O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) alerta os profissionais de saúde devido pacientes em inúmeros países terem sido infectados por Candida auris, um fungo que pode levar a doenças invasivas.

Este agente deve preocupar as autoridades sanitárias por 3 razões principais:

  1. Esta cepa é multirresistente, com elevada concentração inibitória mínima (MIC) da maioria dos antifúngicos e existem opções terapêuticas limitadas
  2. As infecções se disseminam rapidamente e têm alta letalidade
  3. Um laboratório de microbiologia padrão, utilizando os métodos bioquímicos habituais ou automação, não consegue identificar este fungo.

Esta Candida foi identificada na Coreia do Sul em 1996 e em 2009 o primeiro caso de infecção, relatado no Japão e está presente  em 12 países em 5 continentes, incluindo a América do Sul (Colômbia e Venezuela), podendo estar presente em outros países, mas ainda não diagnosticada. Embora ainda não esteja completamente esclarecida sua transmissão, parece ocorrer principalmente em pacientes hospitalizados, onde ocorre transmissão cruzada com participação de superfícies e equipamentos contaminados, como manguito para medição de pressão arterial.

Os primeiros casos detectados foram de otite, mas foi também isolada na corrente sanguínea, feridas, secreção respiratória e urina, mas os cientistas ainda não sabem se ela provoca infecções em pulmões ou trato urinário. Os principais fatores de risco identificados até o momento foram: internação prolongada, diabetes mellitus, cirurgias recentes, uso recente de antibióticos e drogas antifúngicas e cateter venoso central.

Para conter a disseminação deste agente o CDC recomenda:

  1. Os pacientes devem ficar sob precaução de contato em quartos isolados.
  2. Os profissionais de saúde e visitantes devem lavar as mãos antes e após o contato com pacientes hospitalizados
  3. Os profissionais de saúde e os visitantes devem utilizar luvas e aventais ao entrar no quarto do paciente afetado
  4. Os equipamentos e superfícies devem ser desinfetados com um germicida com ação antifúngica.
  5. Os profissionais de saúde e os visitantes praticar a etiqueta da tosse, protegendo com o cotovelo ao espirrarem ou tossir.

O CDC se preocupa com estas infecções por três razões principais:

  1. Estas cepas são resistentes nas doses habituais aos principais antifúngicos (derivados azólicos, equinocandinas e poliênicos) utilizados para o tratamento das infecções por outras espécies de Candida. Cerca de 1/3 das cepas são também resistentes a anfotericina. Estes casos devem utilizar doses maiores destes medicamentos, sob supervisão direta de infectologistas e farmacêuticos hospitalares.
  2. Os métodos padrão dos laboratórios de microbiologia não conseguem identificar estas cepas, dificultando seu diagnóstico e o tratamento adequado destas infecções. Métodos baseados na tecnologia Maldi-tof ou biologia molecular podem identificar estas cepas.
  3. Esta espécie tem causado surtos de infecção hospitalar, por isso é importante que seja rapidamente identificada para que se tomem as precauções para evitar sua disseminação.

Fontes: https://www.cdc.gov/fungal/diseases/candidiasis/candida-auris-alert.html

https://www.cdc.gov/fungal/diseases/candidiasis/candida-auris-qanda.html

https://www.gov.uk/government/collections/candida-auris

https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/637685/Updated_Candida_auris_Guidance_v2.pdf

Resenha: Antonio Tadeu Fernandes


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