A ANVISA notificou dia 07/12 possivelmente o primeiro caso de infecção por Candida auris. O fungo foi identificado em amostra de ponta de cateter de paciente internado, por complicações da Covid, em UTI adulto em hospital do estado da Bahia, sendo confirmado pela técnica Maldi-Tof no Laboratório Central de Saúde Pública Profº Gonçalo Moniz – LACEN/BA e no Laboratório do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP. A ponta de cateter não é um material significativo clinicamente, dependendo de critérios clínicos para saber que está sendo um quadro infecioso como disse a nota. Porém, a simples presença do fundo colonizando um paciente, já é um fator de grande preocupação, pois dentre suas características principais temos: alta resistência aos três principais grupos de antifúngicos (polienos, azóis e equinocandinas); pode provocar várias infecções graves, inclusive na corrente sanguínea; sua identificação requer métodos laboratoriais específicos; pode permanecer viável no meio ambiente por até meses; é resistente aos quaternários de amônio; e por tudo isso, pode provocar surtos e se tornar endêmico nas instituições.

Este fungo já foi discutido em dois programas Superação este ano:

Segundo o documento da ANVISA, a OPAS publicou em 2016 um alerta epidemiológico a partir da identificação de casos deste fungo na América Latina e a ANVISA um comunicado de risco contendo orientações para a vigilância laboratorial em 2017.Vários órgãos federias e estaduais estão envolvidos nas medidas de prevenção e controle e numa investigação epidemiológica para tentar conter o caso.

Vamos fazer uma síntese das principais informações sobre este fungo, que constam da mais recente edição do livro do Bennett, Dolin e Blaser.

A Candida auris é considerada uma ameaça infecciosa emergente, devido seu alto padrão de resistência microbiana, que foi identificada em 2.009, causando infecções hospitalares e com dificuldades para seu diagnóstico laboratorial. A presença de portadores pode ser verificada pela pesquisa em virilha ou axila, mas o fungo não é identificado pelos métodos habituais realizados nos laboratórios de microbiologia hospitalar. Sua resistência aos azoicos é de 30 a 40%; à anfotericina e equinocandinas é cerca de 10%, sendo estas últimas consideradas as drogas de escolha. Ela tem tendência a formas biofilmes, o que dificulta seu tratamento e eliminação. A letalidade é alta, de até 50%.

Outra característica é persistência da contaminação ambiental, que tem feito autores recomendarem o uso de vaporização de peróxido de hidrogênio ou aplicação de luz ultravioleta, mas ambos devem ser aplicados em quartos selados, sem presença de pacientes, devido sua toxicidade e os resultados ainda são conflitantes, além de exigirem para seu emprego de treinamento específico dos funcionários. Ela é resistente ao uso de quaternário de amônio, mas a associação de álcool é efetiva.

O CDC publicou um importante documento sobre o tema, acessado a partir deste link: https:// www.cdc.gov/fungal/diseases/candidiasis/c-auris-infection-control.html. Na nossa biblioteca virtual, recurso exclusivo de nossos alunos e ex-alunos, temos vários artigos na íntegra que tratam deste microrganismo e vale ser feita uma pesquisa nas revistas disponíveis a partir do índice das publicações.

Sinopse por: Antonio Tadeu Fernandes.

Fonte: Bennett Je, et col (ed). Mandell, Douglas and Bennett’s Principles and practice of infectious diseases. Nona Edição, 2020. Philadelphia, Elsevier.



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