Neste documento temos importante posicionamento do CDC quanto aos reuso e de máscaras, orientações atualizadas da OMS para prevenção de contaminação durante esta pandemia, papel da enfermagem nesta pandemia, fabricação de máscaras, uso de cloroquina/hidroxicloroquina e plasma de convalescentes e óbitos confirmados em profissionais de enfermagem.

Este novo boletim foi elaborado em conjunto por: Laura Czekster Antochevis, Vanessa Lopes e Antonio Tadeu Fernandes.

CDC se posiciona sobre processamento de máscaras N95

A reutilização de máscaras N95 ou PFF 2 é uma realidade em todo mundo devido pandemia do novo Coronavírus e necessidade destes EPIs, para dar segurança aos profissionais de saúde. Mas quais as evidências científicas sobre a possibilidade de descontaminação, quais os melhores métodos e manutenção da capacidade filtrante após processamento? O CDC fez uma revisão científica e resumiremos as principais conclusões. Essas máscaras não são aprovadas para descontaminação e reutilização de rotina.  Com base nas pesquisas limitadas disponíveis, a irradiação germicida ultravioleta, o vapor de peróxido de hidrogênio vaporoso e o calor úmido mostraram-se os mais promissores como métodos potenciais para descontaminar.

As superfícies das máscaras podem ficar contaminadas enquanto filtram o ar de inalação do usuário durante exposições a aerossóis carregados de patógenos, que podem ser transferidos para o usuário durante sua colocação, retirada e ajustes. Um estudo avaliando a persistência do SARS-CoV-2 (o vírus que causa o COVID-19) em superfícies de plástico, aço inoxidável e papelão mostrou que o vírus é capaz de sobreviver por até 72 horas. Uma estratégia para mitigar a transferência de patógenos da máscara para o usuário, durante a reutilização, é fornecer cinco máscaras para cada profissional de saúde que possa cuidar de pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19. O profissional de saúde usará um respirador por dia e o armazenará em um saco de papel respirável ao final de cada turno. A ordem de uso da FFR deve ser repetida com um mínimo de cinco dias. Isso fará com que cada trabalhador tenha um mínimo de cinco máscaras, desde que os coloque utilize e os armazene adequadamente todos os dias. Se os suprimentos forem ainda mais limitados e os respiradores não estiverem disponíveis para cada trabalhador que precisar deles, poderá ser necessária à sua descontaminação.

A descontaminação e subsequente reutilização devem ser praticadas apenas como uma estratégia durante esta pandemia, pois não há métodos autorizados pelo fabricante para descontaminação. Somente os fabricantes de respiradores podem fornecer orientações confiáveis ​​sobre como descontaminar seus modelos específicos. A descontaminação tem que garantir a eficiência de filtração, a respirabilidade e manutenção da perfeita adaptabilidade à face do usuário e não apresentar risco químico residual. No entanto, dadas as incertezas sobre o impacto da descontaminação no desempenho do respirador, essas máscaras reprocessadas não devem ser usados ​​pelos profissionais de saúde ao executar um procedimento que gere aerossóis. Não existem dados atuais que apoiem a efetividade desses métodos de descontaminação, especificamente contra o SARS-CoV-2 nas máscaras. Outros patógenos também podem estar presentes.  Portanto, mesmo após a descontaminação, esses FFRs devem ser manuseados com cuidado.

Os profissionais de saúde devem tomar as seguintes medidas de precaução antes de usar uma máscara descontaminada:

  • Higiene das mãos com água e sabão ou álcool gel antes e depois de tocar ou ajustar as máscaras
  • Evite tocar no interior das máscaras.
  • Use um par de luvas limpas (não esterilizadas) ao vestir e executar uma verificação da vedação do usuário.
  • Inspecione visualmente a máscara para determinar se sua integridade foi comprometida.
  • Verifique se componentes como o elástico, ajuste nasal e material de espuma nasal não se degradaram, o que pode afetar a qualidade da vedação.
  • Se a integridade de qualquer parte da máscara for comprometida ela deve ser descartada.

