O enterococo resistente a vancomicina (VRE) tem sido um problema em hospitais americanos e o CDC desenvolveu recomendações específicas para seu controle que inclui o uso de avental e luvas para a manipulação de pacientes colonizados ou infectados com estas cepas. Os principais fatores de risco identificados para aquisição de VRE são: gravidade da doença, hospitalização prolongada e antibioticoterapia prévia. As topografias mais frequentemente envolvidas nas infecções por VRE são: trato urinário, feridas e corrente sanguínea. A transmissão cruzada via mãos da equipe é a principal forma de disseminação pelo hospital.

A colonização da pele em pacientes com bacteremia tem sido descrita, contaminando aventais e luvas dos profissionais de saúde. O ambiente também pode ficar contaminado, principalmente se o paciente apresentar diarréia. Artigos médicos hospitalares, como o estetoscópio, também podem ficar contaminados e o objetivo principal do trabalho dos autores, do Hospital Geral de Massachusetts, foi o estudo da incidência de contaminação de luvas, aventais e estetoscópios e quais medidas de controle poderiam ser empregadas.
Entre janeiro de 1.997 e dezembro de 1.998 foram encontrados 49 pacientes colonizados com VRE no hospital, identificados por swab retal de vigilância ou qualquer espécime clínico (sangue, urina, escarro ou feridas), dos quais 47 eram por E. faecium. Após o exame físico de rotina que incluía ausculta e palpação, cultura por impressão em placa foi realizada dos dedos das luvas, aventais e diafragma do estetoscópio antes e após sua fricção com álcool isopropílico a 70%. Também foram coletados dados a partir do prontuário do paciente em relação a fonte da cultura positiva, presença de diarréia no dia da coleta ou dentro de 5 dias, colostomia, ileostomia, dieta enteral ou uso de antibiótico nos sete dias prévios.
O VRE foi isolado em pelo menos um dos itens examinados em 67% dos casos e a frequência de contaminação de cada um deles foi: luvas 63%; avental 37%; e estetoscópio 33%. Os três estavam contaminados em 24% dos casos. A contaminação foi muito mais freqüente quando o paciente era examinado por residentes do que por assistentes (79% X 50%, p=0,03). Vários fatores para ocorrência de contaminação foram avaliados e o único que deu significância estatística foi a presença de colostomia ou ileostomia, ultrapassando nesta casuística fatores tradicionalmente encontrados como uso prévio de antibióticos e diarreia. Todas as cepas de VRE eram sensíveis ao cloranfenicol e sensibilidade razoável á doxiclina e resistência a ampicilina e penicilina.
Segundo os autores, seu estudo comprova que a contaminação de luvas de luvas aventais e estetoscópio é frequente após o exame rotineiro dos pacientes dando suporte a sua utilização. A fricção do diafragma com álcool isopropílico reduziu sua contaminação. A presença de ileostomia ou colostomia reflete a contaminação cutânea e ambiental com sua flora fecal e vai de acordo com os estudos prévios que associavam diarreia à esta contaminação. Os autores também observaram que a taxa de contaminação era similar se o paciente estava colonizado ou contaminado, o que representa grande dificuldade para controle da disseminação do VRE, pois estes casos só são identificados com a realização de cultura de vigilância, particularmente se as Precauções Padrão associada à lavagem ou descontaminação das mãos não forem adequadamente seguidas. Além disso em 21% dos casos houve discordância entre a cepa de VRE isolada no paciente e nas luvas, avental ou estetoscópio, sugerindo uma colonização com múltiplas cepas.

Fonte: Zachary KC, Bayne OS, Morrison VJ, Ford DS, Silver LC, and Hooper DC. Contamination of gowns, gloves, and stethoscopes with Vancomicina-Resistant Enterococci. Infect Control Hosp Epidemiol 2001; 22: 560-564.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.

 


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