Pseudomonas aeruginosa é um dos principais agentes isolados em casos de infecção hospitalar em uma unidade de terapia intensiva, particularmente em pneumonia associada à ventilação mecânica. Ela também é encontrada com frequência na água das torneiras da unidade. A equipe do Dr. Matthias Trautmann realizou um estudo para avaliar a importância desta possível fonte de microrganismos, principalmente nas infecções endêmicas em sua UTI de 16 leitos no hospital Universitário de Ulm. Identificar a fonte de cepas epidêmicas é até habitual, mas isto é muito raro nas infecções endêmicas.

Durante sete meses foram colhidos swabs faríngeos, aspirado traqueal e urocultura à admissão dos pacientes e duas vezes por semana durante sua permanência na unidade, além da cultura dos sítios infectados. Paralelamente foi colhido 100ml de água das seis torneiras do UTI. As Pseudomonas isoladas foram tipadas por soroaglutinação e genotipadas pelo método do PCR (Polimerase Chain Reaction).

Foram coletadas 72 amostras de água, das quais 49 (68,1%) foram positivas paraP. aeruginosa, sendo identificados nove sorotipos e quatro genotipos distintos. Dezessete pacientes (4,5%) tiveram cultura positiva, com um total de 67 cepas de 20 padrões distintos pela genotipagem e com grande variabilidade em relação a soroaglutinação, impossibilitando correlação a partir deste último método. Todos estavam com ventilação mecânica e o agente sempre esteve associado a uma infecção (pneumonia associada à ventilação, 6 casos; traqueobronquite purulenta, 6; peritonite, 5; infecção do trato urinário, 2 e bacteremia 1). Em quatro pacientes foi observado o mesmo genótipo que na água da torneira de seu quarto, durante sua internação, sendo que em três casos, o isolamento na água precedeu ao do paciente. Cinco pacientes foram contaminados com o mesmo genotipo, não encontrado na água de seus quartos, sugerindo transmissão cruzada. Oito pacientes albergaram cepas não observadas na água e cinco apresentavam-se colonizados à admissão, sugerindo origem comunitária ou de outros setores do hospital.

Várias atividades apresentam risco potencial para transmissão de microrganismos presentes na água da unidade: banho do paciente; escovação dos dentes; limpeza de próteses dentárias; possivelmente transmissão vias mãos da equipe (estas culturas não foram realizadas durante o estudo)

As seguintes medidas profiláticas foram realizadas:

  1. Os registros das torneiras estavam contaminados com resíduos orgânicos, sendo realizada a sua limpeza e autoclavação, porém logo ocorreu a recontaminação com a mesma cepa, sugerindo colonização de biofilmes no interior da torneira;
  2. Dispensadores com gel alcoólico foram instalados ao lado de cada pia e a equipe foi instruída a realizar a antissepsia das mãos após sua lavagem e entre os cuidados com os pacientes;
  3. Utilização de luvas de procedimento para o banho e a realização da higiene oral do paciente;
  4. Foram realizadas sem sucesso várias tentativas de “descolonizar” as torneiras empregando filtração e hipercloração;
  5. Poderá ser empregada no futuro a água fervente nas torneiras e seus registros, pois um estudo alemão conseguiu resolver o contaminação usando esta técnica.

 

Fonte: Trauttman M, et col. Tap water colonization with Pseudomonas aeruginosa in a Surgical Intensive Care Unit (ICU) and relation to PseudomonasInfections of ICU patients. Infect Control Hosp Epidemiol: 2001; 22 (1): 49-52.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes em 2002

 


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