade de albergar patógenos, principalmente os bacilos Gram negativos, que são mais dificilmente removidos, comparando-se com unha normal. Um surto de infecção por Pseudomonas em UTI neonatal foi associado a dois profissionais de enfermagem, um com unhas longas e outro com unhas artificiais. Estas últimas foram também implicadas em surto de infecção cirúrgica em cirurgias cárdio-vasculares. A utilização de esmaltes não altera a carga microbiana ungueal, embora nos pacientes possa dificultar a visualização propedêutica de sua cor. As vezes são aplicados produtos inflamáveis, podendo representar problemas se diatermia é empregada.

 

Fonte: Jeanes A, Green J. Nail art: a review of current infection control issues. J hosp Infection (2001) 49: 139-142.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.



Ficou interessado? Conheça nossos cursos MBA's e Express