O campo de Prevenção e Controle de Infecções tem se desenvolvido e se tornado muito complexo, requerendo cada vez mais profissionais devidamente habilitados para resolver as necessidades desta crescente demanda. Assim como também responder as situações como surtos, epidemias globais, problemas de saúde pública que afetam a comunidade em geral e apoiar leis e regulamentos que crescem a cada dia no âmbito da Saúde de uma determinada População.

Qual o objetivo do estudo?

O objetivo do estudo é mostrar como é possível investir em Recursos em Prevenção e Controle de Infecção criando cargos, promovendo e treinando profissionais e aumentando pessoal de apoio dentro deste setor.

Qual a justificativa do estudo?

Devido à complexidade dos desafios que existem hoje no mundo globalizado, como epidemias, ressurgimento de doenças que estavam aparentemente desaparecidas, como Sarampo, Ebola, aumento de doenças preveniveis por vacinação, crescimento da resistência microbiana, aliados ao aumento da complexidade com as constantes mudanças no Sistema de Saúde, tem- se um grande desafio para o Serviço de Controle de Infecção, prover recursos humanos habilitados para tão complexa tarefas. O papel dos profissionais que trabalham neste setor expandiu- se consideravelmente, tornando-se linha de frente nas respostas às demandas de saúde pública da população. Assim como também o crescimento de leis e regulamentos, que exigem registros para infecções adquiridas durante a internação, vigilância de infecções adquiridas por uso de procedimentos invasivos, assim como toda a mudança de centro de tratamento tradicional para modelos que concentram toda a assistência primária, secundária e terciária.

Portanto, recomendações para profissionais de Controle de Infecções são escassas e não atualizadas, existem poucos estudos falando sobre um modelo ideal para controladores de infecção. O Hospital das Crianças em Filadélfia acessou as necessidades dos controladores de infecção baseados em seu próprio sistema de avaliação de risco e aplicou modificações nos papeis destes profissionais levando em conta pacientes internados e externos.

Qual a metodologia empregada?

O Hospital da Criança em Filadélfia é um hospital de mais de 560 leitos atendendo em nível regional, nacional e internacional mais de 1 milhão de pacientes internos e externos por ano. Ele possui um dos maiores network dos Estados Unidos com mais de 50 sites.

Em 2010, quando primeiramente foi introduzido um sistema de vigilância eletrônica, o número de notificação de infecções praticamente dobrou. Durante este período a organização cresceu consideravelmente em números de pacientes internados e pacientes assistidos ambulatoriamente assim como também a utilização de procedimentos invasivos. O quadro de profissionais trabalhando no Depto de Controle de Infecção não acompanhava este crescimento. Portanto foi necessário acessar as necessidades da Equipe do CCIH para atender as demandas crescentes do Hospital.

Consequentemente foi realizado mudança na estrutura do quadro de pessoal que trabalha como Controlador e preventor de Infecção no período de 2014-2018. Foi desenvolvido descrição específica de tarefas para dar suporte à CCIH, incluindo gerentes de programa para higiene das mãos, analista clínico, uma equipe de profissionais de apoio à prevenção de infecção. Além disso, foi criado um Programa de Controle de Infecção para dar suporte a um anual Programa de Treinamento para Enfermeiras. Para os especialistas em Controle de Infecção foi criado uma Progressão de carreira em 3 níveis, Preventor de Infecção I, II e III. Compensação e comparação com outros hospitais também foram levadas em conta, incluindo analistas de dados, auditores, gerentes de projetos respectivamente. Uma pesquisa de comprometimento dos funcionários que trabalham em Prevenção de Infecção foi acessada para avaliar melhoras na equipe e crescimento profissional durante 2014-2018.

Quais foram os principais resultados?

Entre 2014-2018 o número de controladores de infecção aumentou de 4 para -9, criando um plano de progressão de carreiras em 3 níveis para Controladores e Preventores de Infecção por período integral. Outras posições e funções foram criadas como Gerente de Programa de Lavagem das mãos, Analista clinico, uma Associação de Prevenção de Infecções foi criada. Juntamente com o crescimento de empregados em Prevenção de Infecção, expandiu- se o conhecimento e capacidade de orientação do departamento, com base em um crescimento de 33% nas vistorias das instalações e uma eficiência 7 vezes maior nas auditorias e supervisão.

Uma equipe mais diversa também aumentou, mudando de um perfil predominantemente de Enfermeiras Geral, para enfermeiras com especialização em Saúde Pública, e especialistas em laboratórios. Os resultados da pesquisa de comprometimento dos funcionários, mostrou um aumento na equipe de trabalho e crescimento profissional de 7,4% e 5,4% respectivamente.

Durante este período, a taxa de IAH (Infecções adquiridas no Hospital) caiu, enquanto a taxa de paciente/dias aumentou cada ano, e teve uma redução estatisticamente significante de taxa de danos.

Conclusão e Recomendação:

Maneiras de apoiar e fazer crescer um Programa de Prevenção e Controle de Infecções devem ser considerados cuidadosamente antes da implementação do referido programa. Gestores devem ter estratégias ágeis para se ajustar as necessidades constantemente em mudanças. O fundamental é considerar o crescimento do profissional dentro de uma organização em expansão. Criar cargos e progressão de carreiras, recrutar e manter profissionais talentosos, acrescentando custo- eficiência apoiando as equipes. Estas estratégias irão permitir que a equipe acompanhe o ritmo do crescimento da organização e a crescente complexidade dentro deste campo, enquanto continua promovendo resultados mais seguros para os pacientes.

 Críticas e Observações finais:

Embora o campo da Prevenção e Controle de Infecção continue se desenvolvendo ainda não há um embasamento final como se prover adequadamente profissionais para este departamento. Existem parcos estudos publicados e não há uma padronização para apoiar alocação de recursos de um Programa de Prevenção e Controle de Infecção para suportar a crescente demanda do Sistema de Saúde. Protocolos que se focam somente no numero de leitos também não atendem as responsabilidades de um Controlador de Infecção, uma vez que estes protocolos estão mais baseados em vigilância do que na demanda. No entanto, se este indicador efetivamente traduz a necessidade para empregados apropriados para trabalhar num Programa de Prevenção de Infecção não foi demonstrado.

Também ter uma equipe multiprofissional, dando suporte e benefícios, assim como reconhecimentos e abrindo perspectivas para que o profissional possa se focar em sua carreira, aumentou a satisfação e comprometimento retendo bons profissionais. Mostrando o impacto deste serviço para a segurança dos pacientes também foi um bom resultado. Nossos dados mostraram que fomos capazes de melhorar os resultados impactando a taxa de infecções, aumentando e melhorando o nível dos funcionários da CCIH.

Sinopse por: Cacy Rodruigues Lima

Contatos: [email protected]

Fonte: Smathers AS et al. A strategy for expanding infection prevention resources to support organizational growth. American Journal of Infection Control 48 (2020) 975−981



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