A lavagem das mãos é reconhecidamente uma medida fundamental para prevenção das infecções hospitalares, entretanto é realizada menos das metade das vezes em que seria indicada e habitualmente com técnica incorreta, principalmente em relação a sua duração. Vários fatores se relacionam com estes resultados: numero insuficiente de pias, falta de treinamento e informação, falta de tempo ou sobre carga de trabalho e presença de irritação cutânea relacionado ao uso de sabões.

A aplicação de soluções alcóolicas tem sido uma alternativa à lavagem das mãos e inúmeros estudos tem comprovado que é mais eficiente na remoção da flora, quando comparada com a lavagem de sabão comum. Segundo os autores, não existe estudo anterior que compare estas soluções com a lavagem da mãos com soluções antissépticas. Os autores elaboram este estudo para avaliar quais seriam os fatores relacionados à contaminação das mãos e qual melhor estratégia para reduzi-la.

Este estudo foi realizado no Hospital Bichat-Claude Bernard de Paris em 4 UTI´s (2 gerais, 1 cirúrgica e 1 cardiológica), 1 unidade de pós operatório e 2 unidade clínicas (doenças infecciosa e geral). Foram envolvidos 43 profissionais de saúde e comparadas as seguintes técnicas, realizada com intervalo mínimo de 6h por voluntários: lavagem com água e sabão por 10 e 30 segundos; lavagem com sabão com clorexidina por 10, 30 e 60 segundos e aplicação de solução alcoólica. Antes e após a higiene era realizada a cultura dos dedos da mão dominante por impressão em placa.

De acordo com uma análise multivariada, os principais fatores associados com contaminação das mãos durante atividade hospitalar foram: trabalho em enfermarias e não uso de luvas. A menor contaminação na UTI foi relacionada a maior quantidade de lavagem das mãos realizada em decorrência das atividades exercida no setor. Foi observada, mas sem significância estatística, maior contaminação das mãos em profissionais do sexo masculino, médicos, e após contato com ambiente ou sem prestar assistência direta ao paciente. De acordo com os autores, este resultado se relaciona a maior probabilidade de lavagem das mãos após contato direto com paciente.

Comparando-se a redução da carga microbiana das mãos, os piores resultados foram obtidos com a água e sabão, sendo que a carga microbiana foi maior após 30 segundos, possivelmente por mobilização das bactérias presente nas camadas profunda da epiderme. A redução obtida com o sabão antisséptico, de acordo com os autores, independeu do tempo de aplicação do produto. Os melhores resultados foram os obtidos com a aplicação das soluções alcoólicas.

Os autores concluíram seu trabalho afirmando que: nossos resultados sugerem que aplicação de soluções alcoólicas pode substituir a lavagem das mãos com sabão comum e ate mesmo com sabão antisséptico.

 

Fonte: Lucet J C, Rigaud M P, Mentret F, Kassist N, Deblangy C, Andremont A, Bouvet E: Hand contamination before and after different hand hygiene techiques: a randomized clinical trial. J Hosp Infect 50: 276 – 280, 2002.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2003.


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