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O estudo teve como objetivo avaliar o impacto de uma estratégia multimodal de IPC – projetada para a contenção do COVID-19 – sobre as taxas de outras infecções hospitalares adquiridas (HAIs).

Qual a justificativa do estudo?

Durante a atual pandemia de COVID-19, agressivas medidas de prevenção e controle de infecção (IPC) foram adotadas para impedir a transmissão relacionada à assistência a saúde de COVID-19.

Qual o objetivo do estudo?

O estudo teve como objetivo avaliar o impacto de uma estratégia multimodal de IPC – projetada para a contenção do COVID-19 – sobre as taxas de outras infecções hospitalares adquiridas (HAIs).

Qual metodologia foi empregada?

De fevereiro-agosto de 2020, uma estratégia multimodal de IPC foi implementada em um grande centro de saúde em Singapura. A estratégia compreendeu melhor segregação de pacientes com sintomas respiratórios, utilização universal de máscaras, e maior adesão às precauções padrão.

Foram comparadas as seguintes taxas relacionadas a HAIs no período pré e pós pandêmico: infecção respiratória viral relacionada a cuidados de saúde (HAI-RVI), infecção por Staphylococcus aureus resistente à meticilina, e taxas de aquisição de CP-CRE (Enterobacteriacea produtoras de carbapenamase resistentes a carbapanemicos) de infecções associadas a cuidados a saúde (HAIs) por C. difficile e HAIs associadas a dispositivos.

Quais os principais resultados?

O aprimoramento das medidas de IPC introduzidas para conter a COVID-19 tiveram consequências positivas não intencionais na contenção de HA-RVI. A incidência cumulativa de HA-RVI diminui de 9.69 casos em 10.000 paciente-dias para 0.83 casos em 10.000 paciente-dias.

Também diminuíram as taxas de aquisição de MRSA em todo o hospital durante a pandemia, assim como as taxas de infecção da corrente sanguínea relacionada a cateter central (CLABSI), provavelmente devido a melhor aderência as precauções padrão.

Apesar dos desafios causados pela pandemia, não houve aumento nas taxas de aquisição de CP-CRE e outras taxas de HAIs permaneceram estáveis.

Quais as conclusões e recomendações finais?

Os autores concluem que estratégias multimodais de IPC podem ser aplicadas em escala para mitigar de forma eficaz a transmissão relacionada a cuidados de saúde de RVIs. Além disso, a boa aderência ao uso de equipamentos de proteção individual e a higiene das mãos foi capaz de manter a taxa de outras HAIs estáveis mesmo durante o curso de uma epidemia.

Quais as limitações do estudo?

São citadas as seguintes limitações: o estudo foi conduzido em um único centro de saúde; a melhoria das medidas de IPC envolveu investimento substancial para acompanhar o aumento do consumo de EPIs e redesenhar os espaços ocupados pelos pacientes para permitir o distanciamento adequado, fatores que precisam ser levados em consideração para manter as taxas baixas no pós-pandemia.

Que críticas e observações?

Apesar de ser um estudo monocêntrico, este estudo proporciona insights muito interessantes sobre as práticas de IPC.

A pandemia de COVID-19 tem mostrado a cada dia a importância de haver recursos – financeiros e humanos – para otimizar as práticas adequadas de controle e prevenção de infecção no ambiente hospitalar. Além de recursos econômicos que permitam a utilização de equipamentos adequados e mudanças estruturais necessárias, é fundamental para diminuir as taxas de HAIs profissionais adequadamente treinados e motivados a seguir os protocolos de segurança.

Infelizmente existem muitos relatos, publicados ou não, em sentido oposto, relatando aumento de IRAS e da resistência microbiana durante a pandemia, decorrentes de sobrecarga de pacientes e da carga de trabalho dos profissionais de saúde e compartilhamento de EPIs na atenção à diferentes pacientes.

Fonte: Wee LEI, Conceicao EP, Tan JY, Magesparan KD, Amin IBM, Ismail BBS, Toh HX, Jin P, Zhang J, Wee EGL, Ong SJM, Lee GLX, Wang AE, How MKB, Tan KY, Lee LC, Phoon PC, Yang Y, Aung MK, Sim XYJ, Venkatachalam I, Ling ML. Unintended consequences of infection prevention and control measures during COVID-19 pandemic. Am J Infect Control. 2021 Apr;49(4):469-477.

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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