Qual foi o objetivo da pesquisa?

O objetivo do estudo foi relacionar a redução norovírus humano com o tipo de antisséptico empregado, sem ação residual (60% de etanol) e com ação residual (à base de amônio quaternário) para redução do risco de infecção.

Qual foi o Métodos utilizado?

Seis voluntários consentiram em participar de cada um dos ensaios. O produto de teste era um desinfetante para as mãos líquido à base de amônio quaternário com uma ação residual, ULTRA GermFree 24 (Zoono, Shrewbury,NJ); isso foi comparado com uma solução de etanol a 60%. A formulação líquida do produto ULTRAGermFree 24 inclui álcool etílico a 70%, cloreto de benzalcônio, complexo de sílica, cloreto de 3(trimetoxisilil) propil-dimetil-octadecil-amônio e água. Antes da inoculação com norovírus humano ou aplicação de desinfetantes de teste, as mãos dos voluntários foram descontaminadas por lavagem com água e sabão, seguida por spray de etanol a 60%. Os norovírus humano foram obtidos de amostra de fezes suspensa a 20% em água deionizada. Em alguns casos, o inóculo foi submetido ao teste imediatamente após a deposição (controle úmido); em outros casos, o inóculo foi testado após a secagem, mas sem (controle a seco) ou com (tratamento) exposição ao desinfetante para as mãos. Os testes foram processados ​para detecção de vírus. As reduções nas mãos com ambos os antissépticos foram medidas experimentalmente usando o método ASTM International Standard E1838-10, com modificação. Os cenários incluíram a aplicação do produto a: (1) inoculado nas digitais dos dedos com tempos de contato de 30 e 60 segundos e (2) mãos seguidas de inoculação com norovírus humano imediatamente e 4 horas depois. A eficácia dos produtos foi estudada usando um modelo matemático para estimar o risco de infecção por norovírus a partir de um único contato corpo a corpo sob condições de baixa e alta contaminação ambiental.

Qual o papel dos fômites na contaminação por norovírus?

É amplamente reconhecido que os fómites são um importante reservatório de patógenos virais e que alguns, especialmente vírus entéricos, podem sobreviver na superfície por semanas ou meses.  Um único contato de fómite contaminado com concentrações muito baixas de vírus (ou seja, uma única unidade infecciosa por 100 cm 2) foi previsto um risco de infecção humana por norovírus e os fómites têm sido implicados como a fonte ou um grande papel nos surtos de norovírus.  Além da limpeza e desinfecção da superfície, o aumento da conformidade com a higiene das mãos é importante medida para prevenir surtos de norovírus.

A questão da utilização do álcool 70% (descrita no artigo como etanol) para higienização das mãos é uma questão bem resolvida?

Não, e se faz necessário mais pesquisas com outras opções, de higiene das mãos, pois no contexto dos vírus, existe uma preocupação com a substituição dos desinfetantes de mãos à base de etanol, pois eles podem não ser eficazes contra todos os tipos de vírus. Em comparação com outras opções de higiene das mãos, como lavar as mãos, as fricções têm demonstrado ser geralmente mais eficazes contra bactérias do que vírus não envelopado, como é o caso do Norovírus.

Qual seria a outra opção de desinfetante mais eficaz para a higienização das mãos contra todos os tipos de vírus e porquê?

Os produtos com quaternário de amônio são desinfetantes comumente usados desde 1935.  Eles têm ação variável contra vírus não-envelopados, como o norovírus. Através da pesquisa foi sugerido, reduções do risco de infecção devido os produtos com menor grau inicial de inativação do vírus, mas com maior duração do efeito em comparação com produtos com maior redução inicial. 

Qual a maior evidência que o desinfetante residual é mais eficaz que o desinfetante não residual?

Observou que uma maior redução para os antissépticos para as mãos residuais que com os não residuais foram por um tempo de contato de 60 segundos, diminuindo o risco de infecção em aproximadamente 99% e 85%, respectivamente. Quatro horas após a aplicação, o desinfetante residual para as mãos reduziu os riscos de infecção em 78,5% sob condições de alta contaminação, enquanto o desinfetante para as mãos não residencial não ofereceu redução.

Embora o estudo elucide as diferenças potenciais no risco de infecção por um antisséptico para as mãos residual, quais as limitações precisam ainda ser estudadas?

Este estudo demonstra o potencial benefício dos antissépticos residuais para as mãos na diminuição dos riscos de infecção por norovírus a partir de contatos de fómite único em ambientes contaminados, devido sua ação residual por até 4 horas. Mais estudos são necessários para quantificar essas reduções durante contatos repetitivos com superfícies contaminadas Além disso, na nossa opinião,  a amostra é muito pequena e é um estudo experimental, sem comprovar redução efetiva na ocorrência de contágio humano e sua praticidade nas condições de uso em instituições de saúde, na qual em 4 horas temos inúmeras oportunidades para realizar a higiene das mãos, na qual um antisséptico deve ser empregado, nunca se observando intervalos de quatro horas entre as aplicações. Há necessidade de amplos estudos adicionais para se tornar uma evidência científica de qualidade e que comprove ter alguma utilidade esta observação. Este artigo comprova que sempre devemos ler com cautela estudos publicados mesmo em revistas de renome.

Fonte: Wilson AM et al. Comparison of estimated norovirus infection risk reductions for a single fomite contact scenario with residual and nonresidual hand sanitizers. American Journal of Infection Control: 48 (2020): 538-544.

Sinopse por: AMANDA DANIELA PEREIRA BELINELO

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