Resultados de uma estratégia efetiva para resolver uma dos grandes erros no usos profilático de antibióticos numa cirurgia.

Qual a importância da antibioticoprofilaxia cirúrgica adequada?

Infecções do sítio cirúrgico (ISC) ocorrem em quase 3% dos procedimentos cirúrgicos realizados nos Estados Unidos. As ISC têm desfechos graves, como hospitalização prolongada, complicações muitas vezes irreparáveis, alto custo para o sistema de saúde e em alguns casos a morte. A antibioticoprofilaxia é responsável pela diminuição das ISC, no entanto, é necessária que essa profilaxia seja adequada, quanto ao tipo de antibiótico, a dose inicial, nova dose se necessário e tempo de utilização correto após procedimento. A falha que qualquer parte desse processo pode levar as ISC e ao risco de infecções por bactérias multidroga resistente. A pesquisa foi um projeto de melhoria da qualidade, para aumentar conformidade com as recomendações de nova dose para procedimentos cirúrgicos, com duração superior a 4 horas.

Qual o cenário do estudo?

O Hospital de Clínicas da Universidade de Lowa, um hospital terciário com 761 leitos, centro de atendimento que realiza mais de 31.000 cirurgias por ano, incluindo mais de 250 cirurgias colorretais, quase 650 histerectomias abdominais totais e mais de 850 artroplastia total de joelhos ou quadris.

As doses de antibióticos administradas no intervalo das cirurgias são necessárias?

As diretrizes recomendaram nova dose dos antibióticos de acordo com o tempo intra-operatório, baseados na farmacocinética de cada fármaco. A nova dose de antimicrobianos com uma meia-vida curta foi recomendada num intervalo de aproximadamente 2 vezes, a meia-vida é avaliada de acordo com função renal do paciente. As recomendações de nova dose intra-operatórias publicadas são para procedimentos cirúrgicos com duração superior a 4 horas.

Como desenvolver o Programa Multifacetado?

  • Desenvolver um guia com as recomendações para a escolha de antibióticos por categoria cirúrgica e disponibilização para acesso facilitada;
  • Orientar e treinar a equipe multiprofissional;
  • Criar estratégias de alertas de acordo a realidade institucional, a fim de minutos antes da necessidade de administração da nova dose, seja informado ao profissional responsável;
  • Ter indicadores referentes a esses dados para avaliar a implantação e promover o feedback para os profissionais envolvidos.

Como o estudo foi desenvolvido?

Foi criado um documento com as recomendações de antibioticoprofilaxia por categoria cirúrgica, este guia foi distribuído para os anestesistas, revisado e aprovado por vários hospitais, comitês de farmácia e administração antes implantação. O esboço inicial do documento foi apresentado em janeiro de 2014 e finalizado em outubro de 2015

Em seguida, foi realizada uma campanha agressiva para informar todos profissionais sobre o projeto. O documento foi inserido no sistema eletrônico, e um alerta para os anestesistas, de 15 minutos antes do tempo programado para nova dose do antibiótico, tempo necessário para receber da farmácia a medicação e administrar. Também foi solicitado a todos os cirurgiões apoio ao projeto. Os dados da antibioticoprofilaxia cirúrgica foram enviados mensalmente à liderança do hospital para incentivar a responsabilização dos profissionais, e como meio de feedback.

O treinamento dos profissionais ocorreu de dezembro de 2015 a março de 2016, e introdução do guia para prática clínica ocorreu em janeiro de 2016. A ferramenta de alerta foi criada inicialmente no final de 2015, mas foi revisado em setembro 2016.

Um total de 13.695 procedimentos cirúrgicos com duração superior a 4 horas foram realizadas entre fevereiro de 2013 a dezembro 2017.

Foi considerado peso corporal do paciente, nível de creatinina sérica mais recente, procedimento cirúrgico, anestesista responsável, horários de início e término da anestesia, início e término da cirurgia, dose e via de antibiótico, data e hora da administração e nova dose. Considerou-se não-conforme se qualquer um dos dados acima, não foi respeitado de acordo com o guia de recomendações.

Como foi feita a análise do estudo?

Utilizou-se uma técnica quase experimental de análise de séries temporais. O número de procedimentos cirúrgicos com duração superior a 4 horas e com nova dose apropriadas foi modelado como dados de contagem pelo modelo de regressão, incorporando a tendência de linha de base e mudança de tendência após a intervenção.

Os procedimentos cirúrgicos que contemplavam as recomendações, foram incluídos no modelo como uma variável denominador. As tendências e mudanças imediatas foram calculadas como taxas de taxa de incidência. Os dados foram demonstrados em gráficos. O nível de significância de menos de 0,05, intervalo de confiança de 95% (IC) e valores de P também calculado. Todos os cálculos estatísticos foram realizados utilizando a versão R 3.4.3 softwares (R Foundation for Statistical Computing, Viena, Áustria).

Os resultados foram satisfatórios?

No final da implantação multifacetada, foi observado aumento significativo na adesão as recomendações de acordo com o documento implantado, a taxas de não- conformidade melhoraram de aproximadamente 80% para apenas 1,2% dos casos. Vale ressaltar que devido à meia vida curta de alguns antibióticos, a dose total excederia a dose máxima recomendada em 24 horas, portanto, o anestesista e o cirurgião por segurança não atendem a recomendação do guia. As diretrizes não explicitam recomendações de acordo com a função renal do paciente, mesmo quando o antibiótico instituído pode levar ao potencial para overdose e toxicidade de antibióticos.

 

Fonte: O’Sullivan CT tl al. Implementation of a multifaceted program to sustainably improve appropriate intraoperative antibiotic redosing. American Journal of Infection Control 47 (2019) 74-77.

Sinopse por: Cíntia Aparecida Laurindo da Silva

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