No exemplar de abril de 2.002 da revista Infection Control and Hospital Epidemiology foram publicados três artigos sobre custos de infecção hospitalar, que foram comentados em seu editorial. Apresentamos a seguir um resumo das principais considerações feitas pelo editorialista da revista.

Hollenbeak empregou quatro métodos estatísticos distintos para calcular o custo de infecção do sítio cirúrgico pós revascularização do miocárdio. Foram comparados 41 casos com 160 controles não infectados. A comparação não pareada demonstrou um aumento de U$ 20.012,00. Após um pareamento em relação à idade, sexo, diabetes, insuficiência renal e duração da cirurgia, o aumento do custo foi U$ 19.579,00. Foi realizada também uma regressão logística para avaliar o papel de vários fatores que afetam o custo da assistência, incluindo gravidade da doença, duração da cirurgia, sexo, obesidade, insuficiência cardíaca congestiva, diabetes, re-exploração devido sangramento e uso de balão intra-aórtico, que foi o único fator que afetou significativamente o custo destas internações. Após o controle quanto ao uso de balão intra-aórtico, o aumento de custo da infecção do sítio cirúrgico em cirurgias de revascularização foi U$ 19.311,00. Vários fatores que aumentam o risco de infecção elevam também o custo dos cuidados, como: diabetes, insuficiência cardíaca, gravidade da doença, insuficiência renal e duração da cirurgia. Fazendo-se uma análise estatística em duas etapas, pode-se ajustar em relação à presença desses fatores. Por este método, o aumento de custos caiu para U$ 14.211,00.

Este estudo foi realizado em um hospital, com um procedimento específico, num único período no qual a incidência destas infecções havia aumentado, mas pode ser empregado por controladores de infecção, administradores hospitalares e epidemiologistas para compreender o impacto econômico das infecções do sítio cirúrgico. Estudos adicionais são necessários em diferentes tipos de hospitais, regiões, formas de reembolso da assistência. Este estudo também não avaliou o custo de infecções superficiais e infecções na safena.

Whitehouse realizou um estudo para determinar o impacto de infecção do sítio cirúrgico em cirurgias ortopédicas sobre a qualidade de vida, duração e custos da hospitalização. A presença desta infecção aumenta um dia a hospitalização e o período de acompanhamento pós-alta numa mediana de 14 dias. Além disso, aumenta a re-hospitalização e re-operação de um para dois episódios. Foi realizado um estudo sobre qualidade de vida após um ano da cirurgia empregando-se o questionário SF-36 e os dados sugerem significante limitação funcional e queda da qualidade de vida nos pacientes que tiveram infecção. Este estudo é facilmente reprodutível dentro da abrangência das CCIHs e poderá estimular investigações que avaliem melhor o impacto econômico, considerando também a gravidade da doença e outros fatores que afetam o custo assistencial. Também estudos adicionais poderão ser realizados para se avaliar o impacto da resolução da infecção sobre a qualidade de vida.

Orsi estudou o aumento da hospitalização e dos custos relacionados à ocorrência de infecção da corrente sanguínea em um grande hospital italiano. Foi feita uma coorte retrospectiva com pareamento, considerando a unidade de internação, sexo, idade, diagnóstico, cateter venoso central e intervalo entre a admissão e a infecção. A mortalidade atribuída foi 32,5%. O aumento da hospitalização no grupo infectado teve média de 19,1 dias e mediana de 13 dias. Os custos diretos foram 16.356 euros por caso. Destas infecções, 79,5% foram primárias e 20,5% secundárias. Os principais microorganismos isolados foram: estafilococo coagulase negativo (33%), S. aureus (19,7%) e Pseudomonas aeruginosa (11,2%). Esta pesquisa foi uma das primeiras realizadas na Europa sobre o impacto econômico das infecções hospitalares.

Finalizando o editorial, a autora enfatiza a importância do conhecimento do impacto econômico das infecções hospitalares e de um trabalho conjunto em parceria com economistas e administradores hospitalares, para uma melhor compreensão dos aspectos econômicos das infecções hospitalares.

 

Fonte: Fraser VJ. Starting to Learn About the Costs of Nosocomial Infections in the New Millennium: Where Do We go from here? Infect Control 23(4): 174-176,2002.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2003


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