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Atualmente existem dois principais métodos de antissepsia cirúrgica das mãos que são amplamente difundidos: o método de esfregação com escova com sabonete antimicrobiano e o método de fricção das mãos com solução alcóolica. Este artigo compara ficção com escovação das mãos com solução de propranolol.

Qual foi a justificativa do estudo?

Atualmente existem dois principais métodos de antissepsia cirúrgica das mãos que são amplamente difundidos: o método de esfregação com escova com sabonete antimicrobiano e o método de fricção das mãos com solução alcóolica.

A norma europeia EM 12791:2016+A1:2018 (UNE) estabelece os requisitos de não-inferioridade que os produtos antissépticos para desinfecção cirúrgica das mãos em comparação com um produto de referência específico; essa norma propõe o propanolol 60% (P-1) como produto de referência para determinar a eficácia bactericida por fricção, porém a recomendação dos fabricantes costuma ser o uso de escova.

Qual foi o objetivo do estudo?

Os autores têm como objetivo comparar a eficácia bactericida do produto antisséptico de referência – P-1 – usando os métodos de fricção de mãos e de esfregação com escova. Foi testada a eficácia do P-1 com uma escova de esfregar para a adequada desinfecção das mãos de acordo com o padrão UNE.

Quais foram os métodos?

Foi realizado um ensaio cruzado entre setembro de 2019 e janeiro de 2020 em uma universidade de Madrid (Espanha). Os 24 participantes foram divididos aleatoriamente em 2 grupos de 12 participantes e foram realizadas duas rodadas de testes. Na primeira rodada o grupo 1 utilizou a fricção com escova e o grupo 2 utilizou fricção de mãos, sempre com P-1. Após 1 semana – para permitir a reconstituição da flora normal da pele – o teste foi repetido com estratégia de antissepsia trocada entre os grupos.

Como base para o estudo os participantes incialmente lavaram as mãos com sabonete macio diluído, para remoção da flora bacteriana transitória, e enxaguaram em água corrente e secaram com o auxílio de uma toalha. Em seguida os participantes esfregaram todas as 10 pontas dos dedos por 1 minuto em 2 placas de Petri (1 para cada mão), que forma incubadas e as unidades formadoras de colônia (CFU/ml) calculadas.

Para analisar o método de fricção das mãos, foram despejados 3 ml de P-1 nas mãos secas em concha dos participantes que friccionaram vigorosamente as mãos para garanti cobertura total das mãos; considerando a volatilidade do produto, alíquotas adicionais de mesma quantidade foram empregadas quando necessário. Já para o método de esfregação com escova, as unhas foram esfregadas com escova estéril e as mãos e antebraços foram lavados por um período de 3 minutos.

Logo após a realização da técnica de antissepsia as mãos dos participantes foram secas e foi realizada amostragem bacteriana da mão direita, para obtenção do pós-valor imediato. Imediatamente a seguir, ambas as mãos foram protegidas de contaminação ambiente por meio de luvas cirúrgicas esterilizadas sem pó que foram mantidas por 3 horas. Após esse período as luvas foram removidas e foi realizada amostragem bacteriana da mão esquerda, para obtenção do pós-valor de 3 horas.

A redução de carga bacteriana foi determinada pela dos pós-valores em relação as prevalências (em CFU/ml) para ambas as mãos separadamente. Foi utilizado o teste de intervalos sinalizados de Wilcoxon para comparar os resultados obtidos antes e após a antissepsia. O teste U de Mann-Whitney foi usado para comparar a eficácia entre as diferentes técnicas.

Quais foram os principais resultados?

No pós-valor imediato, ambos os métodos apresentaram redução significativa de CFU/ml com a utilização de P-1, sendo a do método de fricção de 1.69 CFU/ml e a do de fricção de apenas 0.84 CFU/ml. Já no pós-valor de 3 horas os resultados foram bem diferentes; o método de fricção das mãos apresentou redução de 3.52 para 2.00 CFU/ml (variação de 1.52), enquanto o método de esfregação com escova apresentou redução de 3.94 a 3.50 CFU/ml (variação de 0.44).

Qual foi a conclusão?

Neste estudo cruzado, os pesquisadores observaram que a eficácia de P-1 na antissepsia cirúrgica das mãos é altamente dependente do procedimento de aplicação do antisséptico. Os resultados sugerem que o método de esfregação com escova deve ser substituído pelo método de fricção, pois a recolonização bactericida da pele do indivíduo após a aplicação de antissépticos está fortemente ligada à forma de administração. Ao friccionar o antisséptico, a recolonização mostra-se significativamente reduzida em comparação com o método da escova de esfregar.

Os autores concluem ainda que os fabricantes de antissépticos devem testar qual método de aplicação do próprio produto é superior em relação ao produto de referência P-1, segundo a UNE, antes de recomendar o uso de escova em vez de fricção das mãos.

Quais são as limitações do estudo?

Os autores destacam que a principal limitação do estudo esta relacionada a uma dificuldade intrínseca aos estudos de avaliação de redução de carga bacteriana na pele, pois ainda não existe um padrão de metodologia ouro a ser aplicado. Sendo assim, devido a grande variabilidade entre os possíveis métodos que podem ser utilizados sem uma norma padronizada, torna-se difícil ou mesmo impossível comparar e generalizar os resultados encontrados.

Quais críticas e considerações?

Este é um estudo muito interessante. Os autores assumem o desafio de estudar um argumento que normalmente não é questionado e para o qual a metodologia de estudo do ideal não é ainda bem definida. Os resultados são uma evidência clara de como é importante para os profissionais de saúde desafiar e refletir ativamente sobre as práticas do dia a dia; é fundamental para melhorar as práticas do IPC que os preventores de infecção tenham um papel ativo na revisão e criação de práticas standard.

O pequeno número de observações é outra grande limitação do estudo, mas fica a ideia para estudos complementares com maior amostragem e melhor uniformização da técnica de pesquisa.

Fonte: Martin-Villa C, Becerro-de-Bengoa-Vallejo R, Alou L, González N, Losa-Iglesias M, Gómez-Lus ML, Sevillano D. Comparing rubbing and scrubbing surgical hand antisepsis with propan-1-ol 60% in accordance with European regulation UNE-EN 12791:2016+A1:2018. Infect Control Hosp Epidemiol. 2021 Nov;42(11):1382-1384

Sinopse por: Maria Julia Ricci

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