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Desde os anos 80 a AIDS é importante problema de saúde pública, uma infecção crônica, mas cuja evolução pode ser controlada.

  • Será que foi desenvolvido um recurso terapêutico que possibilita a cura da AIDS?
  • Este recurso tem relevância como evidência científica?
  • É factível de ser aplicado em outros casos da doença?

Vamos entender esta publicação da OMS para responder estas questões

Onde foi relatado o caso com aparente cura da AIDS?

A International Maternal Pediatric Adolescent AIDS Clinical Trial Network (IMPAACT P1107) relatou o primeiro caso de cura do HIV em uma mulher, a partir da realização de uma técnica de transplante duplo de células-tronco (ou seja, um transplante de sangue de cordão umbilical combinado com um transplante de medula óssea), que acontece comumente em casos de tratamento para leucemia mielóide aguda. Os pesquisadores do IMPAACT P1107 apresentaram os detalhes do caso durante uma apresentação na 29ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI 2022). A participante do estudo é uma mulher de Nova York (EUA) que interrompeu a terapia antirretroviral (ART) aos 37 meses pós-transplante e não teve HIV detectado por 14 meses. A terapia de transplante duplo de células-tronco levou, também, à remissão da leucemia que ela desenvolveu em 2017.

Qual foi a estratégia terapêutica empregada?

O estudo teve por objetivo descrever os desfechos de pessoas que vivem com HIV e que são submetidas a transplante de células-tronco do sangue do cordão umbilical com mutação genética CCR5 para o tratamento de câncer, por doença hematopoiética ou outra doença subjacente.

Esta mutação genética resulta em células T sem co-receptores CCR5. Como o HIV precisa usar esses co-receptores para infectar as células T, a justificativa do estudo é que a quimioterapia administrada a pessoas com câncer ou outras doenças, seguida de um transplante duplo com células-tronco que carregam essa mutação CCR5, pode alterar o sistema imunológico para torná-lo geneticamente resistente ao HIV.

Qual foi o desenho do estudo desenvolvido?

Foi um estudo observacional relatando apenas mais um caso, onde aparentemente houve cura da paciente. Apesar de ser uma boa perspectiva, este tipo de estudo supera apenas a opinião de especialistas na sua graduação como evidência científica, necessitando de pesquisas com metodologias mais robustas.

Este resultado foi confirmado por outros estudos?

A remissão do HIV ou cura resultante de transplantes de células-tronco havia sido relatada anteriormente em 2 casos.

O primeiro caso foi relatado em 2009, que foi o caso do paciente de Berlim (um homem com leucemia mielóide aguda). Este paciente foi submetido a um transplante de células-tronco de medula óssea e teve remissão do HIV por 12 anos. Ele morreu de leucemia recorrente em setembro de 2020.

O segundo caso ficou conhecido como paciente de Londres (um homem com linfoma de Hodgkin), que foi tratado com transplante de células-tronco da medula óssea e, que atualmente está em remissão do HIV há mais de 30 meses.

Este estudo, então, trata-se do terceiro caso de remissão do HIV, agora documentado em uma mulher, sugerindo que a estratégia de transplante duplo de células-tronco pode ser, também, considerada como uma opção para alcançar a remissão e a cura do HIV, em portadores que necessitam de um transplante de células-tronco para o tratamento de outras comorbidades.

Vamos ver mais detalhes sobre este caso?

O caso de cura do HIV descrito na Conferência Retroviruses and Opportunistic Infections – CROI 2022 envolveu uma mulher de meia-idade de ascendência mestiça que desenvolveu leucemia mielóide aguda de alto risco durante o uso de terapias antiretrovirais (TARV), quatro anos após o diagnóstico de infecção aguda pelo HIV.

A paciente alcançou a remissão da leucemia após o tratamento com quimioterapia convencional e controle da doença pelo HIV, contudo o vírus ainda era detectável. Em 2017, ela recebeu um transplante de células-tronco do sangue do cordão umbilical com mutação CCR5, suplementado com células-tronco do doador da medula óssea de um parente adulto. Depois de receber este transplante duplo de células-tronco, ela foi transfundida no dia 100, com 100% de células do sangue do cordão umbilical, e após este procedimento não havia vírus HIV detectável. Trinta e sete meses após o transplante, a paciente parou de receber a terapia antiretroviral. De acordo com a equipe do estudo, nenhum vírus do HIV foi detectado na paciente por 14 meses, exceto por uma breve detecção transitória de traços de DNA do HIV nas células sanguíneas da paciente em 14 semanas após a interrupção da terapia antiretroviral.

Como é realizado o transplante duplo de células-tronco?

O transplante duplo de células-tronco (ou haplocordão) é uma nova estratégia de transplante que envolve a transfusão de células-tronco de um cordão umbilical de recém-nascidos, complementadas com células-tronco da medula óssea de um doador adulto.

Esse processo de transplante duplo tem sido usado em alguns indivíduos com câncer de alto risco, requer uma correspondência de amostras de antígeno leucocitário humano (HLA) menos restritivos do que os transplantes somente de células-tronco adultas, além de ser um procedimento de transplante mais rápido e seguro.

Nesse caso, as células do cordão umbilical tinham a mutação CCR5 e as células-tronco adultas também não precisavam de uma correspondência HLA idêntica, o que é especialmente difícil de obter para pacientes de ascendência africana ou mestiça.

Voltando à pergunta inicial, afinal, AIDS tem cura?

O caso desta mulher portadora do vírus HIV suporta ainda mais a evidência de que existe cura para o HIV, a partir do tratamento por transplantes de células-tronco. Contudo, é importante destacar que, essa abordagem é um procedimento médico invasivo, complexo e arriscado e ainda não é visto como uma estratégia viável para alcançar as milhões de pessoas, que vivem com HIV em todo o mundo. Além disso, como essa mutação CCR5 é muito rara (cerca de 1% da população geral), as chances de encontrar um doador de células-tronco adequado são muito baixas.

A diretora dos programas de HIV, Hepatite e doenças sexual transmissíveis da OMS Dr. Meg Doherty, diz que: “Apesar dos desafios de viabilidade, este novo caso de remissão do HIV é uma notícia muito empolgante e continuará a energizar a agenda de pesquisa de cura do HIV, lembrando-nos de seu potencial para vencer o HIV”.

Fonte e link:

First case of HIV cure in a woman after stem cell transplantation reported at CROI-2022

<https://www.who.int/news/item/24-03-2022-first-case-of-hiv-cure-in-a-woman-after-stem-cell-transplantation-reported-at-croi-2022>

24 March 2022 Departmental news

Sinopse por: Thalita Gomes do Carmo

https://www.instagram.com/profa.thalita_carmo/

Palavras chaves / TAGs: AIDS, tratamento, cura, transplante duplo de células tronco, leucemia mieloide aguda, mutação genética CCR5, células T, co-receptores CCR5, sistema imunológico, resistência ao HIV, estudo observacional, quimioterapia, sangue de cordão umbilical, terapia antiretroviral

 



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