Estudo sobre como hospital de Hong Kong não teve casos de transmissão intra-hospitalar de Covid-19.

Quais foram as medidas iniciais tomadas em Hong Kong?

O presente artigo, trata de uma descrição sobre algumas medidas imediatamente tomadas pelas autoridades de vigilância em saúde em Hong Kong e alguns testes realizados nos pacientes positivados e medidas realizadas como com os trabalhadores da área de saúde que tiveram contato com os pacientes

Após o anúncio do caso de SARS-CoV 2 em dezembro de 2019, em menos de 30 dias da descoberta o vírus já havia se espalhado em vários continentes, diferentemente da infecção de 2003.A mortalidade no inicio do quadro foi de 2.5% até fevereiro de 2020. A preocupação em Hong Kong sempre foi grande porém, como em 2003 (primeiro surto de coronavírus: SARS) 8 profissionais da área de saúde morreram infectados, eles tiveram algumas reações para impedir que isso se repetisse.

Quais métodos foram adotados pela equipe que desenvolveu o artigo?

  • Controle epidemiológico e controle de infecção
    1. Governo organizou os serviços potenciais receptores de pacientes suspeitos dia 31 de dezembro (informação do primeiro caso)
    2. Isolamento de todos os pacientes como transmissão por aerossóis e contato.
    3. Distanciamento de 1m de pacientes internados no mínimo
    4. Coleta de amostra de material respiratório de via aérea alta e baixa mandados para exames precocemente.
    5. Resposta rápida dos exames laboratoriais (4-8h).
    6. Treinamento intensivo de profissionais da área sobre uso de EPIS e Higiene de mãos (assim como de pacientes).
  • Investigação precoce de possível transmissão nosocomial.

Identificação precoce de funcionários que atenderam pacientes potenciais contaminados sem os devidos EPIs e indicação de quarentena (14 dias de afastamento).

Acompanhamento médico dos mesmos e uso de máscaras cirúrgicas por eles por mais 14 dias quando retorno.

  • Diagnóstico laboratorial de SARS-Cov2 e coletas de amostras derivadas.

Os pacientes foram testados para SARS-CoV 2 e pan-coronavirus (23 tipos de coronavirus conhecidos em humanos e animais).

Testadas amostras de superfícies de leitos de paciente positivos para adequação dos cuidados.

Testadas também amostras de ar dos pacientes citados para pesquisa de COVID enquanto tossiam, faziam inspiração e expiração forçada, simulavam taquipneia, a 10 cm do queixo dos mesmos.

Quais os principais resultados do estudo?

Nos 42 primeiros dias após anuncio da primeira infecção em paciente em Wuhan, eles tiveram 1275 pacientes suspeitos sendo que desses apenas 42 foram positivos pra COVID (3,3%). A média de idade foi de 59 anos, maioria sexo feminino e residentes na China, porém com histórico de viagens recentes. Depois do primeiro caso confirmando em 21 de Janeiro, o crescimento maior de casos foi observado entre o dia 27-29 após o primeiro caso reportado em Wuhan, 1 paciente morreu e 4 estavam em ventilação mecânica até a data do estudo

Dos 413 profissionais que tiveram contato com os 42 pacientes confirmados, 11 relataram contato sem EPI adequados e postos em quarentena, nenhum deles evoluiu com infecção por coronavírus.

No controle das amostras do ambiente do paciente, positivaram amostras do parapeito de janela do leito, ou seja houve contaminação local. Todas as amostras coletadas do ar do paciente vieram negativas.

Quais medidas auxiliarem a chegar nesse resultado em se tratando de taxa zerada de infecção nosocomial?

O tempo de internação dos pacientes foi de 4,5 dias em média. Eles consideraram profissionais de risco aqueles que se expuseram a aerossóis (fizeram aspirações traqueais em sistema aberto e manejaram pacientes com alto fluxo de O2). Combinaram higiene de mãos e uso de máscaras faciais (medidas já usadas em infecções por influenza) além da associação do uso de precauções para aerossóis e contato, nos leitos de pacientes positivos. Tiiveram a taxa de zero infecções nosocomiais,

Alguns comentários….

Já a presença do vírus em superfícies chamou a atenção para transmissão por contato direto e indireto, ou seja, a persistência dele em algumas condições de temperatura e umidade deve ser consideradas.

Esse estudo trouxe uma informação interessante de que 66% das infecções foram observadas em 11 núcleos familiares diferentes, ou seja, o compartilhamento de objetos e locais no domicilio por esses doentes e familiares aumentou a transmissão da doença.

Apesar do estudo ter sido realizado há meses atrás, fica sempre a máxima prevalente: higiene de mãos, uso de máscaras de proteção e educação dos profissionais continuam sendo as medidas mais eficazes de proteção.

Fonte: Cheng VCC et al: Escalating infection control response to the rapidly evolving epidemiology of the coronavirus disease 2019 (COVID-19) due to SARS-CoV-2 in Hong Kong. Infection Control & Hospital Epidemiology (2020), 41, 493–498

Contato: sara.hilgert@gmail.com


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