Vapor de peróxido de hidrogênio

Estudos sobre a descontaminação de máscaras N95 PFF 2 forneceram evidências de poucos danos à filtração e 99,9999% de eficiência na morte de esporos bacterianos, com uma redução de 6 logs nos esporos de Geobacillus stearothermophilus. Em um relatório preparado pelo Battelle Memorial Institute, na máscara da 3M, modelo 1860, demonstrou manter o desempenho de filtração por 50 ciclos de tratamento, porém a partir do vigésimo ciclo o elástico ficou danificado.  Dois estudos utilizando tempos distintos, mostraram eficiência do vapor de peróxido de hidrogênio. Esse processo além de complexo é bastante demorado. Entretanto, o uso de plasma de peróxido de hidrogênio com apenas 3 ciclos começou a comprometer o desempenho da filtração, sendo contraindicado.

Irradiação germicida ultravioleta

O ultravioleta é um método promissor, mas a eficácia da desinfecção depende da dose. Nem todas as lâmpadas UV fornecem a mesma intensidade, portanto, os tempos de tratamento teriam que ser ajustados de acordo. Além disso, é improvável que ultravioleta mate todos os vírus e bactérias em uma máscara devido a efeitos de sombra produzidos pelas múltiplas camadas do filtro. Além disso são necessárias precauções adequadas para evitar a exposição à pele ou aos olhos.

Calor úmido

Exposição de 15 a 30 minutos pelo calor úmido, composto por 60 ° C e 80% de umidade relativa, causou degradação mínima na filtração e no desempenho de máscaras testadas tendo ação virucida contra H1N1. Também teve eficácia, calor úmido, de 65 ° C e 85% de umidade. O fator limitante é que este método foi testado contra poucas espécies microbianas.

Vapor de água

Pode ser uma abordagem adequada para descontaminar as máscaras com um efeito mínimo na filtração. Usaram sacos de vapor de micro-ondas projetados para desinfetar equipamentos de alimentação infantil, com 60 mls de água potável em exposições de até 2 minutos, para descontaminar seis modelos apresentando 99,9% de inativação do bacteriófago MS2. O desempenho da filtração de todos as máscaras testadas manteve-se normal  em até 3 ciclos. Porém, nem todos os microondas têm a mesma potência e além disso,  as bandas metálicas dos fixadores nasais podem provocar faíscas.

Peróxido de hidrogênio líquido

O peróxido de hidrogênio líquido não mostrou efeito no desempenho da filtração nas máscaras na submersão de até 30 minutos em concentrações de 3 a  6% de peróxido de hidrogênio. Todos os seis modelos testados não demonstraram alterações no desempenho do filtro após três ciclos de descontaminação.

Óxido de etileno

Foi demonstrado que o óxido de etileno (EtO) não prejudica o desempenho da filtração das máscaras testadas. Não causa alterações físicas visíveis na aparência das máscaras. Porém, é um processo longo devido a necessidade de aeração pois é teratogênico e cancerígeno, se inalado. Além disso, a inalação crônica de EtO tem sido associada à disfunção neurológica e pode causar outros efeitos nocivos ao usuário.

Outras opções

A descontaminação usando uma autoclave, água sanitária, quaternários de amônia, calor seco a 160 ° C, álcool isopropílico a 70%, irradiação por microondas ou água e sabão causou degradação significativa da capacidade filtrante das máscaras.

Fonte: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/ppe-strategy/decontamination-reuse-respirators.html

Triste notícia: COFEN divulga nota sobre óbitos pelo COVID-19 entre os profissionais de Enfermagem

Até o final da tarde desta terça-feira (7/4), foram notificadas 16 mortes de profissionais por suspeita de COVID-19, segundo dados levantados pelo observatório do Cofen.

Fonte: http://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/Nota-Obtidos-por-Covid-19-Enfermagem.pdf

OMS libera mais um documento com orientações sobre o uso das máscaras no contexto do COVID-19

Material reforça as recomendações de uso adequado das máscaras pelos profissionais de saúde e indivíduos sintomáticos, elencando vantagens e desvantagens no uso do EPI por pessoas assintomáticas.

Confira o documento traduzido por Vanessa Lopes AQUI

Fonte: https://www.ccih.med.br/conselhos-sobre-o-uso-de-mascaras-no-contexto-do-covid-19/

CLOROQUINA: farmacologia e justificativa técnica

A Fundação Oswaldo Cruz divulgou uma nota técnica sobre a medicação cloroquina e seu uso no tratamento de pacientes infectados com SARS-Covid-2. Traz alertas importantes sobre dosagem e efeitos adversos.

Fonte: https://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2020/04/Orientac%CC%A7o%CC%83es-sobre-a-Cloroquina_Nota-tecnica-.pdf.pdf

Esclarecimento sobre máscaras da Associação Brasileira das Indústrias de Não Tecidos e Tecidos Técnicos

Diante da escassez da principal matéria-prima utilizada na confecção dos filtros das máscaras, a ABINT faz importantes esclarecimentos sobre a composição das diferentes máscaras e as performances esperadas.

Fonte: https://www.ccih.med.br/esclarecimentos-sobre-mascaras-2/

Diretrizes Para Diagnóstico E Tratamento Da Covid-19

O Ministério da Saúde reuniu as evidências científicas relacionadas à prevenção, diagnóstico, tratamento e monitoramento de pacientes infectados por coronavírus (COVID-19).

Fonte: https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/07/ddt-covid-19.pdf

OMS: Orientação provisória para a implementação de práticas de segurança para trabalhadores críticos que possam ter sido expostos a uma pessoa com suspeita ou confirmação de COVID-19

Para garantir a continuidade das operações de funções essenciais, o CDC recomenda que os funcionários críticos da infraestrutura possam continuar trabalhando após potencial exposição ao COVID-19, desde que continuem assintomáticos e que sejam implementadas precauções adicionais para protegê-los e à comunidade.

Fonte: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/community/critical-workers/implementing-safety-practices.html

Em meio à pandemia de COVID-19, novo relatório da OMS pede investimento urgente em profissionais de enfermagem

O relatório foi elaborado pela OMS em parceria com o Conselho Internacional de Enfermeiras (ICN) e a campanha Nursing Now, destacando as contribuições e os desafios que quase 28 milhões de enfermeiras e enfermeiros do mundo enfrentam. O chamado à ação é claro: os governos precisam investir massivamente no ensino de enfermagem, criando empregos e promovendo a liderança desses profissionais para garantir que haverá profissionais de enfermagem suficientes com as competências adequadas para sistemas de saúde eficazes, equitativos e sustentáveis.

Fonte: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6139:em-meio-a-pandemia-de-covid-19-novo-relatorio-da-oms-pede-investimento-urgente-em-profissionais-de-enfermagem&Itemid=812

Covid-19: orientação sobre plasma convalescente

Foi publicada nesta quarta-feira (8/4) uma nota técnica com orientações para serviços de hemoterapia sobre os procedimentos de coleta, processamento, armazenamento, transporte e transfusão de plasma convalescente. O objetivo é atender projetos de pesquisa sobre o uso desse plasma como procedimento experimental no combate à Covid-19.

http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/covid-19-orientacao-sobre-plasma-convalescente/219201?p_p_auth=kwhRphMM&inheritRedirect=false&redirect=http%3A%2F%2Fportal.anvisa.gov.br%2Fnoticias%3Fp_p_auth%3DkwhRphMM%26p_p_id%3D101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3D_118_INSTANCE_KzfwbqagUNdE__column-2%26p_p_col_count%3D2

Sociedade Brasileira de Infectologia se posiciona novamente sobre uso de máscaras.

Neste novo posicionamento a SBI reforça a importância das recomendações da MOS quanto ao uso de EPIs e outras medidas de prevenção de transmissão cruzada de infecções.

Fonte: https://www.ccih.med.br/nota-de-esclarecimento-da-sociedade-brasileira-de-infectologia/


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